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Brüno
Mockumentary faz rir, mas roteiro fraco prejudica o filme.
Guilherme.
Publicado em: 17/08/2009

A experiência (de assistir) Brüno é certamente decepcionante, mas não esquecível. Ao longo da sua hora e poucos minutos de projeção, você poderá rir muito, pensar e até se emocionar com a trajetória do personagem em busca de sucesso em Hollywood. Ao mesmo tempo é possível refletir sobre o formato do filme; é um "mockumentary" (termo jocoso que define documentários de provocação) no momento em que entrevista e insere pessoas reais nas filmagens (essas acreditam, aliás, que Brüno existe de fato), mas é também uma comédia, do gênero ficcional, com uma grande linha narrativa e emocional, que amarra todo o filme. As possibilidades de intervenção do estilo "mockumentary" em Brüno eram muitas, mas poucas são aproveitadas na edição, que previlegia o bem menos interessante e demasiado caricatual "personagem".

Não me leve a mal. Brüno, o personagem, é engraçadíssimo. A construção do ator Baron Cohen é incrível, principalmente no sotaque, nas risadas e nos estrangeirismos do personagem. O problema é que, por vezes, o roteiro leva o personagem muito a sério, o que fica evidente no último ato com a busca de redenção de Brüno. O resultado é bastante irregular. Na abertura o filme é provocativo, absurdamente até, ultrajante se quiser. O meio apresenta o que há de melhor; as várias intervenções do Brüno no mundo estabelecido. Após te convencer que o personagem é um poço de convicção e nonsense, por exemplo com a exposição na televisão de seu bebê adotado, o roteiro o faz questionar sua sexualidade. Para alcançar o seu sonho de ser famoso em Hollywood, Brüno não pode ser über-gay. Seguem as tentativas falhas de "conversão", e o humor se perde, o personagem se enfraquece. A historinha do personagem e seu assistente é pobre, e o final é, por assim dizer, brochante. Toda a reflexão sobre preconceito se perde. Fica o estereótipo, irreal e humilhante do gay, que parece nos dizer que é maneira como a sociedade americana aceita os homossexuais. Falta a Brüno, o filme, certa ousadia para criticar as demonstrações de preconceito e falta a Brüno, o personagem, um nível de desconstrução que possibilite a ironia, a sacanagem (a pegadinha) e a reflexão.

Luz baixa: Brüno apresenta seu "programa" para os executivos de uma emissora. Podia ficar sem ver o pingolim do personagem na tela.

Brüno 
(EUA, 2009)
Direção: Larry Charles.
Elenco: Sacha Baron Cohen.
Duração: 81 min.


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