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The Cleveland Show: 1ª temporada
Guilherme.
Publicado em: 23/05/2010

A primeira temporada de The Cleveland Show contém 21 episódios.

#   Título: Exibição original
(EUA):
No Brasil:
01

"Pilot"

27 setembro 25 abril
 
Preciso concordar com Stewie. De todos os personagens de Family Guy, Cleveland seria um dos últimos que eu consideraria para uma série própria. Por que não The Quagmire Show? Quando o vizinho de Peter se despede dos amigos em Quahog, Stewie dispara: "What the hell?! HE is getting his own show?" (ELE está ganhando sua própria série?!). "Bye, chocolate people!"
Como episódio-piloto de um spin-off, é um bom começo para a jornada solo do personagem, conclui sua participação na série de origem e estabelece seus novos companheiros. Nesta caso, a nova família Brown, formada por Cleveland Jr. e Donna, antiga paixão de Cleveland, com seus dois filhos. Por que o núcleo familiar (nos desenhos americanos) é sempre constituído do casal, dois filhos pré-adolescentes e um bebê?!
Este episódio-piloto chegou na Internet meses antes da estreia televisiva, e a transmissão oficial apresentou leves alterações na narrativa. O ritmo é ainda bastante irregular, nem todas as piadas funcionam e os novos personagens são muito caricatos. Posso ver Tim, o urso, conquistando o público, mas a sua apresentação aqui foi fraca. Fica a promessa. Já a questão racial é muito presente; algumas vezes com bastante humor, como a crítica sobre brancos (Seth MacFarlane?) fazendo série para negros; mas a citação sobre Barack Obama é pobre e muito atrasada.
A animação também fica na sombra de Family Guy, usando por exemplo o recurso de cutaways que definem a série da família Griffin. O cutaway com Dolly Parton é tão cruel quanto as piadas de Family Guy. Falta identidade, mas não humor.

Melhor fala: "Gays são espertos. Veja quantas falas Gene Hackman precisou decorar na sua carreira."
Melhor cena: Peter tentando pegar o papa-léguas.

02

"Da Doggone Daddy-Daughter Dinner Dance"

04 outubro 02 maio
 
Com um padrasto tão sem graça, que a cada pouco solta uma risada - solitária - de suas próprias falas, não é sem razão a preferência de Roberta ir sozinha para o jantar dançante que dá título ao episódio. Falta a Cleveland, personagem e série, o humor "ácido" de Family Guy. E cada vez que a comparação vem à tona, maior é o desapontamento com esta série. A proposta aqui parece carregar mais no emocional, como um programa (err) mais família, cheio de lições de moral e boas maneiras. Por isso, Roberta termina o episódio dançando com seu padrasto, perdoando o atropelamento do cachorro e aceitando o bigodudo na família. Sem dúvida, como qualquer 'produto Seth MacFarlane', Cleveland Show não está completamente isento de polêmica. Tal como Stewie e Roger; Rallo parece ser o personagem amoral, chocante e sem regras. Digo parece porque Rallo ainda está anos-luz longe do humor daqueles personagens, mas tudo indica que chegará lá.

Melhor fala: Você não pode substituir meu cachorro como Brad Pitt substituiu Jennifer Aniston, ou como John Mayer substitiu Jennifer Aniston, ou como Vince Vaughn substitui Jennifer Aniston...
Melhor cena: Os cães sendo domesticados na antiguidade (ou será ao contrário?).

03

"The One About Friends"

11 outubro 09 maio
 
Cleveland está preocupado com seu filho, Cleveland Jr., e tenta encontrar um amigo para lhe fazer companhia. A amizade de Cleveland Jr. com o filho do vizinho coloca Cleveland em uma difícil situação quando a criança decide abandonar sua casa e morar com a família Brown.
O capítulo foge do sentimentismo barato que esta história poderia render, e o resultado é o episódio mais divertido desse início de temporada. Cleveland finalmente convence como protagonista, e os seus amigos coadjuvantes crescem na série.
Vale a pena destacar ainda dois cutaways desse episódio: o trapezista solitário com Alzheimer e Van Gogh descobrindo o cotonete. De chorar de rir.

Melhor fala: Se não amanhã, no dia seguinte. Se não no dia seguinte, no próximo. E se não for no próximo, nós desistimos, porque aí foram quatro dias, e já chega.
Melhor cena: Cleveland aborda um desconhecido no ponto de ônibus e pergunta se ele quer brincar com o seu 'júnior'.

04

"Birth of a Salesman"

18 outubro 16 maio
 
The Cleveland Show está encontrando a sua fórmula e ficando cada vez melhor. O episódio desenvolve uma história mais consistente (e menos "picada" ou desvirtuada como Family Guy), com Cleveland procurando um emprego na cidade. Há sátiras do contexto social americano, do racismo ao preconceito contra homossexualismo; e as cenas entre Cleveland e seu novo chefe são excelentes! O amigo urso de Cleveland também rende ótimos momentos, só a voz do personagem (a dublagem original) já basta para arrancar algumas risadas: "encontrar um emprego é difícil. Eu precisei pedir para Jesus me guiar ao emprego dos meus sonhos. E quando ele me guiou, eu soube que ele era o cara que eu gostaria de continuar pedindo coisas". A história envolvendo Cleveland Jr. é menos interessante, mas de maneira geral, é um ótimo episódio.

Melhor fala: Telemarketing? Por que todo mundo diz 'telemarketing' com este tom? Telemarketing é 'a tagarelice' do mercado global. Ring. Ring. Alô! Cleveland, é o seu futuro, você vai atender ou vai sussurar bem baixinho 'diga que eu não estou!'?
Melhor cena: Rallo pega um livro em cima da mesa, joga para ligar a TV e diz: 'Não ria, América. Não ria'.

05

"Cleveland Jr.'s Cherry Bomb"

08 novembro 23 maio
 
Quando Cleveland tenta provar para Roberta a beleza de manter sua virgindade, a declaração do seu filho Cleveland Jr., no meio da igreja e para toda a cidade ouvir, revela a hipocrisia e o sexismo da postura de Cleveland: Oh... snap!
O episódio faz brilhantemente esta crítica dos valores sociais, pela diferença medida em gênero, pelo estigma ou o preconceito velado. Por equilibrar humor com um tema tão caro na contemporaneidade, eu devo dizer que a série me surpreendeu muito aqui. Em determinado momento, a sensibilidade do episódio me fez questionar se este é mesmo um programa de Seth MacFarlane. Seguir por este caminho pode fazer The Cleveland Show sair da sombra de sua série de origem e se tornar um programa com 'algo a mais a dizer'. A história é muito bem construída e não há tantas sobras como Family Guy. Mesmo o rap de Cleveland parece adequado, ao dar profundidade para o personagem: "e as minhas rimas são ainda mais difíceis do que 'A Escolha de Sofia'". A sequência final no baile da pureza é bastante emotiva e quebra com todos os estereótipos. Um excelente episódio, de fato.



Cleveland Jr.: Porque o outro pode conter sangue dentro.
06

"Ladies' Night"

15 novembro 30 maio
 
Seth MacFarlane, o criador de Family Guy e deste The Cleveland Show, deve ter uma dezena de processos nas suas costas. O sujeito não é nada educado quando se trata de fazer humor em cima de celebridades, da política ou mesmo de programas e séries rivais. A atitude mais politicamente incorreta neste episódio é possivelmente em relação aos irmãos Wachowski, da trilogia Matrix, ao fazer referência à mudança de sexo de Larry - que supostamente atente hoje pelo nome de Lana. Mas também há várias críticas para o "terrível" Grey's Anatomy, programa que Donna tenta evitar nas quintas à noite saindo com suas antigas amigas.



Donna: Querido Cleveland, se você está lendo isto é porque Roberta pediu para você ler o bilhete na geladeira. Houve uma emergência na escola e por isto vou ficar fora o dia todo. XOXO.
Cleveland: Eu não sei o que acontece com ela: está agindo mais suspeita do que o meu pediatra.
07

"A Brown Thanksgiving"

22 novembro 06 junho
 
O episódio de Ação de Graças da família Brown parece promissor no seu início, com a reunião das famílias de Cleveland e de Donna. A presença dos parentes evidencia a dinâmica dos personagens; seus passados e suas personalidade. Mas infelizmente o episódio não consegue desenvolver a história e se perde no meio de piadas ofensivas e imagens de vômito. A revelação da personagem tia Momma ser na verdade o tio Kevin é levada às últimas consequências, algo como uma babá quase perfeita sacana. Ultrajante? Talvez. Mas para mim parece mau-gosto mesmo.

08

"From Bed to Worse"

29 novembro 13 junho
 
O mais interessante neste episódio de The Cleveland Show é que ele mostra como a chegada de Cleveland mexe com a família de Donna e seus dois filhos. O grande destaque é Rallo, o menor boca suja que fica enciumado com o espaço ocupado por Cleveland; seja o seu lugar na mesa, ou a outra metade da cama da sua mãe. A disputa pelo posto de 'homem da casa' é muito bem escrita: é difícil saber quem está sendo mais infantil e carente nesta história. A outra narrativa, envolvendo Cleveland Jr. e Roberta, também é muito boa, e adiciona novas camadas para os personagens além de aprofundar a relação. Pode não ser um episódio muito divertido, mas é bom ver a atenção dos criadores da série com o desenvolvimento dos seus personagens.

09

"A Cleveland Brown Christmas"

13 dezembro 20 junho
 
O que eu mais gostei desse episódio de The Cleveland Show não foi a temática natalina ou as ótimas cenas de humor (a rena em fuga), mas a consolidação da identidade da série; sua afirmação na alteridade. Em parte essa construção é evidente na figura de Cleveland vestido de papai noel, tentando trazer o espírito do Natal para Rallo (e em grau menor para Cleveland Jr., apesar dos seus 14 anos). Essa afirmação também é presente quando Cleveland diz que este é o seu programa e por isto é ele quem deve ser o personagem da ação (aquele responsável pela mudança, neste caso do comportamento de Robert). Sem enveredar pelo sentimentalismo ou exagerar na acidez (Family Guy, certo?), The Cleveland Show se apresenta como um programa agradável, mais familiar - para quase todas as idades - e com muito conteúdo. Que continue assim ano que vem!

10

"Field of Streams"

03 janeiro 27 junho
 
Por detrás deste episódio irregular de The Cleveland Show há uma discussão interessante sobre desenvolvimento de identidade e aceitação. Cleveland projeta uma montanha de expectativas sobre seu filho, na esperança de vê-lo jogar no time de beisebol no colégio e reviver - em seu lugar - as boas lembraças do seu passado. O humor aparece quando Cleveland insiste que seu filho siga seus passos e, em virtude do fracasso, sufoca o garoto com incompreensão. Dito dessa maneira, parece um ótimo episódio. Entretanto, a trama não tem nada de original e parece bater sempre na mesma tecla no que se trata da relação pai e filho. No fundo, parece que nada mudou em Clevaland desde o quinto episódio; que apresentava tema similar, mas com resultados muito mais satisfatórios.



Cleveland Jr.: Eu te amo, pai.
Cleveland: Orgulho é o que os homens sentem. Amor é para as moças.
11

"Love Rollercoaster"

10 janeiro 04 julho
 
Está claro que as melhores narrativas de The Cleveland Show envolvem as desventuras desta nova família constituída com a chegada de Cleveland Brown e seu filho Junior. A maneira como os Browns se relacionam com a família de Donna deveria ser o grande tema da série. Após alguns episódios irregulares, a animação volta a acertar com esta história que aproxima Cleveland Jr. e Roberta.



Depois de receber uma nota baixa na escola, Roberta aceita fazer um experimento para provar para a professora que as pessoas não vêem apenas a sua beleza. Com um traje de gordo, Roberta se apresenta como Tyra e passa a ver o mundo (a escola) com os olhos de Cleveland Jr. O tema realmente não é nada original, mas o roteiro sabe aproveitar o tempo com boas piadas e referências culturais. O número musical com Cleveland Jr. é muito bom, e o personagem começa a se destacar como o grande protagonista desta aniimação, conquistando nossa simpatia e admiração.
12

"Our Gang"

31 janeiro 11 julho
 
A pergunta que faço a este episódio de The Cleveland Show é a seguinte: Cleveland Brown sabia ou não sabia que seu negócio era realmente o tráfico e a distribuição de drogas? Parece no entanto, que não há resposta satisfatória para amenizar o nível de preconceito e estereótipo exibido nesta história: ou Cleveland é um malandro que usava as crianças para lucrar com a venda de produtos ilegais ou Cleveland é um ignorante incapaz de perceber as atividades suspeitas de sua gangue.



O tema principal - da correção dos menores deliquentes - se perde com o sequestro de Cleveland Jr.; não há redenção nesses garotos que escondem drogas e dinheiros na cueca, certo?! O ato final demonstra que a série conta sempre a mesma história: de como Cleveland deverá salvar o seu filho 'obeso' (e portanto, incapaz, parece ser este o discurso) das encrencas. É uma pena que uma animação tão promissora se torne repetitiva logo na primeira temporada.
13

"Buried Pleasure"

14 fevereiro 18 julho
 
Há mais acertos do que erros neste episódio de The Cleveland Show, cujo maior mérito é narrar uma história que coloca Cleveland em uma aventura com seus novos amigos; personagens que ainda precisamos conhecer mais. Sobre isto, o personagem Holt nos pega de surpresa com suas revelações, pois pouco sabemos desses coadjuvantes. Não é nada excepcional o que mostra a história, (a sex doll) parece já ter sido contada à exaustão. De qualquer forma, a série deve investir mais nesses personagens secundários, que podem acrescentar diferentes matizes para a narrativa.



A outra história que corre em paralelo neste episódio envolve Rallo e Cleveland Jr. que se fazem de pai e mãe de um peixinho; claro que tudo fica mais divertido ao saber que este peixe não está no aquário, mas sim na barriga de Júnior, que engoliu o bicho de um copo d'água enquanto Rallo limpava o aquário. A história se desenvolve em tropeços, mas nos conquista no caminho. Há de alguma maneira, uma quebra do convencional, no momento em que os dois garotos se passam de marido e mulher; o que é ótimo. O final dessa história - bastante chocante - é o que me convenceu de que há algo interessante nesta construção: o bebê é despejado na privada, após os pais 'rejeitarem a criança'. Diferente, certo?
14

"The Curious Case of Cleveland Jr. Working at The Stool"

21 fevereiro 25 julho
 
O mais interessante neste episódio de The Cleveland Show é que, pela primeira vez, vemos Cleveland Jr. com mais motivações, deixando de ser apenas um garoto desajustado e excluído. A história mostra o menino se vingando do seu pai, que após insistir que ele encontre um emprego, faz ele ser despedido do bar The Broken Stool.



A outra linha narrativa envolve Roberta e Rallo fingindo ser mãe e filho adotivo (de um vilarejo da África), como forma de Roberta se vingar de uma garota exibida da escola (que acabou de comprar um cachorro 'Lady Gaga'). Essa história rende pelo menos uma boa cena - aquela com a mãe de Roberta ensinando seus valores para a filha - mas termina o episódio meio fora do tom. Afinal, esta é uma série de Cleveland Brown, e o sujeito continua tentando provar porque merece uma série própria. Entre as provações que passa nas mãos de seu filho, Cleveland perde o seu bigode e fonte de toda a sua masculinidade. É o que salva o epiódio; mas ainda é pouco para esta animação - apenas razoável.
15

"Once Upon a Tyne in New York"

21 março 01 agosto
 
A viagem dos personagens desta animação para Nova York demorou para me conquistar. A história - da lua-de-mel de Cleveland e Donna - parece uma mera desculpa para fazer piadas sobre a cidade, de seus cenários clichês e suas celebridades. Estão lá o Empire State Building e a Broadway, o Harlem, a MTV e as mulheres de Sex and the City; mas falta criatividade no uso dessas referências e a paródia se perde. O episódio só fica interessante com a cena final nos estúdios da NBC, com Cleveland invadindo os bastidores do programa Saturday Night Live. A sátira sobre os atores deste elenco foi o que melhor funcionou para mim; principalmente pela sugestão do romance entre Jason Sudeikis e Will Forte, e a presença de Kristen Wiig caracterizada como sua personagem Gilly.
16

"The Brown Knight"

28 março 08 agosto
 
A idéia é muito boa, mas o resultado é apenas regular. Por um lado, o episódio consegue desenvolver um pouco mais da relação de Cleveland e Donna, algo que pouco se vê na série. Por outro, a história é bastante óbvia e de uma piada só: Cleveland sente sua masculinidade ameaçada pela esposa, após levar um tiro durante um assalto enquanto Donna tentava dominar o bandido. A proposta do falso herói fica interessante quando o vídeo do assalto é transmitido pela emissora local e a moral do protagonista é colocada em xeque. A definição do papel de Donna na relação é o que há de mais interessante neste episódio; cuidando de Cleveland como um bebê. A solução do conflito segue a cartilha das comédias de situação: ainda que Cleveland consiga recuperar o anel de casamento, sua imagem perante a sociedade continuará sendo questionada/ridicularizada. Afinal, de que outra forma, a não ser com a ajuda de sua esposa, Cleveland poderá ter dominado o assaltante? Esperava que, após ter recebido as glórias, Cleveland admitisse o que de fato aconteceu. Talvez essa atitude - do falso herói - seja mais significativa sobre o personagem do que a honestidade.

17

"Gone With the Wind"

11 abril 15 agosto
 
O episódio abusa de piadas sobre flatulências, o que nunca é um bom sinal; como é possível defender um trabalho como esse? Apesar disso, há uma boa história sendo contada atrás do mau-cheiro e dos ridículos sons de Cleveland Brown. Essa é a morte de Loretta, a ex-mulher de Cleveland e mãe de Cleveland Jr., vítima de mais uma extripulia de Peter Griffin em Quahog. De certa forma, o episódio encerra a ligação de Cleveland com sua série original; como diz Quagmire após deixar o corpo de Loretta: "boa sorte com sua spin-off, Joey". É uma história que se fazia necessária para completar esse processo de ruptura, e o resultado fica acima da média para esta temporada da série. Após Cleveland sofrer uma crise emocional durante o enterro de Loretta, Donna questiona se seu marido ainda está apaixonado pela sua ex-mulher. Com mais músicas e menos peidos, seria excelente.

18

"Brotherly Love"

02 maio 22 agosto
 
Eis um ótimo episódio de The Cleveland Show; simples, modesto, mas de bom coração. A trama com Cleveland Jr. e Rallo é genial em sua simplicidade, mostrando com simpatia e sem lições de moral o desenvolvimento da dinâmica entre os quase-irmãos, criando relações de confronto e identidade entre os personagens. A nova configuração familiar é o grande trunfo da série; é preciso elaborar melhor o arranjo entre as crianças e seus novos pais (de Cleveland Jr. e sua madrasta Donna, por exemplo). É nisto que esta animação se diferencia dos demais programas e aonde encontra seu maior potencial criativo. Esta história do confronto de Cleveland Jr. e Rallo com suas paixões estudantis é um ótimo exemplo do mecanismo desse arranjo; eles não são irmãos de sangue, mas aprendem a conviver aos poucos e logo começam a estabelecer um vínculo afetivo. Uma história bem bonita mesmo.



Paralelamente, Cleveland e seu amigo Terry começam a ganhar dinheiro passando por strippers; como trabalham para uma empresa de instalação de TV a cabo, os dois fazem parte da fantasia da mulherada da cidade. A trama não leva a lugar algum (é esquecível mesmo), mas rende alguns bons momentos entre a dupla, principalmente no comentário sobre as estrias de Cleveland (Ei, ele já teve filho!) ou nos tapas que o cafetão dá na cara do seu gigolô.
19

"Brown History Month"

09 maio 29 agosto
 
Algo verdadeiro se constrói nesta história sobre resgate de identidade para o personagem Rallo. Surpreendido com os fatos do passado da raça negra, o garoto cria uma resistência contra manifestações que denigrem a imagem da sua cultura. Sua primeira atitude é destruir a bandeira dos Estados Confederados que o vizinho Lester mantém na fachada da sua casa. A ação do personagem é cheia de atitude e carisma. A história mostra que Rallo pode ser o melhor personagem da série, algo como Stewie para Family Guy, ou Roger para American Dad!; a animação deve aproveitar mais a questão racial e a construção da identidade em relação ao personagem. Este é o grande diferencial de The Cleveland Show e seu melhor exercício temático.
Cleveland também está envolvido em uma disputa racial com Leslie; o vizinho dos Browns não tem consciência do racismo que imprime em suas falas e atitudes, e Cleveland está disposto a mudar isso. A premissa é mais interessante do que a conclusão; fica a impressão que a história demorou muito tempo para se construir e depois apressou o final. Ainda assim, fica a mensagem (e ela é excelente): talvez seja preciso criar um mês da consciência branca.
20

"Cleveland's Angels"

16 maio 05 setembro
 
A versão Brown para o famoso trio de Panteras é uma aventura ligeira, sem muita ação ou comédia, mas que não deixa de ser agradável. A história é bastante previsível e não acrescenta em nada aos clichês das narrativas em cassinos; Cleveland perde todo o dinheiro da família em apostas e descobre o esquema fraudulento do local. A história demora para se desenvolver e o fato de sabermos com muita antecedência o que vai acontecer deixa o episódio um pouco cansativo. O melhor do episódio é a participação da vizinha Kendra Krinklesac, que tenta puxar flashbacks da sua história, mas é sempre interrompida por Cleveland. Quem diria que ela era tão esbelta na juventude!?
21

"You're the Best Man, Cleveland Brown!"

23 maio 12 setembro
 
The Cleveland Show sobreviveu à sua primeira temporada! É interessante como a animação cria neste season finale uma noção de continuidade para a história dos personagens. Primeiro, pela herança que Cleveland Jr. recebe da sua mãe, o que deve ter custado uma fortuna para Peter Griffin, o responsável pela morte de Loretta. Segundo, pelo retorno dos pais de Cleveland à série. O casamento deles indica que os personagens podem se tornar recorrentes na série na próxima temporada; os pais de Cleveland querem voltar a morar na cidade e ficar mais perto da família. É um bom final de temporada, ainda que não excelente; as provocações da mãe de Cleveland com Donna continuam hilariantes, e Cleveland Jr. está muito divertido com sua nova atitude após receber a herança. A dinâmica do protagonista com seu pai ainda é superficial, mas essa relação pode gerar novos conflitos na próxima temporada.


Veja também:
Family Guy: Conheça a animação indicada para o Emmy de melhor comédia


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