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Tão Forte e Tão Perto
Stephen Daldry dirige drama de busca na Nova York pós-11/09.
Guilherme.
Publicado em: 23/02/2012

Tão Forte e Tão Perto é ele próprio um oxímoro: irritantemente simpático; um agradável incômodo. Em parte, pode-se culpar os defeitos do longa pela obra oportunista do escritor Jonathan Safran Foer, que apesar de fazer este enredo sentimentalista ele é responsável por uma outra obra de incrível qualidade - também adaptada pro cinema, o excepcional Uma Vida Iluminada. Há traços semelhantes entre suas duas obras, o que pode influenciar positivamente a leitura deste conto na Nova York pós-11/09; da drama de busca, perdão e reconciliação com o passado - como forma de compreender o presente e se permitir um novo caminho futuro. Porém, a contextualização da história com a tragédia do 11 de setembro parece aqui sempre exagerada como se o autor estivesse capitalizando em cima do sentimento de luto dos seus compatriotas.

É aí que a direção competente de Stephen Daldry, faz toda a diferença na adaptação; nas telas, o diretor britânico consegue extrair o que necessariamente importa dessa história e traduzir a tragédia sem parecer excessivamente piegas. Claro, há exageros narrativos que não têm conserto: o menino em si é todo um defeito, uma caracterização que é difícil acompanhar; o casting é um erro, com a excecão evidente de Max von Sydow. Mas, apesar dos problemas, o filme se projeta melhor pelas lentes de Daldry, que sabe sempre onde colocar a câmera e como produzir a partir dela as melhores imagens para sua história - um polimento que acaba dando uma cara séria ao filme. A relação que ele estabelece entre a imagem dos pés de ponta-cabeça que abre o filme, a informação de como o pai do garoto morreu e, forçosamente, da liberdade adquirida pelo menino no salto do balanço é poderosa - e potencialmente muito melhor do que contada em livro. Daldry pontua ritmicamente as cenas que, assim entendemos, mais importam a ele: é especialmente gratificante a atenção que ele dá aos vários Blacks que cruzam o caminho do menino - porque essa é a melhor maneira de humanizar Oskar em sua rompante e egoica tarefa pela cidade. Ao atentar aos sentimentos de compaixão ao próximo, a história acerta em cheio a uma emoção inescapável, da qual seríamas tolos de negar ou resistir. E, exatamente por isso o resultado do longa é de um doce meio amargo, porque sabemos que toda a história é construída de tal forma a nos manipular emotivamente - é justamente um contentamento descontente.

Tão Forte e Tão Perto 
(Extremely Loud & Incredibly Close, EUA, 2011)
Direção: Stephen Daldry.
Elenco: Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock, Max von Sydow, Viola Davis, John Goodman e Jeffrey Wright.
Duração: 129 min.

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