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Publicado em: 15/09/2009 |
Reação química, auto preservação instintiva, reação psicológica ao trauma...
O medo serve mesmo é para manter cada macaco no seu galho. Ferramenta preferida dos conspiradores para a opressão e manutenção da ordem – também útil para o prazer dos sádicos torturadores – ele é distribuído em muitas formas.
Um bom exemplo de como o veneno é instilado em nossos organismos são as “inocentes” lendas urbanas, engodos pérfidos que engessam e transformam esses humanóides em marionetes do sistema que se dobram a covardia, quando deveriam cuspir nesta mão que lhe afaga e na boca que lhe beija. Mas aí também mora o perigo; os decrépitos seres que nos controlam garantiram as origens de suas falácias em um ponto histórico qualquer aterrorizante e verdadeiro para assegurar que caso déssemos um grito de liberdade diante de seu discurso opressor caíssemos nas garras da desgraça real que circunda nas profundezas de onde tiraram suas idéias.
Só a tal da Blood Mary tem mais nomes que Dom Pedro e um passado mais sujo que meu nome na praça. Usando o espelho ao invés da vassoura – para economizar no pedágio – já viajou além do 7 continentes, incluindo o hyperespaço. Travestida em seu manto sanguinária ela aguarda pacientemente defronte algum espelho um incauto que lhe convide para um colóquio no qual restarão apenas vísceras como testemunhas.
O convite a dança é simples: qualquer criança que não tenha recebido suficientes corretivas sabe como ser insistente e repetir três vezes o mesmo nome (mas nesse caso não é para chamar a mãe).
Para quem não sabe, o espelho é um objeto que segundo o ocultismo funciona como um portal de comunicação entre o mundo dos idos – onde tudo pode acontecer - e dos que ainda estão indo. É parte da mitologia de qualquer lugar muito antigo de alguma parte do mundo.
Conto, balela ou fato verídico, tem sempre alguém que jura que uma história dessa aconteceu com algum conhecido. Se tudo na vida é mesmo relativo como tantos pregam, uma lenda conspiratória – ops, quer dizer – urbana não pode fugir a regra.
Há quem diga que essa lenda teve origem no tempo o H de gancho, no final do século de XIX, quando, na época do Halloween, as moçoilas entoavam pequenos cânticos diante de um espelho, em uma sala escura, segurando um candelabro na tentativa ver, em relance, a face de seu futuro prometido.
Concluo que as péssimas experiências nos casamentos, alto número de divórcios aliados à sogras endiabradas, transformaram uma ingênua brincadeira nessa lenda de arrepiar os pelos do sovaco, para quem os tem.
Os séculos passam e tudo continua igual.
Se ao invés do broto, a menina visse o Ceifador de Almas, ela teria sua vida ceifada e morreria sem desposar ninguém, em pura castidade – garantindo o céu.
Em sua veia vingadora Blood Mary foi uma adolescente vaidosa que sofreu preconceito após ter seu rosto desfigurado num acidente de carro e vendeu sua alma para o cramuinha a fim de se vingar de todos. Depois de tal trato, se matou defronte a um espelho – uma vez que a sua alma já estava vendida não era melhor ficar aqui encima que lá embaixo?
Já a encarnação tupiniquim de Mariazinha é mais conhecida como a Loira do Banheiro ou Maria do Algodão: uma aluna gazeadora de aula - ou professora - que morreu de causa desconhecida e desde então assombra os alunos matadores de aula retalhando-os e colocando chumaços de algodão em suas feridas – numa espécie de Murta que Geme bem piorada.
Vale dizer que há inclusive a versão masculina de Blood Mary, o tal Candyman – tiozinho do doce, protagonista de terror filme B, que nos idos 90 ao ser chamado cinco vezes diante de uma espelho virava açougueiro.
A verdade é que ceifadora, adolescente ou platinada, Blood Mary desafia o algum corajoso presunto a invocar seu nome de uma a cem vezes – isso varia de versão para versão - e o convida a ter seu corpo dilacerado e embebido em sangue – isso, definitivamente, não varia.
Assim como não varia a verdade. Em sua origem real Blood Mary vive na Londres de 1550, com a conhecida alcunha de rainha Mary Tudor ou Mary I.
Avessa aos protestantes, no momento em que ganhou a coroa iniciou sua caçada. Com um bizarro histórico de múltiplos abortos e falsa gravidez repetida ela não queria perpetuar seu casamento com o príncipe espanhol, o que eventualmente traria um fim a tal perseguição - da qual ela se responsabilizava com tamanho esmero. Há quem afirme ainda que, para manter sua beleza – que nem era tanta, a rainha tomava banho com o sangue de jovens garotas.
Pois é, onde há fumaça há fogo. As carnificinas que povoaram nossa história contam que toda e qualquer lenda tem um fundo de verdade.
Por isso, companheiro, recomendo que não seja burro e tente ter com nossa amiga um encontro fatal.
Na psoríase passada:
Histórinha para Boi Dormir e Encher a Burra
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