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Publicado em: 15/05/2010 |
O três, discretamente desenhado à caneta fina ao lado do cabeçalho
que antecedia as atividades corrigidas era sensacionalmente gigantesco e agressivamente vermelho na decodificação que atravessava a retina do discente. Na verdade, até sangrava.
Nos ouvidos da senhora
sentada durante toda aquela e as eternas outras tardes em qualquer um mesmo banco daqueles, alocados no exterior do espaço de culto, retumbava, cantante e apoteótico, ilustrado pela imagem do prêmio nunca alcançado por esta antes, naquele momento exato em que lhe permitia completar a cartelinha com um último grão de feijão. Era seu número de sorte, que soava confusamente irreal, líquido, frio e derretido para a colega distante que certa estava de ouvir uns sete segundos atrás
.
Ao lado da pousada emergente no ponto final de uma jornada de ansiedade pelo encontro, um imenso, hercúleo, luminoso e pacífico roseiral, de embalar fadas de criança, provoca-lhe a náusea imediata. Seu visual escuro, enegrecido e retorcido é a memória aguda do cesto de conteúdo igualmente luminoso que recebera no ano de véspera, emoldurando a intenção infeliz de amenizar a notícia visguenta e retumbante que acompanhava o pacote. Vira-lhe as costas e fecha-se na escuridão infinda...
...apaziguadora, transcendental e pura, segura e perfumosa a sombra daquele resto de muro, embolorado pela urina recorrente, manchado do sangue seco que restara de uma colisão entre um quadrúpede metálico e um animal, sacralizada pela memória de um beijo elucidativo.
Esperava-a, no pós- funeral, o exato ônibus de costume, na rua que continuava a imbicar para a esquerda desde antes, donde ascendia o sexagenário relógio torre de esquina, marcando a mesma hora daquela hora em todos os dias, que não era a mesma, do dia que não era o mesmo, na rua que não mais se repetia.
O dilaceramento epitelial, muscular, a continuar, de um projétil em um corpo imberbe e inadvertido, é terrível, se não é sabido, sequer por chance imaginado?
Um massacre numeroso, se acontecimento ignorado em uníssono, tem relevância
? Se não sabe ninguém, o que é isso?
O desmoronamento massacrante de uma enorme pilha de lenha faz barulho se não há ao alcance nenhum ouvido? E o desmoronamento interno de um sujeito inadvertido? ![]()
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