A evolução perfeitamente insana da série de Tina Fey. |
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Publicado em: 03/07/2009 |
Antes de criar 30 Rock, Tina Fey participou do humorístico Saturday Night Live por quase dez anos. Inicialmente, Tina ficava atrás das câmeras, escrevendo esquetes para o programa de humor mais tradicional da televisão americana. Em 1999, Tina se tornou escritora-chefe do programa e no ano seguinte entrou para o elenco fixo, onde começou a chamar a atenção do público ao participar do quadro Weekend Update. Tina permaneceu no SNL até 2006. As experiências acumuladas no programa inspiraram a criação de sua própria série, produzida, escrita e estrelada por Tina. Em 30 Rock, que encerrou sua terceira temporada esta semana no Brasil, Tina é Liz Lemon, escritora-chefe de um programa humorístico que lida com as atitudes extravagantes de seus astros e as esquisitices de seu chefe-executivo, interpretado por Alec Baldwin. A série estreou com baixa audiência, mas sobreviveu ao cruel mundo das séries americanas graças ao sucesso junto à crítica. Ao final do primeiro ano, a série conquistou o Emmy de melhor série de comédia e garantiu os investimentos e a atenção da rede NBC.
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A primeira temporada começa com a chegada de Jack Donaghy (Baldwin), novo vice-presidente de desenvolvimento da companhia NBC-GE-Universal-Kmart, encarregado de reorganizar o programa "The Girlie Show", estrelado por Jenna Maroney (Jane Krakowski) e escrito pela equipe de Liz Lemon (Fey). Donaghy sugere o nome do astro de cinema Tracy Jordan (interpretado pelo ex-SNL Tracy Morgan) para o show, rebatizado "TGS with Tracy Jordan". O primeiro ano da série mostra as dificuldades de Liz Lemon em lidar com a disputa entre Tracy e Jenna. Lemon ainda tem que aprender a conviver com o novo chefe, sempre com as respostas mais afiadas na ponta da língua, e conciliar sua vida pessoal com o trabalho. Abordando o universo dos bastidores da TV, a série aproveita para criar paralelos com a produção de um SNL, com a rede NBC e também pela protagonista, que apresenta características parecidas da atriz.
"30 Rock" faz referência ao endereço do prédio da GE, onde estão localizados os escritórios da NBC studios: 30 Rockefeller Plaza. No ano de seu lançamento, a série teve uma incômoda concorrência com outro programa sobre os bastidores de TV com nome bastante similar. Tratava-se de Studio 60 on the Sunset Street, drama estrelado por Matthew Perry (Friends), que durou apenas uma temporada, apesar de ter recebido algumas indicações para as premiacões americanas. As comparações eram inevitáveis na época, mas a baixa audiência falou mais alto para Studio 60, que não teve a sorte de ganhar prêmios de relevância para continuar no mercado.
Aos poucos a série tem somado novos espectadores, mas seu índice de audiência ainda é muito baixo para o padrão americano. No Brasil, 30 Rock é exibido pelo canal Sony, que acaba de transmitir a terceira temporada. Na TV aberta, o programa passa pela Record, dublado e com um estúpido nome de "Um maluco na TV". A rede transmite os episódios da primeira temporada, mas a dublagem é muito pobre e as piadas se perdem na tradução. A melhor maneira de conferir o primeiro ano é recorrer aos discos de DVD. Uma boa amostra do humor da série são os episódios contidos nos discos pares, como "Tracy Does Conan", "The Rural Juror" (um clássico) e o episódio final "Hiatus", com a hilária mãe de Donaghy (a atriz Elaine Stritch levou o Emmy por esta participação).
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Com a confirmação da segunda temporada, a série explorou seus acertos e se consolidou com uma das melhores coisas na televisão da atualidade. É o ano de Alec Baldwin, incrivelmente engraçado e confortável no papel de Jack Donaghy que rouba todas as cenas em que aparece. A performance do ator acelerou o ritmo da série, cada vez mais absurda e genial. As histórias do segundo ano são também mais bem elaboradas e encontram relações com o momento político, econômico e social dos EUA naqueles anos de 2007 e 2008. Jack passa por um mal momento logo no primeiro episódio, confrontado por Jerry Seinfeld que cobra remunerações por uso indevido de imagem. O personagem admite uma crise na emissora e a temporada explora as difíceis negociações internas. Algumas situações criadas no programa ecoam a greve dos roteiristas americanos daquele ano. Jack ainda se envolve com uma congressista do partido democrata (Edie Falco, de Os Sopranos) e precisa manter o relacionamento em sigilo para não comprometer o seu trabalho na empresa. A temporada termina com o personagem trabalhando para o programa de segurança nacional em Washington, onde planeja ser demitido por criar uma "bomba gay".
O segundo ano da série acumulou novos prêmios, além do Emmy de melhor série de comédia, Alec Baldwin e Tina Fey venceram como protagonistas no gênero, e Tina levou ainda um prêmio pelo roteiro do episódio "Cooter". A atriz conquistou também dois globos de ouro consecutivos pelo sua performance na série, em 2008 e 2009. No início deste ano, a série levou ainda os prêmios de melhor série e melhor ator em comédia da imprensa estrangeira. Os Globos de Ouro consideram os primeiros episódios da terceira temporada, que teve sua estréia em outubro de 2008 nos EUA. E certamente a série vai fazer muito barulho nos Emmy's deste ano. A terceira temporada recebeu críticas ainda melhores que os anos anteriores, o elenco está afiadíssimo e conta com inúmeras participações especiais (Megan Mullally, Oprah Winfrey, Jennifer Aniston, Steve Martin, Salma Hayek, Jon Hamm, Adam West, Alan Alda, entre outros!). A categoria de convidados especiais deve ser dominada pelas participações em 30 Rock nesta temporada; e Steve Martin deve ganhar fácil pelo episódio "Gavin Volure".
O texto e a direção seguras da série deram credibilidade e equilíbrio para este terceiro ano, mesmo com a enorme quantidade de convidados no elenco. Até os atores secundários e de apoio ganharam mais espaço nesta temporada e são bem aproveitados ("Cala a boca, Lutz!"). O ano começou mostrando as dificuldades de Liz Lemon em adotar um bebê, presa às obrigações do trabalho e sem um relacionamento duradouro (motivo para uma descontraída conversa com Oprah no avião). Jack encontra uma nova paixão na enfermeira interpretada por Salma Hayek e termina encontrando seu pai biológico em Alan Alda. Os episódios são construídos em um crescente absurdo e terminam beirando a insanidade. A temporada também segue este crescimento; a segunda metade é bem caprichada e tem os melhores episódios da série até aqui. O episódio final é delirante: Jack decide ajudar seu pai com a produção de um concerto musical na TV para arrecadar um rim (!).
Com esta qualidade, ninguém duvida que 30 Rock vai arrebatar mais alguns prêmios por esta temporada, mas a série ainda precisa ser descoberta pelo grande público. Com texto inteligente, a série encena situações que remetem aos acontecimentos mais recentes da esfera pública. De forma sutil, jogos de linguagem simulam discussões políticas e sociais, e o comentário crítico se dá no nível semântico e referencial. Um exercício de criatividade e bom humor. Como forma de parabenizar sua idealizadora, segue abaixo uma montagem de cenas da personagem de Tina Fey. A quarta temporada de 30 Rock estréia no dia 15 de outubro nos EUA.
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