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Desperate Housewives: 6ª temporada
Guilherme.
Publicado em: 17/05/2010

A sexta temporada de Desperate Housewives contém 23 episódios.

#   Título: Exibição original
(EUA):
No Brasil:
01

"Nice is Different Than Good"

27 setembro 11 novembro
 
Novos vizinhos chegam a Wisteria Lane. Com eles, novos mistérios. Uma família disfuncional, tentando manter as aparências. A mãe, escondendo partes do seu corpo. O pai, ocultando sua infelicidade. Enquanto o filho ataca pessoas às escuras. Você ainda se importa com essa série?
Dave deveria ter matado Susan na temporada passada!

02

"Being Alive"

04 outubro 18 novembro
 
Susan passa batom e acorda Mike na primeira manhã após o casamento. MJ entra no quarto e pula na cama do casal. Eles ouvem um grito. Gabi e Carlos conversam com a sobrinha como 'agarrar um homem' quando eles ouvem o grito. Lynette inventa uma história para seus filhos para explicar o vômito na privada quando escutam o grito. Sra. McCluskey passeia com Roy pelas calçadas de Wisteria Lane quando Roy encontra o corpo de Julie no gramado. Ela grita. "Sim, era uma linda manhã em Wisteria Lane..."
Os roteiristas estão se repetindo cada vez mais. As duas últimas temporadas já foram sofríveis (desde o câncer de Lynette, pelo menos. A cegueira de Carlos foi o fundo do poço), e ainda não há sinal de melhora. Este episódio se parece muito com vários outros da série, da introdução com os diversos momentos do incidente ao final com a prisão de Danny. Por que levantar dúvida sobre o (não-envolvimento do) rapaz? Também não vejo graça na versão louca de Katherine (a atriz é simpática, a personagem não) ou na histeria de Susan (prefiro não comentar). Os maridos dessas donas-de-casa também são uns patetas, e não sentiria falta de nenhum deles (matem todos!). Quem realmente não pode morrer nesta série é a Sra. McCluskey, e compartilho com o Roy para que nenhum ônibus a atropele. O romance da terceira geração é bastante simpático, a melhor narrativa apresentada nesta temporada.



Fofoca na vizinhança: Você não acha que a conversa entre Susan e Lynette ("não estou te dizendo o que fazer" - "na verdade, você está") foi clichê demais?!
03

"Never Judge a Lady By Her Lover"

11 outubro 25 novembro
 
Quem pode ser o agressor de Julie? A imagem da pessoa que tentou estrangular a filha de Susan no primeiro episódio da temporada indicava alguém jovem, definitivamente um garoto, de moleton e boné, com o mesmo porte físico de Danny. Se sabemos agora que ele é inocente - e espero que os roteiristas não voltem atrás -, a história da falsa acusação serviu ao menos para odiarmos ainda mais Susan. Diferente de Angie, não conseguiria perdoar as atitudes dela neste episódio, acho pouco vê-la pegando no lixo e limpando o quintal da vizinha. Susan merecia apanhar.
Em compensação, as histórias envolvendo Gabi, Lynette e Bree estavam mais divertidas. A primeira no inesperado encontro com John. Oh, John! O ex-jardineiro e ex-amante de Gabi desperta ciúmes em Carlos. Este oferece uma promoção a Lynette, sem saber que a super-mãe está grávida (de novo!) de gêmeos. Então, Lynette, Tom, Carlos e Gabi vão juntos a um jantar de negócios, onde Lynette precisa se livrar dos copos de vinho e esconder a sua gravidez do chefe. Já Bree percebe que está se apaixonando por Karl após encontrá-lo agarrado uma vadia em um evento social.



Fofoca na vizinhança: Orson está sobrando nesta temporada, não é mesmo?
04

"The God-Why-Don't-You-Love-Me Blues"

18 outubro 02 dezembro
 
Um episódio com o Andrew é melhor do que um episódio sem o Andrew. Tudo bem que a participação dele aqui é curta - ainda que decisiva - e pouco se fala sobre o personagem. Sua única função é relatar para Susan o que a inconsciente Julie tem feito (ou não tem feito) nos últimos seis meses. Gostaria de saber o que ele tem feito nos últimos seis meses e sinceramente acho este personagem muito mais interessante que a "filha perfeita que virou adulta e comete erros". Por enquanto temos que aturar Julie e seu envolvimento com um homem casado (e quando Andrew faz este anúncio, não sobra muitas opções sobre a identidade do sujeito, certo?).
Já Gabi e Lynette estão envolvidas em narrativas muito mais divertidas, que fazem valer o episódio. Gabi enfurecida com a paquera entre Ana e John (vou repetir: Oh, John!) e Lynette mentindo para Carlos sobre o inchaço dos seus seios (a conversa sobre 'os gêmeos' foi ótima, não?!). As duas 'desesperadas' sempre me chamaram mais atenção na série, tanto pelas suas histórias quanto pelas atuações. Este episódio é bastante generoso com as duas personagens, e o desfecho das suas histórias é bastante similar; nos braços do marido, felizes, contando da vida e das suas decisões. Não é muito melhor vê-las sorrindo do que sofrendo (câncer, pobreza das temporadas passadas)?
O que nos leva a Katherine; uma personagem tão interessante que inicia uma jornada super deprimente. A atriz segura bem a personagem, mas acho que a reação de Katherine poderia ser diferente, não se desvalorizar tanto. Katherine precisa de um garotão para esfregar na cara da Susan. John, que tal?



Está na hora de perguntar, o que há de tão errado com a família 'Bolen' (ou seja lá qual for seu verdadeiro nome)?
05

"Everybody Ought to Have a Maid"

25 outubro 09 dezembro
 
O episódio impressiona pelo equilíbrio entre tantas linhas narrativas, com espaço para todos os personagens e suas tramas próprias. De Katherine a Orson, cada um ganha novos contornos e novas facetas. É verdade que não há nada de excepcional neste episódio, mas o lugar-comum funciona bem aqui. Era necessário questionar a felicidade de Bree e a insegurança de Julie ao voltar para casa. Poderia dizer que alguns momentos estão um tom acima (over-acted) dos demais; o macaco que ataca o palhaço, Roy, mas faço vista grossa. Basta uma boa cena com Lynette para me conquistar; a divertida conversa-acordo com a Sra. McCluskey. E fico satisfeito que Katherine tenha (levado bala e) decidido pelo caminho da superioridade. Também, a família 'Bolen' está me cativando, com sua beleza e sua urgência, sempre limítrofe. A dinâmica entre Danny e seus pais está cada vez mais interessante e surpreendente. Muito boa a conversa entre pai e filho, quando do retorno de Julie. Melhor ainda a reação do garoto quando encosta em Julie e percebe, pelo susto, que ali foi o local em que ela foi atacada. O movimento é ótimo, com auto-crítica e humor. Não é exatamente o que esperamos de Desperate?

06

"Don't Walk on the Grass"

01 novembro 16 dezembro
 
Esta temporada de Desperate Housewives está me ganhando. No final da temporada passada, o clima era tão novelesco e sem criatividade que comecei este ano armado contra a série. Acho que já posso rever esta posição, após três bons episódios em seguida. O que me chamou bastante atenção nesta semana é a história de Gabi, que chegou num clímax com Juanita deixando a escola por sua causa. A mistura agridoce de humor e drama está no ponto certo; condiz com a personalidade desbocada de Gabi e acerta em cheio no emocional, principalmente pelo silêncio de Juanita quando Gabi pergunta se ela ainda é uma boa mãe. Agora só resta a reparação dessa relação. Será muito sofrida?
Está ficando melhor também o confronto entre Susan e Katherine. Após levar um tiro no episódio anterior, Katherine está menos agressiva com a vizinha (mas não muito menos). As cenas de interação entre as duas são ótimas ("Sou eu, não atire"). Katherine faz um tipo mais louca do que realmente está com Susan, mas secretamente parece estar muito mais pirada ainda: nuances de uma ótima atriz atrás da personagem. A sua intromissão na vida dos Bolen, porém, pode sair caro; Katherine entra sem bater, questiona os telefonemas de Angie e se coloca, sem querer, na mira da vizinha.



E Bree? Será que vai conseguir se livrar de Orson e ficar com Karl? Como será a revelação dessa relação? Susan vai surtar?
E a gravidez de Lynette, até quando ela vai conseguir esconder das suas amigas, e principalmente do seu chefe Carlos? Você concorda com Tom, que a sua mentira tem o mesmo peso que a dela?
07

"Careful the Things You Say"

08 novembro 13 janeiro
 
Você faz parte do clube 'eu odeio Susan Mayer'? Eu faço. E este episódio saciou meus desejos; é ótimo assistir Susan se dar mal, principalmente quando ela mesma se coloca na situação. O episódio conta com a hilariante participação da atriz Kathy Najimy como a detetive Denise Lapera: antiga colega de classe de Susan, de quem recebeu o apelido de 'Moose' (risada de alce). A detetive assume o caso (do agressor de Julie) e em pouco tempo simpatiza com Katherine, porque acredita que é uma prática comum de Susan roubar os homens alheios. E Katherine não demora muito para confessar o tiro que levou da rival, dando motivo para o processo criminal. A cena com a prisão de Susan é uma delícia de assistir!



Conhecemos também um pouco mais dos Bolen neste episódio. Angie é uma dona-de-casa muito interessante; personalidade marcante (como nota Bree) e atitudes por vezes agressivas (seu marido que o diga). E ainda que existem muitos segredos sobre a nova família, a personagem cresce em simpatia na trama. Não sinto qualquer suspeita sobre Angie, e a sua presença me cativa. Será que a parceria de Angie e Bree vai funcionar? Será que Angie pode roubar o posto de Katherine? E, será que Angie não desconfia que seu marido seja o agressor de Julie?
08

"The Coffee Cup"

15 novembro 20 janeiro
 
Vou direto ao assunto. Em "The Coffee Cup", episódio e cafeteria, sabemos mais sobre os Bolens: realmente o casal foge da lei, Nick de fato salvou Angie (será do mesmo incidente que lhe deixou as cicatrizes nas costas?), mas ainda há muitas dúvidas no ar. Em telefonema com celular pré-pago (aparentemente mais difícil de rastrear), Nick conversa com o 'agente' Chris, se identifica como 'Coruja preta' e pede um passe, uma liberação para 'ela' (Angie?), colocando-se na frente da negociação: "não importa o que aconteça comigo". O que terá acontecido? Será que foi um acidente? Um plano, um esquema?
Como se não bastasse o misterioso passado da família, está cada vez mais evidente o envolvimento dos Bolens no estrangulamento de Julie. Isso devido à morte da garçonete da cafeteria no final do episódio. Terá sido Nick; que desconfiou que a garçonete escutara sua conversa no telefone? Ou Angie; enciumada com os flertes da garçonete para o seu marido? A sequência é sacana: enquanto mostra que Nick suspeita que a garçonete ouvira sua conversa, há a inserção de um plano assumindo um ponto de vista externo, pela janela do "Coffee Cup", como se houvesse alguém ali, espiando a ação. Quando finalmente o(a) assassino(a) entra na cafeteria, a garçonete pergunta se esta pessoa esqueceu alguma coisa (reconhecendo seu rosto); mas tanto Nick, quanto Angie, quanto Julie apareceram neste estabelecimento. Ok, suspeitar de Julie parece um absurdo. Mas acho que não devemos nos limitar nestas pistas; afinal, tudo faz parte da construção da série. Aliás, por onde anda Danny, hein?

Desesperadas: O que você achou da reação de Carlos ao descobrir a gravidez de Lynette? Não foi exagerada demais?
09

"Would I Think of Suicide?"

29 novembro 27 janeiro
 
Que episódio triste. Como drama, foi uma hora muito boa na verdade. Mas triste demais. O tema principal é a tentativa de suicídio; duas aliás. E o motivo parece ser o mesmo: corações partidos, não correspondidos. Emoções maiores do que os personagens da série conseguem suportar. Como reparar um coração destruído? Parece até um lugar-comum, e talvez por isto mesmo seja tão crível. É possível compreender suas atitudes (difícil é justificá-las).
A história de Katherine nesta temporada estava muito sem propósito ou direção: suas tentativas de vingança contra Susan eram superlativas e por vezes louca demais para ser verdade. Neste episódio, percebemos como Katherine está desorientada, a ponto de usar M.J. contra a felicidade de Mike e Susan. Um limite que ela ultrapassa e pelo qual não vai escapar sem consequências. A reação de Mike - cruel demais? - objetiva a proteção do seu filho, mas evidencia para Katherine como este relacionamento morreu. Sua ação - em off - de se cortar com a faca de cozinha pode ser outra maneira de chamar a atenção dos vizinhos. Ou será uma forma de incriminar Mike (ele pegou a faca primeiro, certo?).
Fiquei triste por Katherine: a personagem me cativou nos anos anteriores, e poderia ser tão mais bem aproveitada nesta temporada. Mas quer saber a verdade? Muito mais desolador foi acompanhar a trajetória de Danny / Tyler neste episódio. De prender a respiração! O conflito emocional do personagem é bastante complexo: apaixonado por Julie, a vizinha com quem seu pai está tendo um caso. Capaz de perdoá-la pelo affair, o romântico ainda escuta da moça que nunca poderiam ficar juntos. De cortar o coração, não é mesmo? E se, por um momento, revermos a história dessa família sob outra perspectiva: será que Angie e Nick são mesmo seus pais? Enquanto toda a história pregressa dos Bolens não se esclarece, ficamos com novas pistas do seu passado. Angie diz - gratuitamente - que foi ela quem matou um homem 18 anos atrás e que Nick não precisava fugir com ela: "agora veja o que fizemos com o garoto".



E o que você achou da briga entre Carlos e Lynette? Realmente estava acreditando, como Lynette, que Carlos ia acalmar depois do ataque de fúria do episódio anterior. Pelo contrário, sua atitude é monstruosa e sem nenhuma piedade. Será que eles vão resolver suas divergências logo? Afinal, os Scavos vão precisar um aumento na renda com a chegada dos gêmeos. Mais acolhedora é a atitude de Susan com a descoberta do caso entre Bree e Karl: "você voltou a beber?". A narrativa entre as duas vizinhas e Karl foi o alívio cômico neste episódio cheio de tragédias.
10

"Boom Crunch"

06 dezembro 03 fevereiro
 
Honestamente, eu estava me divertindo com esta temporada de Desperate Housewives. Haviam motivos de sobra entre os Bolens, Susan e Katherine para me agradar. Mas este "Boom Crunch" me fez lembrar o que eu não gosto na série. Do anúncio de tragédia no começo do episódio (ok, um avião vai cair em Wisteria e alguém não vai viver para ver o Natal), passando por histórias tão desinteressantes quanto desnecessárias (a chantagem de Mona, o casal do avião) até a não-resolução do acidente previsto (uma mão ensanguentada, uma pista falsa). Tudo é muito, mas muito estranho neste episódio. Em alguns momentos, a semelhança com antigos episódios parece forçada demais; principalmente com o furacão que passou em Wisteria Lane dois anos atrás. Episódios que exageram no seu propósito de chocar e de marcar o tempo da história; priorizando os eventos em detrimento da narrativa. Assim, a queda do avião mina todas as outras histórias em desenvolvimento nesta temporada. Ninguém escapa ileso. Por que Danny decide tão gratuitamente contar todo o passado de sua família para Mona, se em seguida ele informa a sua mãe que falou mais do que deveria? Como é que Orson não sabia que Karl era o advogado de Bree, mesmo após receber a papelada do divórcio? É coerente Gabi perdoar Lynette após essa salvar Celia do trajeto do avião? Se a raiva é tamanha, o salvamento não deveria ser motivo para uma reconciliação, já que se espera essa atitude de qualquer um! Até Lee, que tanto queria cantar com as 'meninas' teve sua chance frustrada pelos roteiristas - ei, eu queria muito ver esta cena!



O episódio termina com alguns mistérios no ar. Em primeiro lugar - o mais 'chocante' - é a morte de um dos personagens principais da série. Quem? Bom, dificilmente aquela mão feminina ensanguentada era de Bree. Os produtores não vão ficar sem ela! O melhor palpite é que Orson realmente bateu as botas; sinceramente, ele não vai fazer muita falta na trama. O episódio até constrói um ritual de despedida para ele: Orson mostra que não assim tão canalha com Bree, tentando reconquistar nossa simpatia. Talvez por esta narrativa tão previsível seria interessante descobrir que o corpo sem vida a ser encontrado seja de Karl. Apenas pelo elemento surpresa, obviamente não quero ver Bree voltar a sua fase deprê e alcoólatra. De qualquer forma, um dos dois homens de Bree não sai com vida deste episódio.
As outras fatalidades do acidente já nos são conhecidas: o casal que pilotava o avião e a chantagista Mona; personagens que ganham tempo demais na tela para terminar sem vida. Tudo o que Mona poderia fazer por nós era revelar mais alguns detalhes do passado dos Bolens, mas infelizmente todas as informações foram obtidas em off. O que pode ter acontecido é a moça ter deixado pistas destes segredos em algum lugar, ou contado para alguém. Caso contrário, foi tudo uma grande perda de tempo!
E por fim, temos a conclusão da saga 'Katherine perde a noção de realidade', com a visita da sua filha Dylan e a revelação da rede de mentiras, fábulas e ilusões. É a história mais envolvente do episódio; a cena de Dylan confrontando sua mãe no hospital foi muito bem realizada. Ao que parece a personagem vai ficar algum tempo internada em tratamento psicológico. Não era o que eu esperava de Katherine; talvez sua obsessão poderia seguir caminhos mais leves e descompromissados. Há um excesso de drama nesta história que não me agrada, mas reconheço que o trabalho da atriz é muito competente: "I told you not to come".
O resultado é um episódio fraco, que não se encaixa no crescente da temporada e que fica definitivamente abaixo das expectativas. Minha torcida é que a série não tome a mesma direção de duas temporadas atrás após a passagem do furacão; período que me fez quase desistir das aventuras na vizinhança de Wisteria Lane.
11

"If..."

03 janeiro 10 fevereiro
 
Parece o começo de uma nova temporada. Por algum motivo que me foge a compreensão, os roteiristas seguiram um caminho diferente para a segunda metade deste ano de Desperate Housewives: com uma mão mais pesada no drama e eliminando quase por completo o mistério, "If..." anuncia as mudanças que vão ocorrer nas vidas dos moradores de Wisteria Lane a partir deste momento. Há evidentemente um tom de tragédia nesta trama; feito de projeções hipotéticas sobre a sobrevivência ao acidente de avião apresentado no episódio anterior. Logo no início do episódio, pela narração de Mary Alice, sabemos que algumas vidas estão por um fio no hospital. Que algumas dessas pessoas não chegariam ao fim do episódio era esperado; mas algumas surpresas (desagradáveis?) nos aguardam no caminho. Entre sonhos, estados alternativos de consciência ou mesmo pela imaginação de cenários e situações; as donas-de-casa desesperadas 'projetam' possibilidades para a sua vida, nos cursos que mudam com a queda do avião.



Os "caminhos não-seguidos", as cenas imaginárias e hipotéticas, revelam os sentimentos mais profundos de suas protagonistas. Algumas parecem reafirmar o óbvio, como Susan e Gabi. Para Angie, o momento é de apreensão, mas o momento não se constrói (parece que houve cenas da moça que ficaram na sala de edição). Já Bree e Lynette - as mais afetadas pela queda do avião - entregam cenas de pura emoção. Os cenários imaginados pelas duas são de forte impacto (Lynette ainda é uma personagem mais bem resolvida, e a atriz entrega uma ótima performance). O que resulta em desfechos ainda mais doloridos para as donas-de-casa. A decisão dos roteiristas é corajosa; mostra também como eles confiam em suas atrizes. Mas será que já não vimos algo similar em anos anteriores? Porque mexer em algo promissor (os Bolens, o estrangulador de Julie, Bree e Karl, Katherine louca)? O jogo mudou e não há como voltar atrás. A partir daqui, seguir com esta temporada será uma atividade excruciante.
12

"You Gotta Get a Gimmick"

10 janeiro 17 fevereiro
 
Não vamos nos desesperar. Nem tudo está perdido nesta temporada de Desperate Housewives. Sim, algumas ausências são sentidas neste episódio (Katherine Mayfair, Angie Bolen); mas de uma maneira geral o resultado surpreende. Depois de toda a tragédia dos dois últimos episódios, era natural esperar um período de luto e adaptação dos moradores de Wisteria Lane. Parece, felizmente, que os roteiristas decidiram seguir por um outro caminho. A série se recupera da tragédia com menos lágrimas e mais risos. Susan, a ex-esposa do falecido, recebeu de herança uma sociedade em um clube de striptease; logo descobrindo que seu atual marido é bastante conhecido por lá. Gabi também diverte em sua narrativa: a dona-de-casa quase perde uma vaga em escola particular para Juanita quando a filha questiona (na frente do diretor!) a sua descendência mexicana. A menina está ótima em todas as cenas; dizendo 'adios, señor' para o diretor ou confrontando a lógica de Gabi no carro ("também comemos muita comida chinesa, isso significa que eu sou chinesa?").



Para Bree, as consequências da queda do avião foram mais severas e a sua narrativa é a mais prejudicada neste episódio. Reavaliando a seu affair com Karl e o significado desta tragédia na sua vida, Bree procura o padre atrás de conselhos. A sua decisão de ajudar Orson e tentar salvar o seu casamento parece uma volta às origens da personagem. Vê-la ao final do episódio cozinhando para o marido lembra bastante os momentos que antecederam o romance com Karl (e o pedido de divórcio de Orson). Esta situação faz pensar também nos equívocos do décimo episódio: por que tentar corrigir as más impressões sobre Orson antes da queda do avião? Sério, você consegue sentir alguma simpatia por ele, mesmo após o acidente? Mas enquanto o drama de Bree funciona menos, Lynette arranca lágrimas com sua tragédia particular. Em mais uma ótima interpretação de Felicity Huffman, a personagem revela todo o seu pesar sobre a morte de um dos seus filhos (em gestação). Ao discutir com Tom ela solta a seguinte sentença: "Nós vamos passar o resto de nossas vidas olhando um, sempre perguntando por que não há dois"; palavras tão duras e ditas com tanta emoção que vão ficar por algum tempo nos nossos ouvidos. Entre as donas-de-casa de Wisteria Lane, Lynette é quem melhor nos convence emocionalmente.

Fofoca na vizinhança: Lynette que se cuide! A sra. McCluskey e Lee estão de olho em Tom.
13

"How About a Friendly Shrink?"

17 janeiro 24 fevereiro
 
Como é bom ver Katherine sorrindo novamente! Seu processo terapêutico pode não estar completo, mas metade do caminho já foi percorrido. Com o reencontro das vizinhas-amigas-donas-de-casa-desesperadas, Katherine se mostra recuperada e arrependida pelos eventos do começo da temporada. Katherine dá o tom da reabilitação e da cura que envolve todo o episódio. Como Katherine, outros personagens estão em processo de análise; até mesmo o casal gay de Wisteria Lane está precisando de terapia.



Após o jantar com Lee e Bob, Tom decide procurar a ajuda de uma especialista para lidar com a dor de perder um filho. Como já é regra em Desperate Housewives, Lynette mais uma vez rouba as cenas; sua narrativa é a mais emocionante e divertida deste episódio. Desconfiada que o marido está falando horrores de sua pessoa para a terapeuta, Lynette procura a especialista para dar o seu ponto de vista sobre a história. A sua confissão no consultório é bastante previsível, mas a atriz consegue fazer milagre com um roteiro medíocre ("eu vou me sentar, mas é só porque estou muito cansada"). Enquanto isso, Susan e Gabi entregam uma das histórias mais confusas da série: brigando na escola por seus filhos sobre um sistema de qualificação que mede suas competências. A trama até rende algumas risadas, mas todo o discurso é furado: de repente Gabi acha que suas filhas são tudo o que ela tem na vida e Susan diz que não tem tempo para M.J. Meio estranho, não? Gabi sempre foi orgulhosa de sua carreira, sem dizer no marido rico e na sua casa enorme. Já Susan faz tudo para o seu filho, e parece muito mais presente em casa do que no trabalho. Mas nada se compara com a narrativa épica de Bree; da falta de banho às manhas e chantagens de Orson, nada se salva. A história do casal é muito cansativa, sem um pingo de originalidade e com diálogos fraquíssimos.



Para finalizar, a última narrativa do episódio coloca Angie (sim, ela está de volta!) em confronto direto com Ana Solis. E devo dizer, concordo com ela em gênero, número e grau. Vai dizer que Ana não é a personagem mais irritante desta temporada? Sim, eu acho ela pior que Susan. O que nos leva a pergunta: o que Danny está fazendo com esta garota? Por qual o motivo os roteiristas apresentaram - tão longamente - esse relacionamento? Bom, se Danny se revelar o estrangulador de meninas indefesas... a morte de Ana será muito bem-vinda!
14

"The Glamorous Life"

31 janeiro 03 março
 
Orson, por favor, cumpra o prometido. Termine o 'rascunho' de bilhete de suicídio e se mate de uma vez. Apesar da narrativa entre Orson e Bree estar mais divertida do que se poderia esperar, a relação do casal já deu o que tinha que dar e não há muito o que esperar para esta história no futuro. Aliás, a estagnação criativa parece predominar em todas as narrativas. Tom e Lynette, por exemplo, continuam analisando a relação através da mesma perspectiva desde o começo da temporada: na qual ela é 'o policial durão' e ele 'o policial bonzinho'. A conclusão do casal no consultório da terapeuta (que arrota em cena!) não difere daquela que coloca Lynette como uma mãe controladora, que precisa do papel de liderança. Já ouvimos isso antes, quando Tom conversava com Roy na varanda, no quinto episódio deste ano. Certo?



Diferente de suas vizinhas, Susan parece mais disposta a inovar e decide ajudar uma stripper do Double D's a mudar de profissão. A história apenas introduz (!) a nova personagem que deverá crescer nos próximos episódios; mas desde já a sua presença é bastante polêmica: a maneira como o pequeno MJ se comporta ao lado da moça é algo completamente de mau-gosto. Ele tem apenas seis anos de idade! Já os Solis e os Bolens entram em confronto direto após Danny e Ana serem flagrados no bem-bom por Carlos. Angie escuta a briga e invade a casa dos Solis para salvar o seu filho (sem camisa!). O bate-boca é apenas um motivo para Carlos e Gabi irem até a porta dos Bolens para se desculparem e serem surpreendidos com uma discussão reveladora entre Angie e Nick. Como será que Gabi vai lidar com estas novas informações; será que vai impedir a sua sobrinha de continuar 'vendo' Danny?
15

"Lovely"

21 fevereiro 10 março
 
Não vou me prolongar nestes comentários de Desperate Housewives quanto nos episódios anteriores. Quero esquecê-lo o mais rápido possível: é uma péssima idéia que foi também mal executada. Tudo se desenvolve a partir do estigma da ex-stripper; de como as mulheres desesperadas se relacionam com a moça nova na vizinhança. Em segmentos, conhecemos como cada uma das cinco protagonistas está lidando com a presença estereotipada de Robin. Nada se salva; a série perde o foco e não sai do óbvio. Parece até um episódio avulso, pois não há progressão na trama dessa temporada (ok, Ana e Danny foram para Nova York, mas e daí?!). Pior, parece que Robin não vai embora logo de Wisteria.

Fofoca na vizinhança: O episódio termina sugerindo um novo romance gay... o que você acha disso?
16

"The Chase"

28 fevereiro 17 março
 
O episódio mais gay de Desperate Housewives em toda a história: são três linhas narrativas envolvendo personagens homossexuais e, para a nossa surpresa, elas ficaram bem acima da média. Para falar a verdade, apesar do começo de gosto duvidoso (o sonho de Katherine!), o episódio me surpreendeu bastante. Claro que nem tudo é perfeito (os Bolens!), mas em alguns momentos arrisco dizer que a série chegou perto da perfeição. Para mim, o que melhor funcionou foi a introdução de um novo suspense na história de Bree: não apenas esquecemos do eterno chato (e agora cadeirante) Orson como reeencontramos o sempre simpático Andrew (adoro!). O personagem que chega para abalar a estrutura familiar / de trabalho é Sam Allen, que se apresenta para Bree e logo consegue um emprego na empresa dos Van de Kamp. O novo funcionário, porém, consegue provocar Andrew ao demitir Tad, empregado com quem Andrew teve um caso. Parece que temos um novo mistério em Wisteria Lane; afinal, quem é e o que quer este tal de Sam? Seja como for, já estou mais interessado nesta história do que aquela com os Bolens (que pouco se desenvolve a cada episódio!).



Gabi tem uma narrativa bastante previsível - mas não por isso menos divertida de acompanhar - ao ficar hospedada na casa de Lee e Bob após Celia pegar catapora; a ex-modelo se diverte à beça na casa do casal, com seus drinks no final da tarde em taças de cristal. A outra narrativa gay, claro, é aquela sugerida no episódio anterior: de que Katherine passa a desejar a ex-stripper Robin. Apesar da minha resistência inicial, acho que a história pode sair melhor do que o esperado; afinal, estamos falando de Katherine (e da ótima atriz Dana Delaney). A cena em que a dona-de-casa desesperada decide experimentar o romance me convenceu a investir nesta história (Katherine seja feliz!).
Entre os heteros, Lynette precisa lidar com sua filha caçula enciumada com a chegada próxima do novo bebê na casa enquanto Susan decide ajudar a sra. McCluskey a receber um pedido de casamento de Roy. Apesar de ambas narrativas serem até certo ponto previsíveis, Lynette (na sempre excelente atuação de Felicity Huffman) emociona bastante em suas cenas enquanto Karen, na revelação de sua saúde debilitada, entrega um dos momentos mais chocantes da série. O motivo é simples: a atriz Kathryn Joosten - que interpreta Karen - sofre justamente de câncer no pulmão, e no final do ano passado foi noticiado a reincidência do tumor. Não esperava, portanto, por esta revelação na ficção. Chocante, não?
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"Chromolume No. 7"

14 março 31 março
 
Os mistérios da temporada começam a se resolver neste episódio quando Gabi e Angie vão atrás de Ana e Danny em Nova York. Nada como uma viagem para aproximar as duas donas-de-casa e fazê-las compartilhar seus segredos. O de Gabi, verdade seja dita, não é lá muita surpresa: em sua época de modelo, ela era vista como uma megera pelas pessoas do ramo. Mas é Angie quem faz as revelações mais importantes para a trama deste ano; confirmando a suspeita de seu envolvimento com atividades terroristas em prol de suas convicções ambientalistas (lembra daquele conversa de Danny com a enfermeira, ou de Angie separando o lixo?). Depois de resgatar os jovens na cidade grande (e separá-los mais uma vez!), Angie relata para Gabi sobre Patrick, o homem perigoso que a convenceu de praticar manifestações mais severas para se fazer valer, ocasionando a morte de uma pessoa. Sim, Patrick é mesmo o pai de Danny (antes desse episódio, podia jurar que o pai do garoto era a vítima do atentado) e tudo indica que fará de tudo para encontrar o seu filho. O que será que Danny sabe sobre o seu passado?



Para os Scavos, o retorno do filho Preston é celebrado com uma grande recepção em casa. A alegria de Lynette, porém, dura pouco; assim que chega com seu horrível bigode, Preston anuncia que trouxe uma namorada da sua viagem para a Europa. Esperta que só ela, Lynette percebe que a moça é uma sirigaita, mais interessada no dinheiro do que em Preston. Tom não parece tão convencido da maldade da moça, até porque parou de escutar a conversa depois que Preston relatou como conheceu a moça em uma praia de topless. É certo que a garota é muita areia para o caminhãozinho de Preston; se por um lado Tom comemora a conquista do filho, por outro, o casal deverá enfrentar a resistência de Lynette. Se o plano da mãezona der errado, bom, pelo menos ela já está grávida de novo para substituir o filho (essa é a melhor explicação da personagem para sua ninhada!).
E as revelações desse episódio não param por aí. Descobrimos a verdadeira identidade de Sam Allen, o novo funcionário de Bree que rapidamente conquistou a confiança da chefe. Filho de Rex, o jovem resolveu se aproximar de Bree depois de perder a mãe. Será só isso? Há indícios de que Andrew poderá ter reações ainda mais violentas contra o rapaz, que assumiu a vice-presidência da companhia ao seu lado. Isso pode ficar interessante.
Há ainda a descoberta, por parte de Susan, de que Katherine teve uma noite de amor com ex-stripper Robin. Enquanto Katherine tenta entender o que aconteceu, qual foi a importância da noite e se isso significa que virou lésbica (Lee faz um hilariante diagnóstico!), Susan se diverte contando a história para Mike.
O resultado é um excelente episódio, que retoma o fôlego para a reta final dessa temporada. Um alívio, devo dizer. Desperate Housewives parece se recuperar do fiasco do acidente aéreo em Wisteria Lane, não concorda?
18

"My Two Young Men"

21 março 07 abril
 
Qual é o interesse de Sam Allen na família Van de Kamp? Será que o garoto é mesmo filho de Rex? É possível que ele esteja atrás de uma parte da herança (e havia herança para dividir)? O motivo de sua aproximação com Bree ainda é obscuro, mas o mistério sobre esse personagem fica cada vez mais interessante do que a história desenvolvida por toda essa temporada (da família Bolen). Quem mais se incomoda com a presença do rapaz é Andrew, mais enciumado do que desconfiado da relação de Sam com sua mãe. Parece que essa narrativa vai ter terminar em tragédia, com um confronto direto de Andrew e Sam. Para quem vai a sua torcida?
O episódio é sobre as relações familiares, principalmente entre pais e filhos. Susan e Gabi entram em guerra para ajudar seus filhos na conquista de um prêmio na escola, enquanto Lynette enfrenta a noiva de Preston e a decisão do casal de morar juntos. A narrativa da briga entre as duas vizinhas parece que já foi feita antes (lembro de um episódio em que Susan brigava com Juanita por ter agredido M.J.). Em compensação, Lynette entrega ótimas cenas, principalmente aquela em que a mãezona pega o casal na cama e discute com sua futura nora.



O momento mais divertido do episódio, porém, fica com Katherine. A dona-de-casa tem uma discussão com Robin durante a festa da sra. McCluskey e revela sem querer o caso que está tendo com a ex-stripper. O conflito que segue a revelação é bem construído (e bem verdadeiro): Katherine teme os olhares de seus vizinhos sobre seu caso lésbico e decide sair, pelo menos por um tempo, de Wisteria Lane. Só espero que ela não demore muito para voltar de Paris.
Enquanto uma personagem parte de Wisteria, outro chega na vizinhança: é Patrick Logan quem descobre o paradeiro de seu filho Tyler/Danny e chega para recuperar aquele que Angie levou embora. Não sei se é para ficarmos preocupados com Danny sobre a revelação da identidade do seu pai biológico (como sugere esse episódio), pois me parece que a natureza violenta de Patrick é mais urgente que qualquer coisa que ele possa revelar. Mesmo assim, quem está realmente em perigo? Angie, a mãe de Danny? Não, né? Ou então Nick, que fugiu com Angie e com o Danny no colo?
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"We All Deserve to Die"

18 abril 28 abril
 
Podemos entender que revelar os mistérios da história é mais difícil do que construir o suspense. A revelação é objetiva, clara, factual; enquanto o suspense é feito do não-dito, do obscuro, de nuances e de interpretações da trama. Mas a queixa aqui é outra e está além disso. Ainda que a revelação da identidade do agressor de Wisteria Lane esvazie a potência de significação da trama (não resta dúvida; é ele!), a preguiça dos roteiristas de apresentar os fatos de forma inteligente e sucinta incomoda pacas. Que cortassem a cena quando o sujeito oferece a carona; era suficiente! No exagero da confirmação (sim, é ele - nossa, ele tem problemas - ele enforca as mulheres com as próprias mãos e depois as enterra), a dramaticidade se perde. Pior, a cena que se pretendia trágica, parece mais uma piada (veja como ele se transforma de um garoto afável para um psicopata que segura com força o volante do carro).



Apesar da minha boa intenção com a série - ela existe e depois de um mês de intervalo, posso dizer que sentia falta dos personagens -, o episódio falha consideravelmente nas suas construções narrativas. Tudo é muito falado, muito explicado e também muito antecipado. Outro exemplo pontual da preguiça dos roteiristas aparece na conversa entre Danny e Patrick Logan; quando este personagem relata a sua história, ou uma história - como quem estivesse escrevendo um romance - e passa a questionar Danny (o seu filho que não sabe que aquela é a também a sua história) sobre como o personagem deveria agir: se a mulher foi embora com o seu filho no colo, como poderia o personagem se vingar dela? A meta-linguagem aparece na medida que Patrick Logan se apresenta para Danny como um escritor, e desempenha suas ações de acordo com a história que eles ali estão construindo. Pena que a construção seja tão bobinha: 'então, ele deve raptar a criança dela'. Se a trama de Logan serve como um espelho da atividade dos roteiristas, o título do episódio também não poderia ser mais apropriado. Tentem fazer melhor na próxima semana.
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"Epiphany"

25 abril 05 maio
 
Não gosto desse modelo de estrutura para os episódios de Desperate Housewives onde a história (ou a personagem) é apresentada através dos pontos de vista de cada uma das vizinhas de Wisteria Lane, dividindo a narrativa em capítulos. Algumas das maiores bobagens desta temporada seguem este modelo de roteiro, como "If..." e "Lovely". Este "Epiphany" apresenta muitas tramas que podem ser brutalmente crucificadas; especialmente pela necessidade (moral) de justificar os ataques do garoto Eddie: culpar suas atitudes na porralouquice da mãe é fazer dele um clichê ambulante. Os primeiros capítulos com Mary Alice e Gaby são bem bobinhos, fazendo do passado de Eddie algo bem enfadonho. O episódio melhora quando apresenta a história recente de Eddie, no que conta a ótima interpretação do ator Josh Zuckerman para o personagem. Com Bree, Eddie demonstra sua dificuldade em ser amado, o despertar de sua violência e sua confusão entre cortejar e esganar. Mas é com Susan que Eddie revela nuances mais assustadoras, sendo capaz de visitar Julie no hospital após ter atacado a garota por acidente.



O capítulo com Lynette é o único que se passa no "presente" da diegese da série, quando o rapaz é convidado para morar na casa dos Scavos. A sequência em que Eddie põe um fim à sua mãe alcoólatra é a mais relevante para o personagem e para a trama desse final de temporada; afinal, o que poderá ele fazer contra Lynette? Se recriar a história pregressa do personagem parece, neste ponto, como um recurso fraco para validar o conflito da história (já que pouco conhecíamos desse agressor até agora); há de se reconhecer que esta construção aumenta o suspense e a tensão em torno do personagem. No fim, o que reverbera deste episódio é o bom trabalho do ator, que aproveita bem o personagem que lhe foi dado, fazendo um roteiro boboca ficar mais interessante.
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"A Little Night Music"

02 maio 12 maio
 
Nada como personagens desequilibrados para nos fazer vibrar pelo final de temporada de Desperate Housewives! Quem diria que o estrangular Eddie poderia roubar tanta atenção; em apenas duas cenas neste episódio, o personagem entrega os momentos mais tensos de todo o ano da série. A sensação de perigo que ronda a casa dos Scavo (principalmente para as figuras masculinas da família de Lynette) foi uma ótima solução dos roteiristas para salvar a trama desta temporada; ora, o mistério em torno dos Bolen se mostrou fraco demais para ocupar todos os episódios. Há uma complexidade nas emoções de Eddie que nos fascina: se antes vimos que o personagem matou as mulheres que o ofendiam, agora vemos ele criar uma relação especial com Lynette ao não aceitar que os homens da casa sejam desrespeitosos com ela. É um sentimento conflitante que temos por ele neste momento: claro, ele é um assassino, mas aqui ele também é um protetor de Lynette, a personagem mais amável da série (como não simpatizar com isso?).



Mas não é apenas Eddie que faz deste um dos melhores episódios da temporada; a revelação de mais detalhes sobre Sam e sua consequente explosão de raiva deixam a narrativa de Bree mais interessante. Será que o rapaz pode representar uma ameaça para os Van de Kamp? Em uma pequena reunião familiar, Bree, Orson e Andrew começam a elaborar um plano para afastar Sam de suas vidas de uma forma segura e controlada, já que Bree ficou com medo de Sam após ele jogar um vaso de flores contra a parede. Ainda que as atitudes de Eddie e Sam sejam menos violentas neste episódio do que o atentado de Patrick Logan contra a vida de Nick Bolen, essas narrativas se mostram mais impactantes e interessantes do que o plano de vingança do terrorista. Em parte porque a ação do atropelamento (de Nick) já foi usada de diversas formas e inúmeras vezes na história da série; mas também porque é difícil comprar o conflito do passado dos personagens (toda a conversa sobre eco-terroristas). Na última cena, porém, a trama dos Bolen ganha um novo elemento perturbador: Patrick Logan vai se hospedar na casa de Angie naquela noite (como assim?!). Se faltava suspense à narrativa, esta longa noite entre os personagens rivais deverá compensar a temporada.



O episódio apresenta ainda uma divertida e surpreendente narrativa sobre os problemas financeiros de Mike. Até a chatinha Susan faz rir nesta história; ao lado de Gabi, as vizinhas montam um esquema para expôr o empréstimo de dinheiro - feito em segredo - entre seus maridos. É uma bobagem só, mas cabe muito bem como um respiro cômico entre as demais narrativas do episódio.
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"The Ballad of Booth"

09 maio 19 maio
 
Dito e feito, a trama dos Bolens está ficando cada interessante neste final de temporada. A ameaça de Patrick Logan pode parecer uma bobagem com suas motivações de corrigir o mundo, mas a sensação de perigo que ele representa para a família de Angie compensa a fraca construção do personagem. Não acho que Gaby corra o risco de envolver demais com o conflito dos vizinhos, já que a sua presença neste episódio está mais próxima da comédia do que do suspense; ora, Gaby passa o tempo mostrando suas fotos de modelo para o eco-terrorista e não faz idéia de como uma imagem da sua filha foi parar no seu álbum particular do celular. Parece-me que o maior conflito de Gaby e Carlos no próximo episódio deverá ser com Bree, ou melhor, com a revelação de que Andrew é o responsável pela morte da mãe de Carlos Solis. É uma informação que honestamente eu já havia esquecido; aparentemente Sam descobriu o segredo sujo de Andrew através de Danielle, durante o jantar na casa dos Van de Kamp. Bree está também em uma situação refém de Sam, que ameaça revelar esse segredo caso não seja feita a transferência da empresa para o seu nome. Haverá solução para Bree manter o seu negócio? Podemos imaginar uma conclusão dessa história, vamos dizer, com a explosão de uma bomba que mate acidentalmente Sam? É uma constante da série eliminar as ameaças através de acidentes, certo? A explosão da bomba que Angie está sendo obrigada a montar poderá ser o melhor acidente da série; as tramas devem se cruzar de alguma forma no final de temporada na próxima semana, além de ser extremamente impactante para a personagem, como punição, ter que criar o armamento motivo de seus traumas (de suas cicatrizes no corpo e do sentimento de culpa pela morte de uma pessoa).



Mas, além de Patrick Logan e Sam, o maior perigo que ronda Wisteria Lane é mesmo Eddie; o episódio monta aqui o cenário desse que deverá ser o confronto mais tenso no final de temporada. A relação que se constrói entre o estrangulador de Fairview e Lynette Scavo é perturbadora e os dois atores entregam as melhores cenas com esta construção: Eddie demonstra todo o carinho que sente pela vizinha, mas deverá tomar medidas para impedí-la de contar sobre seus assassinatos. A sequência que fecha o episódio, com Lynette descobrindo que Eddie é o estrangulador de mulheres é bem elaborada, econômica em palavras e muito significativa. O momento em que Lynette finalmente se dá conta da situação é representado pelo cair da sua bolsa; a ação demonstra decepção, rendição, medo da personagem. Um belo desfecho para a história entre os personagens e um ótimo cliffhanger para o episódio de final de temporada.
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"I Guess This is Goodbye"

16 maio 02 junho
 
Acho que este season finale é justo para uma temporada irregular, com tantos altos e baixos como nos episódios anteriores. Algumas tramas funcionam melhores do que outras e o resultado final é apenas razoável. Lynette continua sendo a melhor personagem do programa, responsável pelas cenas mais dramáticas e emocionantes da história. Mantida refém de Eddie, Lynette entra em trabalho do parto e precisa da ajuda do estrangulador para salvar a vida da sua filha. A idéia de deixar a bebê sufocada pelo cordão umbilical é genial; o processo de redenção de Eddie começa no momento em que precisa soltar a recém-nascida do cordão da mãe. Também Lynette é brilhante na sua percepção sobre o estado de Eddie, dizendo ao rapaz que fugir da prisão não soluciona seus problemas: "não percebe que você já está lá?". O ator que interpreta Eddie faz também uma excelente participação, e não faz feio contracenando com Felicity Huffman. Por outro lado, porém, fica a impressão que a trama merecia um desfecho mais apropriado; Eddie se entregou para a polícia, mas como a vizinhança recebeu a notícia? Não seria interessante ver a reação de Tom ao saber o que a sua esposa passou? E, mais importante, Susan não deveria demonstrar algum sentimento de alívio com a revelação da identidade do estrangulador da sua filha? Acho que sim, né?!



A outra grande trama com reféns deste episódio tem um final mais satisfatório, ainda que o percurso da história até este momento não tenha sido dos melhores. O mistério dos Bolens foi algo meio decepcionante nesta temporada, mas encerra o ano em boa forma. Há suficiente suspense na casa, com Danny amarrado em um quarto e Angie algemada montando uma bomba, quando a Gaby resolve se envolver e tentar ajudar a vizinha. É verdade que em grande parte Gaby serve mais aqui como um alívio cômico; da sua imitação de Angie no hospital ao andar de salto alto pelas calçadas de Wisteria Lane, mas a presença de uma personagem tão querida perto de um explosivo aumenta radicalmente a tensão da história. Não sei se é uma diferença muito grande matar os personagens ou colocá-los em um ônibus para nunca mais voltar para a série, mas por algum motivo, fiquei bem triste com o final dos Bolens. Angie me conquistou com o seu aceno para Patrick Logan, revelando que a bomba estava na verdade no detonador remoto. Acho que a morte de Patrick poderia livrar a família dessa insana fuga e talvez residir permanentemente em Wisteria Lane. Algo honesto se construiu entre Angie e Gaby; a antiga e linda moradora de Wisteria com certeza cresceu e aprendeu bastante através dessa amizade. Mas Gaby tem uma nova situação para lidar: Bree resolve contar a verdade para a amiga sobre a morte da mãe de Carlos, da participação de Andrew no acidente de dez anos atrás. Não concordo com a acusação de Orson para a hipocrisia de Bree, mas de qualquer forma, ela se sente motivada a reparar os erros do passado e ser honesta com os Solis. Isso significa que Andrew vai ser obrigado a cumprir uma pena na prisão? O episódio termina ainda com duas pequenas surpresas e possíveis conflitos para a próxima temporada. Primeiro, Lee (ei, ele não tinha ido embora?) consegue alugar rapidamente a casa de Susan para ninguém que Paul Young. A vizinhança fica muito mais interessante com o viúvo de Mary Alice do que com Susan e Mike! Podemos contar com a volta de Felicia também? Esse retorno promete! A segunda surpresa é a apresentação de um novo mistério sobre as donas-de-casa; o hospital da cidade descobre uma troca de bebês envolvendo uma das moradoras de Wisteria Lane. Quem será? Andrew? Zach? Sam? M.J.? Julie? Que comecem as especulações! Até a próxima temporada!



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