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Drama de luto e redenção tenta se passar por ficção científica. |
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Publicado em: 16/11/2011 |
A Outra Terra tem uma premissa interessante e que pode atrair fãs de ficção científica: um certo dia, aparece no céu uma segunda Terra, um planeta exatamente idêntico ao mundo como conhecemos. Toda a vida está duplicada lá: as mesmas histórias, os mesmos personagens - pelo menos até o momento em que um planeta "viu" o outro. Isso é o que se supõe, daqui, pelos contatos com o outro planeta, já que não há sequer uma imagem na segunda Terra. A proposta do filme é questionar os rumos e as decisões de vida da protagonista através do espelhamento que representa aquele ponto azul no céu. O aparecimento do segundo planeta tem um efeito direto para a protagonista: distraída olhando para o céu, Rhoda causa um acidente que acaba matando o filho e a esposa grávida de John. A perspectiva de existir uma segunda Rhoda no outro planeta faz ela se inscrever para um programa espacial, o que pode significar pra ela uma fuga ou uma possibilidade de recomeço. As pontuações reflexivas sobre o sentido de existir um outro igual funcionam, mostrando como há todo um diálogo interior em cada momento de nossas vidas. Porém, todo o recurso ficcional intrigante de se ter uma segunda Terra no céu serve apenas como desculpa para contar uma história dramática pouco original. Na real, o filme é apenas uma narrativa de redenção das mais baratas: Rhoda tenta reparar o estrago que fez na vida de John, se aproximando aos poucos da vítima que não sabe que ela é a culpada pelo acidente. A narrativa é mais interessante quando sugere que não há correção para aquele cenário, que a vida de Rhoda está também despedaçada pelo acidente. Apesar de indicar bons caminhos, A Outra Terra não sai do lugar e não corresponde a expectativa de sua premissa.
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| A Outra Terra (Another Earth, EUA, 2011) Direção: Mike Cahill. Elenco: Brit Marling e William Mapother. Duração: 92 min. |
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