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Publicado em: 15/07/2010 |
Milésimos de segundos entre um corte e outro e faz-se um plano da seqüência de ação: uma perseguição de carro ou uma intensa cena de luta. O instante capturado naquela duração do plano pouco ou nada expressa em sua singularidade, mas é parte da composição rítmica e do efeito de sentido do conjunto.
Na máquina hollywoodiana, os blockbusters de verão – produtos cinematográficos lançados na estação entre maio e agosto, período mais lucrativo da indústria – se caracterizam pelo emprego constante de cortes rápidos e pela intensa fragmentação das cenas de ação. Por vezes, o virtuosismo das construções audiovisuais é tamanho que as leis de continuidade deixam de ter importância (e o público deixa a sala de cinema desnorteado). É possível definir um grau de intensidade dessa fragmentação? Qual é o limite de cortes por minuto possíveis sem que se perca o sentido da cena?
À determinação desse grau – arbitrário e subjetivo, vale dizer – sugiro o emprego do termo "assimilação Bourne". A trilogia do desmemoriado agente interpretado por Matt Damon é o meu limite de compreensão narrativa/imagética. No segundo capítulo da série (A Supremacia Bourne), a rápida sucessão de imagens é problematizada ainda mais pelo intenso movimento de cena e pela dissociação de pontos de vista e de escuta. Em uma cena de luta específica, é difícil entender quem está batendo em quem; o som de uma lâmina irrompe no ambiente e leva outros milésimos de segundo para descobrir quem afinal pegou a faca do chão
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O detalhamento da decupagem funciona nesses filmes por complementar a história do espião; ou seja, há um tratamento específico da relação entre forma e conteúdo. Em outros filmes, porém, o virtuosismo nos deixa tão perdidos e sem memória quanto Bourne
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