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Quando la COSA non è piu NOSTRA
Ohacker.
Publicado em: 15/01/2010

Como dedos ágeis de um pianista sobre as teclas, aqueles que se escondem sob o jogo de sombra e luz da sociedade se misturam com o crime e a clandestinidade.

Entre tantos grupos interessados em manter a atual ordem mundial, criar uma nova, ou anarquizar, há os de objetivos mais modestos: garantir o pão de cada dia e o leitinho das crianças.

Escória? Senhores do Crime? Robin Hood’s do proletariado? Seja qual nome que se quiser dar, os mafiosos habitam a Terra há tanto tempo quando as baratas.

Na Itália de quase dois séculos atrás, um novo governo tomava posse e como não podia deixar de ser, prometeu ao eleitorado uma vida melhor.

Tempos depois, certos de que todos haviam esquecido a promessa de campanha, chegaram à Sicília com ares de monarquia e impuseram aumento de impostos. Não satisfeitos - porque chicote no lombo alheio nunca é demais, e esbanjando criatividade – tocaram o horror e obrigaram a população a trabalhar “involuntariamente” para o governo. Era gente para todo o lado, vandalismo, banditismo, estava feita a confusão !!!

Mas ninguém ligou, ninguém liga e será que algum dia alguém vai ligar? Enquanto a burguesia da época sentada em seus sofás de canto, assistia seus telejornais internacionais em TVs de plasma maiores que a janela de uma catedral, o povo penava do lado de fora da janela e via seus bens serem saqueados a Deus dará.

Cansados de só levarem na cabeça, as famílias sicilianas se reuniram para defenderem o seu. E pouco a pouco se tornaram um córrego paralelo nessa sociedade que se afundava.

Mas como não existe almoço grátis e é fato que o poder corrompe e muito, o negócio foi se expandindo e do ramo de segurança familiar passaram à extorsão, cobrando dos populares pela proteção. Versão politicamente incorreta do que chamamos hoje de segurança privada, uma vez que até que se diga ao contrário, é obrigação do governo oficializado garantir a segurança de seus cidadãos.

Uma chantagem e suborno aqui, um contrabando ali, assassinatos acolá, assim nasce a Máfia, uma das organizações mais bem estruturadas do século passado, desse e dos que hão de vir. Ela foi se ramificando dentro do sistema como um octopus furioso com seus tentáculos gigantescos.

Antes restrita ao pequeno país peninsular; no período da Segunda Guerra, eles chegaram à América: uns fugiram da polícia trazendo na bagagem a extensa ficha criminosa, outros, após terem sido usados por Mussolini para acabar com os comunistas, foram condenados à erradicação e se viram obrigados a cair no mundo.

O fato é que mesmo espalhados pelo globo, família que é família continua sempre unida e não falta à macarronada sagrada de todo domingo.

Numa América falida, eles pintaram e bordaram, enriqueceram na marginalidade da lei seca, da jogatina, da prostituição e ganharam ares de roteiro cinematográfico.

A Cosa, antes só Nostra, se espalhava pelo globo e fazia fama fora da Europa. De políticos a artistas todos queriam fazer parte dessa grande família.

Sabe aquele senhor seu vizinho sempre boa gente? Pode ser um Capo da máfia. Al Capone, Don Carlone, Bugsy Malone, Don Saro.

Geralmente disfarçados sob o peso da idade, vestidos de bons velhinhos durante o ano todo; esses senhores levam uma vida simples sentados em suas poltronas de vovôs de onde controlam com pulso firme os negócios da famiglia.

A ação fica com os mais novos, dotados de pernas para correr da polícia e fôlego para bandidagem, para eles o grosso do serviço e a base da pirâmide hierárquica.

Para ser tornar um honrado membro é preciso ser introduzido por um terceiro já pertencente ao grupo, após passar por um ritual de iniciação sangrento e provar ser digno de confiança, o candidato ser torna um estimado senhor da máfia, amigo e membro da Cosa Nostra (a mais conhecida entre todas).

Feito fiéis seguidores do código de honra, engajados e silenciosos, levantam a mão direita e juram solenemente:

1. Não se apresentar diretamente a um "amigo". Isso deve ser feito por um terceiro.
2. Não cobiçar a mulher de seus amigos.
3. Não ser visto com policiais.
4. Não frequentar bares e boates.
5. Sempre estar à disposição da Cosa nostra, é seu dever - mesmo que a mulher esteja a dar à luz.
6. Honrar compromissos.
7. Tratar as esposas com respeito.
8. Quando for solicitada uma informação, responder a verdade.
9. Não se apropriar do dinheiro pertencente a outras famílias ou outros mafiosos.
10. Não permitir que façam parte da Cosa Nostra: qualquer pessoa que tenha parentes policiais ou infiéis e qualquer um que se comporte mal ou que desconheça os valores morais.

O segredo é a alma do negócio. Diferente de outras sociedades que escondem a identidade de seus membros, as sociedades mafiosas se apóiam na incapacidade das autoridades eleitas em dispor de provas suficientes para por fim às onda de crimes. De vez em quando, um capo ou outro vai para cadeia por sonegação de impostos.

À medida que são liberados o jogo, a bebida, a prostituição, as sociedades honradas precisam encontrar novas maneiras de manter seu métier não tão secreto assim e vão a cada dia se afundando no lado negro da força: tráfico de drogas, armas, terrorismo...

A diversidade e a natureza das atividades são sempre um mistério, nem sempre conhecidas pelos envolvidos, afinal dividir e diversificar para progredir.

PHD’s da bandidagem, polêmicos e sempre cheios de charme, esses criminosos sincronizados, com seus chapéus elegantes e um charuto cubano sempre ao canto da boca, fazem o possível e o impossível para manter os empreendimentos familiares. Nepotismo à parte, esse grupo de fanfarrões caminha lado a lado com o sistema que definha com o passar do vento Minuano.

E nós? Somos reféns de uma realidade que nos convence do contrário a cada curva, que como uma loira alta cruza as pernas a tentar nos despistar da verdade e nos seduz para o abismo que a cada dia se alarga defronte de nós.

Enquanto diversas forças disputam pela hegemonia, e trocam favores e usurpam uns aos outros para garantir seu quinhão, somos apenas usados, como fantoches, peões de um jogo de xadrez que só nos permite olhar para frente sem jamais saber quem nos lidera atrás.

Somos expatriados, em uma sociedade segmentada pelos seus grupos de interesses e sistemas paralelos que se infiltram no cotidiano e se oficializam no anonimato. Todos querem um trago da garrafa do poder enquanto nós: morremos de sede.


Na psoríase passada:
Ao Mestre Zanatron, com carinho


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