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Publicado em: 15/09/2009 |
Há no medo um fator irracional. A sensação provocada pelo medo pode assumir diferentes formas entre os indivíduos
. O despertar do medo também depende das construções subjetivas de signos, que evocam o obscuro, o inconsciente e o insólito. Podemos dizer que é comum entre os sujeitos, entretanto, que essa experiência sensorial está ligada ao desconhecido
e à suspensão do princípio de realidade
Existe, neste intervalo, um espaço (um tempo) a ser percorrido pela imaginação
. Como em todos os mecanismos de representação (e a vida é um deles), a imaginação
faz parte dos processos psíquicos que permitem a criação e o entendimento. Na leitura semiótica empregamos a imaginação para apreender os códigos representativos e sintetizar os seus significados em novos signos, na ordem do subjetivo e individual.
Quando Kant propôs a leitura do mundo a partir de sua materialidade, colocou também o mistério à luz da razão. O pensador, que define o período histórico das luzes (Aufklãrung), coloca a lógica analítica como condição para o progresso humano e social. Kant exige o emprego da razão e da sensibilidade para o julgamento dos sentidos e evidencia que a faculdade de juízo é por sua vez condicionada pela experiência. Com efeito, a investigação do desconhecido faz parte do processo de conscientização.
Por esta perspectiva, a criação literária Gespenstergeschichte (ou histórias de fantasmas) que aparece no mesmo período histórico, encontra paralelo com as atividades filosóficas de Kant e seus contemporâneos. O discurso do obscuro e do insólito serve, nestas histórias, como contraponto ao mundo lógico-racionalista. Por vezes, estas histórias servem como comentários irônicos do mundo (demasiado) analítico. O emprego de aparições espectrais como duplos do indivíduo permitem também uma reflexão sobre a subjetividade e convidam à introspecção.
A estética do medo, pode, portanto, ser analisada a partir das construções filosóficas e literárias produzidas a partir do século XVIII. O espelhamento e os duplos são as técnicas mais comuns para a investigação do desconhecido que, em última instância, corresponde ao próprio mistério da natureza humana. O conflito entre a razão e o ilógico rege esta estética, que discursa por uma complexidade da existência humana
.
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