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Publicado em: 15/08/2010 |
Quantas vezes deverá ser um assunto replicado até que desperte a atenção dos usuários
? Na efervescência das comunicações sociais em rede, propaga-se um sem número de postagens a cada instante, com maior ou menor valor informativo, de gostos e sensibilidades distintas. Na era digital, a influência ou a relevância de um tema perante a sociedade será determinada pela visibilidade da notícia nos canais informativos; resta saber, é claro, quais são os interesses do internauta/leitor e, ainda mais instigante, qual é agenda do comunicador responsável?
Não é de hoje que o jornalismo incorporou as ferramentas cibernéticas na prática diária de notícias e de divulgação. Aliás, a rede pode ser vista como um ambiente criativo de retroalimentação; ao mesmo tempo em que se dispõe como um canal informativo, a Internet possibilita a interação de agentes comunicacionais assim como a permuta de tópicos e de tendências
. Porém, é necessário que se faça uma ressalva ao modelo corrente de negócios: não aquele do valor informativo da notícia, mas aquele do valor agregado à notícia.
Entende-se que, nesse modelo, a seleção e edição das notícias poderá acordar com toda uma produção industrial de mercadorias. A relação entre notícia e mercadoria pode ser imediata quando pela sensibilização de um gosto aquisitivo: daquilo que está implicado – direta ou indiretamente – através da notícia. Mas a relação entre notícia e comercialização pode assumir outras características quando se atenta aos níveis de penetração dos canais informativos. Nesse sentido, os subterfúgios sensíveis – quiçá ideológicos – são agregados à notícia objetivando a manutenção dos níveis de audiência.
Do que vale dizer que, na contemporaneidade, a pauta é decidida mais pelos afetos do que pelas razões
. Ou seja, a inserção de um tópico pode representar a comercialização de sub-produtos derivativos: de outros materiais de cobertura, de debates e entrevistas, que continuem fomentando a sensibilização inicial do público até que o interesse pelo tema se esgote. Diferente do ideal romântico da prática investigativa, o modelo vigente transforma a notícia em mercadoria – e de rápido consumo, enquanto o assunto ainda "é fresquinho".
Não é à toa que a Internet problematiza as práticas jornalísticas, evidenciando as reservas de mercado e questionando as fontes de confiança: ou aceita-se um programa ideológico dirigido às massas ou fica-se de fora dos tópicos em discussão. Será esse um plano maquiavélico dos conglomerados de mídia em lançar tendências (para se auto-promover como contrapartida)? Ou, pela alternativa comercial, o trending topics serve como um indicativo dos afetos sociais, e são esses que, reaproveitados e embalados no formato de notícia/mercadoria, ganham a primeira página
? Em uma prostituição do conceito (ou do conteúdo): vende mais porque é barato ou é barato porque vende mais?
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