"Alice, por que um corvo se parece com uma escrivaninha?". |
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Publicado em: 23/04/2010 |
Há tanta discussão sobre a adaptação do diretor Tim Burton para a obra de Lewis Carroll, em grande parte acusando a narrativa do filme de prostituir o encanto do texto original, que - confesso - entrei na sala de cinema com um certo receio sobre o roteiro e a história a ser apresentada. A preocupação em geral não é se o filme conta exatamente a jornada de Alice e as seis coisas impossíveis que ela pensa antes do café, mas se o resultado ainda é um filme coeso e interessante. Puritanos de lado, devo dizer; a adaptação é de uma beleza intoxicante. A liberdade criativa do diretor e sua equipe só tem a acrescentar à fábula, atualizando contextos de Alice para uma nova passagem da vida.
Parece que, ao jogar Alice ao mundo subterrâneo depois de crescida, o diretor evoca um resgate de memória e propõe um novo processo de compreensão do mundo. Alice não é "totalmente" a mesma menina e o seu próprio mundo de signos se modificou no passar dos anos. Porém, a metáfora da transformação continua presente e com a mesma poética do texto original. Dessa maneira, ao atualizar Alice para o contemporâneo de forma mais madura, o diretor evitou alguns perigos sobre certa leitura maliciosa da história. Assim, Alice pode ser uma personagem ainda mais encantadora na tela, e deve encontrar - na platéia do mundo real - muitos e novos admiradores e semelhantes.
Como todo filme de Burton, Alice imprime um curioso trabalho visual; motivo que faz dessa adaptação uma das obras mais aguardadas do diretor. Entre esses signos, há sinais que registram a marca do diretor: como os elementos góticos e uma afetação pelo bizarro. O filme acerta na caracterização e na escolha de vozes para o gato risonho (Stephen Fry) e a lagarta azul (Alan Rickman), assim também com o elenco principal formado por Mia Wasikowska, Johnny Depp e Helena Bonham Carter (excelente a cada "Cortem-lhe a cabeça!"). Diferente, porém, do que acontece com Anne Hathaway e Crispin Glover. A Rainha Branca de Hathaway nunca convence como personagem e parece que a atriz interpreta a si mesma (algo próximo de sua participação no SNL do ano passado). Para Glover, talvez a experimentação de técnicas e linguagens tenha prejudicado o seu personagem Valete, que parece evidenciar demais o truque cinematográfico, ameaçando a percepção da narrativa. Detalhes; no geral, Alice é uma aventura interessante e positivamente provocativa.
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Alice no País das Maravilhas |
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