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Dark Side of the Moon
Carolina.
Publicado em: 15/06/2010

      O que você vai ser quando crescer?
      "Adulto" não serve de resposta.

Aquela de uma sobrinha que disse, em resposta à avó, aos quatro anos, parece que também não agradou. O "eu quero ser vampiro" resultou em uma reação furiosa da avó direcionada à tia respectiva que tinha uma coleção infinda de títulos relacionados ao gênero .

O engraçado é que a criança que responde entende a pergunta melhor do que quem a faz; desde quando uma profissão, o produzir algo, desempenhar uma função, exercer um cargo passou a ser sinônimo de identidade, referencial do valor do sujeito ou de sua personalidade ? E como é que um tailleur transforma o sujeito descabelado da manhã em um ser que, como a bailarina da música, não existe no contexto despenteado? Interessante pensar que no jogo de linguagem do constituir-se em sociedade a impossibilidade dessa mutação de indução pretensiosa se mantém, e o quanto é lenta a tentativa de integração a ela, e do quanto naufraga... No imaginário adolescente excluem-se os desejos despretensiosos e inerentes ao imaginário primeiro e às características particulares que formularam originalmente as respostas, e encadeiam-se idéias de profissões vinculadas às motivações mais desencontradas – a projeção de um futuro de auto-afirmação característico da época ejacula em sem-número de possibilidades que vinculam-se eternamente ao porvir do após-expediente – glamour, estereótipo de vestuário, imagens de poder, fantasias de lucros monetários infindos, compensatórias para a aceitação de um engessamento que não permite transbordamento algum de identidade, mas algumas mutilações escolhidas em um rol vasto que parecem, a cada voluntário, mais interessantes por conta das fantasias vinculadas que oferecem. Se discutiu-se e revolucionou-se exaustivamente sobre a idéia de um proletário produtor que tinha por função maquinar para um resultado interessante a terceiros, porque a profissão torna-se ainda um espaço de ego a estereotipar-se até uma identidade plana, que só se vê de um lado, o único admitido, lado esse que se dermos à volta no sujeito quando desavisado não encontramos natural em nenhum de seus prismas? É, já desde sempre, o espaço do idealizado virtual, que oferece, às custas das carnes do sujeito, um Objeto produtor que externaliza apenas o que ali é previamente projetado . Roupagem que o sujeito plastifica em si para que sirva a ela – até a rasamente regozijar-se – como se este outro hologramático fosse o vir a ser que devesse, do berço, ter desejado tornar-se, que o suplanta e não reconhece a si mesmo nele – momento que só encontra seu horror em um estado dramático .

E, afinal, o que é quando crescer?


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