Simbolismo e compensação. |
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Publicado em: 15/02/2010 |
Há inúmeros exemplos de situações em que, diante de um contexto inóspito apresentado pelo real, o ser humano – enfatizando-se as crianças – cria um contexto imaginário que alivia temporariamente a pressão e permite que determinada fase seja superada
; fascinante e nada surpreendente, o contexto fictício é, certamente, uma alegoria da ameaça real, que combina elementos que possibilitam o entendimento e a auto-preservação/superação da dificuldade que, de outra forma (valendo-se apenas do contato direto com o real) seria insuportável para o equilíbrio do sujeito
.
Temos como exemplo de situação um movimento literário inteiro; se viver é sonhar e entender o mundo é interpretá-lo, nada de extraordinário no simbolismo que o diferencie do mito, do alegórico, do imaginário pessoal, das artes em geral. Mas de fatos temos para afirmar que agregou, em seu núcleo, o desprezo pelo derredor, a necessidade de fuga
e o recolhimento em um mundo interno, o misticismo, as expectativas de transcendência e sublimação.
Estendendo suas arrebentações até Curitiba, o movimento que brota na França já escorre melancólico e viciante da boca de Mallarmé, pregando desde aí a embriagez mental – induzida ou não por álcool
e afins – e o mergulho no sensorial, até um extremo de luxúria poética. Reativo a um contexto depressivo e questionável
, sombreado pela guerra e prenhe de frustrações diante de grandes transformações e constituição de uma ode às aparências, ao luxo e ao esvaziamento de sentido, o simbolismo desprezará o novo contexto social e a ascensão de uma burguesia consumista, fazendo do corpo um reflexo da relação do burguês com o mundo, e sorvendo-o através da exploração dos sentidos de modo a consumi-lo, almejando ao mesmo tempo transcendê-lo, querendo tornar o sutil concreto em seu texto, através da sugestão, do som, da sujeição
.
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