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Filme é novo trabalho do diretor Alexander Payne. |
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Publicado em: 28/01/2012 |
: Há casos de filmes que se destacam nas premiações, nos festivais ou perante a crítica e que acabam gerando expectativas exageradas no público para uma obra simples e de menor alcance. Não há unanimidade e sempre há alguém que se frustrará com um ou outro vencedor de Oscar. Isso porque Os Descendentes é, em suma, uma história simples; mas é inquestionavelmente belo e magnificamente conduzido. O diretor Alexander Payne tem essa habilidade ímpar de fazer uma simples trama se transformar na tela em algo plasticamente poético e incrivelmente humano. Os Descendentes representa a maturidade de seu estilo de condução, depois de anos afastado da cadeira de direção; seus últimos filmes mais expressivos foram Sideways - Entre Umas e Outras (2004) e As Confissões de Schmidt (2002), que já apresentavam essa característica sensível de retratar os personagens. O seu encontro aqui com Clooney e as locações do Havaí produz não apenas uma boa história de vida, mas uma composição narrativa-imagética de muita beleza.
: O modo como as personagens são construídas e desenvolvidas ao longo do filme traz uma consistência e veracidade à história, que é sem dúvida alguma essencial para o funcionamento do todo. A atuação de Clooney talvez seja a melhor de sua carreira. No papel de Matt, o ator nos introduz um pai de família ausente, de ações contidas e pensadas. Seu movimento em tela é natural, límpido, de uma pureza inigualável. Aqui o menos é mais, os detalhes são as peças mais importantes, a mudança é mínima, mas contínua. Shailene Woodley - no papel de Alexandra, a filha mais velha – é uma das mais gratas surpresas do filme. Sua personagem é incrivelmente bem trabalhada, de uma caracterização deslumbrante, persuasiva e cativante. Ao lado de Clooney, a atriz brilha ainda mais. O crescimento interior de sua personagem na trama, exigido após a perda da mãe e o convívio com o pai, é feito de maneira gradual e bastante convincente. As personagens secundárias têm pequenas participações, todas pontuais, mas necessárias e magníficas. O conjunto da obra é eficaz em todos os sentidos.
: A narrativa produz metáforas visuais significativas a partir dos elementos presentes na história de Matt, e do processo pelo qual passa a sua família. A relação que se estabelece através do mar e da água, de onde se anuncia a tragédia que dá início ao filme, enlaça os personagens na trama de forma contundente. Na expressão mais explorada pelo filme, a família é como um arquipélago, no sentido em que representa um conjunto, mas no qual cada parte está isolada uma da outra e que essas partes se distanciam cada vez mais ao longo do tempo. O acidente que coloca Elizabeth em coma obriga Matt a se reconciliar com suas filhas, a tentar aproximar as ilhas em deriva. É também através da água que o filme estabelece a tristeza e a dor de perder um ente querido; em uma encenação tão linda quanto simbólica, a filha mais velha submerge na piscina ao receber a notícia que a mãe não irá mais acordar do coma - a vazão emocional, com muito efeito na tela, é ainda salientada pela personagem que questiona o momento e o local que o pai escolheu para lhe contar isso.
: A mudança de perspectiva é um dos enfoques mais bonitos da trama. Uma ação sempre gera uma reação e quando ela é repentina, causada por algo fora do nosso controle, o impacto é profundo e transformador. Pode demorar um pouco, como também pode ser iminente. A narrativa começa com o coma da esposa de Matt, para em seguida mergulhar no mundo de sua família. À medida que avançamos nos deparamos com uma riqueza de sentimentos, emoções e revelações. O que nos comove ao mesmo tempo nos faz sorrir – um dos pontos altos do filme é conseguir alterar nossas lágrimas de tristeza em lágrimas de felicidade em segundos – como a cena em que Matt confessa sua dor e alegria mútuas à esposa.
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| Os Descendentes (The Descendants, EUA, 2011) Direção: Alexander Payne. Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Beau Bridges, Robert Forster, Matthew Lillard e Judy Greer. Duração: 115 min. |
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