Exercício de técnica e experiência sensorial sobrepõem ao conteúdo. |
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Publicado em: 01/01/2010 |
É possível que Avatar seja um novo marco para a história do cinema. O emprego da tecnologia, na criação de um mundo "digital" rico em detalhes, supera qualquer outra aventura na criação de imagens geradas por computador. O resultado é de uma beleza encantadora, de encher os olhos e de fato o filme merece ser conferido em uma boa sala de cinema: 3-D obrigatoriamente, mas sugiro uma sala Imax. Assistir ao filme em um telão faz muita diferença. A experiência sensorial propiciada pelas cores e pelos ângulos de câmeras é algo inesquecível.
Que futuramente Avatar será uma obra para comparações não resta muita dúvida. Assim como o primeiro Matrix foi cansativamente comparado e imitado nos últimos anos, Avatar será lembrado por cenas que superam os limites das técnicas cinematográficas do seu tempo. Nunca antes um longa-metragem soube aproveitar tão bem a terceira dimensão para contar a sua história. Se o futuro é assim tão promissor para o longa de James Cameron, o momento atual – de seu lançamento nas salas de cinemas – ainda é controverso. Apesar do deslumbre visual e da montanha de dinheiro que o longa está gerando (e do quanto foi gasto), a discussão acerca do filme destaca a forma em detrimento do conteúdo. E com razão; a história é uma mera desculpa para o exercício de técnica do diretor. O roteiro, ainda que apresente um incrível detalhamento de Pandora, deste admirável mundo novo, peca pela sua simplicidade previsível e pelos diálogos poucos criativos (realmente me incomodei com "frases de efeitos").
Enquanto espectadores - encantados com a técnica e desapontados com a história -, nosso principal elo de identificação parece se dar com a Dra. Grace (interpretada pela ótima Sigourney Weaver). A cientista, coordenadora do programa de avatares híbridos, não esconde a admiração pelo mundo de Pandora, mas o seu rigor científico é sobreposto pela necessidade de ação. A personagem quer estudar Pandora, mas com um distanciamento respeitoso e uma postura pacifista. O que segue, porém, é um discurso pobre sobre a malevolência do ser humano: ganância, poder, ambição, etc. É através da cientista que co-optamos pelo "lado do bem", pela "moral e bons costumes", pela "política da boa vizinhança". E, como ela, não chegamos ao fim da jornada satisfeitos. Infelizmente, faltou sutileza neste conflito e a forma (a estética) se tornou muito mais importante que o conteúdo.
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