Ação é caráter, mas o engajamento é burguês. |
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Publicado em: 18/02/2010 |
Jenny carrega um violoncelo na saída da escola, quando uma chuva londrina começa a cair sobre ela e seu instrumento. David, vê tudo de dentro de seu carro; enquanto espera os pedestres atravessarem a rua. Ele, então, encosta o carro ao lado de Jenny. Como um grande admirador de música, David não consegue deixar o instrumento se molhar naquela chuva e oferece a Jenny um espaço no seu carro para carregá-lo até sua casa. Ela, por outro, poderia acompanhar todo o percurso a pé, caminhando ao lado do carro.
A história que começa desse encontro (típico da sempre chuvosa Londres) se passa em 1960; em uma sociedade que ainda sofre as consequências da guerra e que já sente as mudanças de ideais nos jovens, em atitudes que os levariam para a revolução anos depois. Neste contexto, Jenny é a síntese de uma geração; sempre questionadora dos padrões sociais, a garota descobre ao lado de David uma possibilidade de mudança na sua vida. Este simpático judeu, com o dobro de sua idade, lhe oferece um mundo mais rico e elegante - sem deixar de lado todo o intelectualismo que a moça aprendeu a duras penas na escola.
Logo, David desiste de sua charmosa apresentação e convida Jenny para juntar-se a ele e ao instrumento de música no conforto do seu carro. Ela sorri encabulada, mas aceita o convite. Conforme dita o padrão inglês, David coloca a mão esquerda no câmbio e engata a primeira marcha. David conduz a estudante para a casa.
A aproximação do casal representa um perigo. Durante todo o filme, há um certo suspense sobre o caráter de David; seus negócios são obscuros, suas atividades são suspeitas. David, porém, se apresenta sempre como um cavalheiro, esbanjando simpatia e bom-humor; algo irresistível inclusive para os pais da moça. E Jenny, vale lembrar, pode ser jovem e inexperiente - causa do nosso constante suspense -, mas é moça inteligente, de boa índole e com uma carreira promissora a sua frente. Enquanto o seu pai insiste nas aulas de latim, Jenny conhece o mundo de aventuras ao lado de David; questionando enfim, o que mais importa na vida.
Jenny chega em casa e pergunta para seus pais se poderia se casar em vez de ir para faculdade. A garota descobre que pode fazer uma escolha e que tem a aprovação de seus pais dependendo de quem for o moço; Jenny entende que sua formação - todos aquelas resenhas, aqueles ensaios e aquelas aulas de latim - serviram também para que pudesse encontrar alguém como David.
O conflito central de Jenny é afinal um paradoxo camusiano. Com todo o seu intelectualismo, de posse de tantos conhecimentos variados; Jenny deverá seguir um sistema educacional decadente ou se entregar àquela emoção burguesa? E será que acredita em algum desses modelos? A narrativa surpreende em suas respostas para a trajetória da protagonista. Ação é caráter, mas o engajamento é burguês; como escapar desse dilema?
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