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Fringe: 2ª temporada

Guilherme.
Atualizado em: 05/02/2010


      A segunda temporada de Fringe deverá conter 23 episódios.
      A terceira temporada está confirmada para 2010-2011.

      Confira detalhes dos episódios exibidos clicando nos títulos desejados.


#   Título: Exibição original
(EUA):
No Brasil:
01

"A New Day in the Old Town"

17 setembro 27 outubro
 
O melhor retorno do ano. Com o final da primeira temporada, uma das melhores cenas já vistas na TV, a expectativa era grande para saber a continuação do encontro de Olivia com Bell. O caminho seguido pela série, porém, não nos revela o conteúdo dessa conversa, e sabiamente, nos provoca com mais dúvidas e mistérios sobre a mitologia da série. A  segunda temporada começa no acidente provocado pelo retorno, em grande estilo, de Olivia do universo paralelo. Desmemoriada, Olivia é internada enquanto Peter, Walter e a agente federal Jessup (Meghan Markle, a novata na série) investigam os desdobramentos do acidente. E mais uma vez, as investigações nos levam ao inimaginável.
O universo estabelecido pela série parece já tão amplo que poucas seriam as surpresas da história. E elas existem! Mas, o acerto aqui é não enveredar pelas explicações e assumir a diversão dos casos e das ameaças. Por isto, parodiar Arquivo X funciona tão bem. E as maluquices de Walter serem tão divertidas de assistir. Se por um lado as cenas mais chocantes envolvem a grande narrativa da série (como o retorno de Olivia no meio de Manhattan ou a perseguição ao espetacular metamorfo), as cenas que permanecem na memória envolvem os personagens nos seus momentos mais íntimos. E não faltam boas cenas neste episódio, principalmente com Walter preocupado em fazer uma receita especial para o aniversário de Peter; uma torta que Walter insiste ser o preferido de Peter enquanto criança, mesmo que este não se recorde do doce.
Perfeitamente escrito e dirigido, este é possivelmente o melhor episódio da série e um excelente começo para o ano. Enquanto as interpretações de Anna Torv (Olivia) e Joshua Jackson (Peter) não me convenciam na primeira temporada, aqui finalmente eles se equiparam ao extraordinário John Noble (Walter). Também é ótima a participação do agente Charlie Frances, e mesmo com a demissão do ator Kirk Acevedo, é possível esperar um retorno do "agente" em algum momento. Parece injustificável escalar uma nova agente de campo no seu lugar caso a história de Charlie acabe por aqui. Jessup vai ter que suar muito para se encaixar na história, e não adianta rezar nem ler a bíblia. Substituir um personagem querido do público como Charlie precisa de muito esforço e dedicação (e um pouquinho mais de piração).

Momento "Fringe": uma conversa com a máquina de escrever do além.
Obsessão alimentar de Walter: pudim "custard" (não gostar de flan pode ser um problema semântico).



O Observador: no primeiro minuto, passa pelo acidente quando o metamorfo sai carro.
Glifos: TOWER.
02

"Night of Desirable Objects"

24 setembro 03 novembro
 
Então estou assistindo ao segundo episódio dessa temporada, aparentemente inofensivo na grande trama (universos paralelos, divisão fringe), similar a alguns capítulos da primeira temporada que envolviam monstros e criaturas bizarras... quando reparo algo extramamente perturbador em Walter. Seu olho direito brilha diferente quando uma luz frontal atinge seu rosto. Há um machucado, uma marca logo abaixo da irís. Não é possível ver em todas as cenas, depende da iluminação e da posição em cena. Mas definitivamente está lá... zombando de mim.
A sensação é parecida ao ver 'Charlie' em cena, mesmo depois do anúncio da demissão do ator (que só participaria do primeiro episódio). Será tudo parte dos planos dos produtores e criadores da série? Será que há muito mais por trás dos acontecimentos (também) nesta temporada? É impossível não notar a grande ironia que é este episódio: o caso do filho que não está no caixão, uma criatura que vive no subterrâneo e que foi modificada pelo pai.
Estes detalhes propõem alguns questionamentos sobre a série nesta temporada; afinal, será que voltamos - com Olivia - para o universo 'correto'? Por que Olivia não perguntou nada sobre Bell para Nina? Alguma idéia? Alguma teoria?

O Observador: no campo, do lado de fora da casa de Hughes, na sequência em que a agente Jessup encontra a bíblia.
Glifos: MIRROR.
03

"Fracture"

01 outubro 10 novembro
 
O bonito discurso de Peter no final de "A New Day in the Old Town", afirmando que a partir de agora o departamento Fringe não vai apenas limpar a sujeira e correr atrás dos incidentes, mas que vai estar à frente dos acontecimentos foi um tanto apressado. Este episódio demonstra um pouco a diferença de postura, e - felizmente ou não - o resultado não difere muito do estabelecido pela série. Afinal, a explosão do primeiro homem-congelado-bomba de fato acontece nos primeiros minutos, para a alegria de Walter. Porém, em vez do caso chegar diretamente ao departamento, é Astrid que descobre os mistérios da explosão e convoca a investigação. Não muda muita coisa, certo?
O episódio transcorre aparentemente como mais um "caso-avulso", aqueles que não se conectam com a grande trama ou que revelam muitas informações sobre os personagens. Mesmo assim, o caso desse episódio é muito interessante (há quem goste dos monstros como o episódio anterior, eu prefiro este), usando mais uma vez o ser humano como arma ("The Road Not Taken"). O quebra-cabeças humano permite as ótimas pontuações cômicas de Walter, que reconstrói os pedaços do explodido e testa produtos químicos em uma melancia enquanto busca um apartamento maior para morar (já que Peter não aguenta mais acordar com Walter dançando pelado). A investigação leva Olivia e Peter ao Iraque e, no decorrer da trama, Olivia começa a ter flashes do acidente/viagem. As memórias e dores de cabeça fazem com que Olivia procure Sam (o contato de Nina) na pista de boliche. Com a sua ajuda, Olivia abandona de vez o andador e - fiquei com a impressão - rolou um clima entre os dois.
Para ficar ainda melhor, a resolução do caso nos coloca novamente na grande trama da série (com uma sensação que esta deveria ser a continuação lógica do primeiro episódio da temporada); "eles estão aqui fazendo observações bem debaixo dos nossos narizes". Será o Coronel nosso vilão da temporada? O David Robert Jones da segunda temporada? A melhor notícia é que há só uma sequência para os eventos da série: a revelação da conversa de Olivia com Bell.

Momento "Fringe": o teste com a melancia no laboratório.
Obsessão alimentar de Walter: comer hamburguer na frente da vaca Gene é um insulto!



O Observador: nos últimos minutos, coletando uma maleta com fotos de Walter.
Glifos: BURIAL.
04

"Momentum Deferred"

08 outubro 17 novembro
 
"Oww, here we go!" O sino toca. É hora de Olivia voltar para toca de William Bell, o universo paralelo onde o onze de setembro de dois mil e um foi um dia como qualquer outro. Em uma brilhante armação do roteiro, combinando a memória da protagonoista e a deformação temporal que lhe trouxe de volta, revela-se a preciosa conversa de Bell e Olivia; cheia de revelações, atuações inquietantes e estouros de luz na lente.
O caso que leva ao desvelamento de Bell e a tempestade que está por vir envolve os metamorfos e a busca por uma cabeça congelada contendo uma marca no escalpo. Esta caça ao tesouro começa com o ataque a um laboratório de criogenia, onde um desses agentes do outro lado acaba baleado. Seu corpo se distingue dos outros mortos pela excreção de mercúrio - para a alegria e o deleite de Walter, o responsável pela investigação que liga o mercúrio aos metamorfos e ao decoy (a pista falsa) de Charlie apresentada no primeiro episódio da temporada.
A corrida contra o tempo pela sobrevivência de Olivia e a captura da cabeça marcada ocorre num crescente suspense, em ação eletrizante, e uma boa dose de humor e emoção. Walter é o equilíbrio dessa equação, com suas divertidas experimentações e o comovente relacionamento com Rebecca. Peter aparece menos, mas sem perder importância. Em alguns momentos a trama dá indícios sobre a verdadeira origem do personagem; afinal, o que Rebecca percebeu nele? Ela é capaz de ver que Peter é do outro universo?
Mas o destaque é mesmo Olivia, em uma interpretação cuidadosa de Anna Torv, bastante eficaz nas cenas de ação e simplesmente perfeita nos diálogos com Leonard Nimoy (Willem Bell) e Blair Brown (Nina Sharp). Uma melhora significativa em relação à temporada passada. Sua Olivia está cada vez mais próxima dos espectadores: "Eles o mataram por quê?".
Um episódio perfeito, que possivelmente marca a despedida de um grande personagem (ou de um ator, o personagem não era mesmo; como queira), e introduz outros rostos (a cabeça com o símbolo não parece do Ralph Fiennes? Ei, o Voldemort!!); definitivamente um marco para a trajetória da série.

Momento "Fringe": a cabeça 'marcada' se reconstituindo.
Obsessão alimentar de Walter: morango é um bom tira-gosto para acompanhar os vermes.



O Observador: acompanha o encontro de Olivia com 'Charlie' na frente da Massive Dynamic, após a conversa com Nina.
Glifos: MEMORY.
05

"Dream Logic"

15 outubro 24 novembro
 
Os acontecimentos do episódio anterior foram marcantes, tanto que os personagens ainda estão digerindo suas implicações. Principalmente Olivia, que procura Sam para contar que recuperou a memória, ao mesmo tempo em que demonstra a sua tristeza pela morte de Charlie. Sam sugere para Olivia um jogo de anagrama, como forma de Olivia encontrar as respostas que está procurando.

Sam: Queira você admitir ou não, a sua vida está sendo um pesadelo.

O caso de pessoas que entram em uma espécia de transe e cometem assassinatos leva o trio protagonista para Seattle. O ambiente faz Walter se sentir mal, lembrando a clínica psiquiátrica onde esteve internado, e ele pede imediatamente o retorno para Boston. Ou será que foi o próprio caso que o deixou angustiado? Terá Walter se identificado com a monstruosidade do caso?

Walter: A turbulência sobre Ohio foi como estar na barriga de uma baleia capturada. Eu gritava como uma garotinha!
Astrid: Tenho certeza que isso foi bom para os outros passageiros.

A investigação faz Peter lembrar do mantra que repetia antes de dormir para evitar pesadelos; um em especial, com seu pai. Neste momento, Olivia confessa a difícil relação que tinha com seu padrasto, um alcóolatra que se transformava em outra pessoa quando bebia. As histórias do passado dos personagens são mais importantes do que o caso do episódio em si; você sabe aonde quero chegar. Mas será que Peter está pronto para escutar toda a história de Walter? Ou vamos ter que esperar até o final da temporada?



O Observador: aos vinte e seis minutos, descendo as escadas da clínica.
Glifos: BETRAY.
06

"Earthling"

05 novembro 01 dezembro
 
A sequëncia de abertura - aquela que antece os créditos iniciais e apresenta o caso da semana - de "Earthling" é uma das mais arrepiantes da série. O ataque da 'sombra humana' contra o bom-moço Randy em seu apartamento é muito bem construído; tenso, dramático e com efeitos visuais de cair o queixo (as cinzas de Randy!).
O caso é assustador: uma entidade que incorporou em um astronauta russo enquanto ele estava no espaço. A investigação tem um peso emocional para Broyles, que estudava as estranhas mortes causadas pela 'sombra' quatro anos atrás e é o motivo pelo qual entrou na divisão Fringe (e porque terminou seu casamento). Com a ajuda de Walter para decifrar a fórmula do organismo, Broyles tem a chance de exterminar a 'sombra' do astronauta e fechar de uma vez por todas o caso (será?).
O episódio funciona como um caso-avulso, com poucas informações novas sobre a grande trama da série e a sua mitologia particular. Como nota a menina no final: "Havia um homem. Um homem-sombra. Ele desapareceu". O que não significa que seja um episódio menor. Há ótimas construções de cena, como Broyles no restaurante com um garoto imitando seus movimentos; um momento singelo e humano, que antece a trama da 'sombra' com esperteza. Sem falar em Walter, na excelente interpretação de John Noble, ótimo em todas as suas cenas (tentando desvendar a fórmula, ou "esta mulher tentadora"). O que funciona menos para mim é o envolvimento político com CIA e a menção de uma Fringe russa, mas felizmente esta discussão não consome muito tempo de tela.

Momento "Fringe": o 'Sombra' e os corpos em cinzas.



O Observador: no aeroporto, passando atrás de Broyles pelo portão 43, enquanto ele conversa com Olivia no telefone.
Glifos: DEJAVU.
07

"Of Human Action"

12 novembro 08 dezembro
 
Através da história do menino Tyler, Fringe analisa a relação entre Walter e Peter, trazendo aos poucos o passado dos Bishops e criando situações de espelhamento com o próprio momento da série. O caso do sequestro de Tyler coloca a equipe em contato com Nina Sharp e a Massive Dynamic, onde trabalha o pai do garoto. A visita às instalações da empresa deixa Walter maravilhado com os 73 laboratórios, mas também paranóico com a possibilidade de estarem lendo seus pensamentos (Astrid também toma medidas de precaução!). A investigação das imagens e dos corpos resultantes do sequestro revelam a capacidade de controle de mente e Walter precisa encontrar uma forma de bloquear este sistema. O cientista acredita que a manipulação acontece por frequências sonoras e usa um urso de brinquedo de Peter que emite ruído branco para cortar a frequência. O que ninguém esperava era que Tyler, através da ingestão de um coquetel de medicamentos ativara esta habilidade de controlar mentes e planejou o seu próprio sequestro. Com o fracasso da aparelhagem de Walter, Tyler consegue levar Peter no seu plano de encontrar a sua mãe. A aproximação dos dois personagens revela um processo de identificação e espelhamento - evidente para nós espectadores, armados com informações sobre a verdadeira origem de Peter. Mas também o sequestro de Peter tem um forte impacto emocional em Walter que "não pode perdê-lo novamente".
O episódio revela ainda mais detalhes da Massive Dynamic. Com as cenas finais de Nina enviando um relatório para Bell sobre o caso de Tyler, voltamos a desconfiar das boas intenções da empresa. A sequência ainda revela as etapas de evolução do que parece ser uma fábrica de garotos Tyler (inteligência artificial?), cujo propósito é justamante o estudo da habilidade de controlar mentes. Nina informa que o projeto foi um sucesso, apesar da tentativa do garoto de contactar a sua mãe 'de aluguel': "Você estava certo, controlar mentes é possível".

Momento "Fringe": o embaralhador de consciência de Walter.



O Observador: Logo no início do episódio durante a perseguição dos carros da polícia, parado na calçada antes dos carros subirem para o estacionamento.
Glifos: ARRIVE.
08

"August"

19 novembro 15 dezembro
 
Para um episódio que revela um pouco mais da história do Observador, que traz novos elementos para a mitologia da série; o resultado é meio decepcionante. Falta suspense e ação neste capítulo. E mesmo as novas informações - os vários Observadores, por exemplo - são reveladas sem muito alarde ou surpresa. Assim, "August" fica em uma zona cinzenta, entre a grande narrativa da série e os casos-avulsos (de importância moderada). Descobrimos que o 'nosso' Observador, aquele que acompanhamos desde a primeira temporada, se chama September. E que há vários outros como ele (doze seria um bom palpite, certo?) observando e coletando informações sobre acontecimentos de grande impacto na humanidade. Quando o Observador August se apaixona por um humana e decide poupar a sua vida de uma tragédia, uma anomalia 'no tempo' é criada, fazendo os outros observadores exigirem a correção dos eventos. August deixa pistar para Walter (a pimenta-rei no caderno de anotações) como forma de encontrar apoio para o seu plano de salvar a moça. Todos estes recursos são improváveis demais, e a narrativa fica comprometida, progredindo em soluços.
Em compensação, há algumas coisas bem interessantes neste episódio. A primeira delas é a volta da sobrinha de Olivia, que proporciona momentos bem afetuosos entre as duas. É uma maneira de nos lembrar da vida pessoal da agente, daquilo que é a sua normalidade. Outro que retorna é o cientista 'geek' Brandon da Massive Dynamic, sempre muito orgulho de suas capacidades. A sua explicação sobre como vivem os observadores - como eles vêem o tempo - é ótima (às vezes, o líquido escorre para fora do tubo?). Este coadjuvante poderia crescer na série, suas participações são sempre divertidas. Ainda, Walter faz nos lembrar da sua dívida com September, quando encontra August no restaurante e pede para eles não levarem seu filho embora. Mas quando Peter confronta Walter sobre a verdade dos Observadores, Walter muda de assunto e volta para o seu milkshake de morango: a expressão de desapontamento em Peter é perfeita, da qual compartilhamos ao final do episódio. A solução da trama - com o sacrifício de August para salvar a sua humana - não poderia ser mais clichê, mas ainda assim consegue ser relevante. Pode ser que a morte do obervador sirva para alguma coisa na guerra que está por vir (na tempestade prevista por Bell); afinal, August criou sentimentos pela humana.
Por fim, é preciso comentar a cena final: com Olivia e a sua sobrinha na montanha-russa sendo observadas por September. "Olha como ela está feliz. É uma pena que as coisas estão por ficar bem difíceis para ela"; alguma idéia do que pode acontecer? E, será o comentário sobre Olivia ou sobre Ella?

Obsessão alimentar de Walter: o Morango Supremo, milkshake de morango da sua sorveteria favorita; ou, a sua versão caseira, sorvete de baunilha francês com xarope para tosse.



Glifos: BLIGHT.
09

"Snakehead"

03 dezembro 12 janeiro
 
Após os primeiros minutos de "Snakehead", quando ficou claro para mim que este seria apenas mais um caso-avulso e sem nenhuma ligação com a grande mitologia da série, fiquei bastante aborrecido. Minha expectativa de assistir logo as resoluções da 'tempestade por vir' ou do 'Peter alternativo' traz uma enorme frustração quando me deparo com este tipo de episódio. Os casos-avulsos dificilmente são tão interessantes quanto a grande trama da série. Dito isso, "Snakehead" tinha tudo para me decepcionar: pouco mistério, pouca ação e criaturas gosmentas cheias de tentáculos. No decorrer do episódio, porém, pequenas cenas me fizeram mudar a relação com o episódio. São momentos que mostram um pouco mais da relações entre os personagens, principalmente com Walter, que tem ótimas cenas interagindo com Astrid e com seu filho Peter. Estes momentos fazem valer todo o episódio: a expressão de Walter quando descobre o ataque contra a agente Astrid, entre a preocupação e a culpa; a reação dela, com vergonha e raiva enquanto abraça Walter.
A trama de imigrantes chineses que são usados para hospedar um verme gigante revela um sentido muito interessante: trata-se de pessoas em busca da cura (de uma doença, de um melhor estilo de vida, de uma reabilitação social). Portanto, não poderia ser mais acertada a direção do episódio focar em Walter e sua tentativa de "auto-realização" - como diria Peter -, um esforço de auto-suficiência após completar um ano fora da instituição psiquiátrica. Walter tenta recuperar a autonomia, mas após se perder em Chinatown fica evidente que a sua recuperação está longe do fim. Sua genial solução para não depender tanto mais das pessoas é instalar um dispositivo de localização no seu pescoço e entregar o aparelho para seu filho. Uma ótima maneira de manter um maluco na coleira, certo? O que não deve impedir seus bizarros experimentos no laboratório; até mesmo uma criatura cheia de tentáculos é capaz de dar ao doutor uma sensação prazerosa quando o bicho morde o seu braço.

Astrid: Walter, você não vai fumar esta coisa.



O Observador: passa em Chinatown, logo após Walter deixar a tenda de Ming Che, quando este liga para seu capanga.
Glifos: HIDDEN.
10

"Grey Matters"

10 dezembro 19 janeiro
 
"Grey Matters" é tudo o que os fãs de Fringe queriam ver. Uma das melhores hora de drama da história da televisão. De tirar o fôlego. De cair o queixo. Simplesmente perfeito. A série retoma a trama da grande narrativa em grande estilo: com os soldados do outro mundo buscando 'as peças' para construir uma porta entre os dois mundos e usando ninguém menos que nosso querido Dr. Walter Bishop como instrumento nesta jornada.
A história é genial; ao mesmo tempo coloca a trama em progressão e revela detalhes do passado de Walter. Os soldados do outro mundo - especialmente um chamado Thomas Jerome Newton, aquele de cabeça marcada que ganhou um corpinho novo episódios atrás - estão retirando pedaços de cérebro de pessoas, tecidos de memória que foram implantados em suas cabeças para que possam se 'alimentar' e sobreviver. Walter descobre que tem também uma cicatriz na cabeça e faz um exame para ver se há pedaços implantados no seu cérebro. Mas o resultado é ainda mais surpreendente: são na verdade de Walter os pedaços removidos de memória. O que significa que Jerome precisa do doutor para ler e interpretar as informações contidas nestes tecidos.
John Noble entrega mais uma belíssima interpretação, fazendo-nos emocionar com as diversas provoções de Walter neste episódio. E este é um capítulo dedicado a ele. Logo de início, Walter depara com seu passado no hospício, com a possibilidade de encontrar uma cura para os casos de demência (a busca pela sensação de liberdade). Em seguida, o doutor precisa enfrentar as causas e os motivos que o levaram para a clínica; seus descobrimentos científicos, a porta para o outro mundo, a morte de Peter (o 'nosso') e o rapto do Peter do lado de lá - ações tão perigosas que fizeram Bell arrancar partes da memória de Walter. Chocante! Para o seu próprio bem, Walter não reteve nenhuma dessas memórias. Nem Olivia conseguiu os registros do experimento. Mas pelo menos nós assistimos a este magnífico episódio, não é mesmo? Do qual podemos fazer ainda alguns questionamentos: terá Bell agido por bem arrancando as memórias de Walter? E qual é ligação de Jerome com Bell - como ele soube dos pedaços de cérebro do Walter?

Momento "Fringe": a conserva de pedaços de cérebro em outros cérebros!
Obsessão alimentar de Walter: asas de frango, principalmente após sobreviver de um envenenamento.



O Observador: do outro lado da rua, quando Peter segue o sinal do chip de Walter e desce as escadas para o banheiro.
Glifos: PORTAL.
11

"Unearthed"

11 janeiro 09 fevereiro
 
Sinceramente, não estava muito empolgado com a exibição deste episódio 'perdido' de Fringe. Era óbvio que a história não daria continuidade na grande narrativa desta segunda temporada e seria apenas mais um caso-avulso para a equipe liderada pela agente Olivia. O episódio, que fora gravado para fazer parte da segunda metade da primeira temporada, ficou guardado na lata até agora. Por quê? Não sei dizer o motivo. Mas, para o bem ou para o mal, é um ótimo episódio. Em primeiro lugar, pela oportunidade de rever o saudoso agente Charlie Francis em ação. Segundo, porque a história é realmente interessante e envolvente, que permite boas interpretações do elenco, em especial a dupla de atrizes convidadas para os papéis de mãe e filha. O episódio começa com o renascimento da menina Lisa, na mesa de cirurgia, durante procedimento de retirada de seus órgãos para doação. A garota volta à vida compartilhando a consciência de um tal oficial Andrew Rusk, assassinado no mesmo momento em que Lisa passava pela procedimento cirúrgico. Logo cabe à divisão Fringe descobrir os mistérios que colocaram a mente do oficial dentro da cabeça da menina. Nada muito elaborado (para os padrões da série, claro!), mas bastante eficiente.

Walter: Por favor, permita-me um momento para entreter minhas fantasias. Elas geralmente conduzem a uma verdade.



O Observador: passa atrás de Olivia quando a agente encontra mãe e filha na saída da Igreja.
Glifos: AVENGE.
12

"Johari Window"

14 janeiro 23 fevereiro
 
Antes de ir ao ar, o episódio se chamava "Edina City Limits". Era um título melhor. A cena em que Walter mostra para Astrid ("Asterix") o efeito de percepção nos limites da cidade de Edina representa bem a série; e o título funcionaria como síntese do episódio. Assim também como a insistência da placa da cidade, que volta e meia aparece na tela marcando o número populacional (sempre constante, para o incômodo de Peter), parece mais significativa. O episódio constrói muito bem o suspense sobre a cidade: a trama revela as pistas nos tempos certos, o roteiro surpreende e o final é bem resolvido. Como um caso-avulso funciona muito bem; possivelmente está entre os melhores episódios que não se conectam com a grande narrativa. Porém, parece que faltou sutileza na condução da história. Neste sentido, "Edina City Limits" talvez entregasse demais a aproximação com a mitologia da série; Edina é quase um mundo paralelo - sitiada, e com seus próprios 'monstros'. A decisão de mudar o título para "Johari Window" tenta conduzir a análise para as relações dos personagens, para a maneira como cada um percebe o outro. Parece até interessante, mas os diálogos são tão forçados que estragam o jogo; Olivia e Peter discutem que o trabalho deixa-os mais 'anormais', Walter agradece Peter por "vê-lo de certa maneira". Talvez esperasse menos anormalidade, menos monstros ou jogos de percepção; enfim, menos casos-avulsos. E como não há motivos para reclamar muito do episódio, impliquei com o novo título. Não se engane, "Johari Window" é um ótimo episódio. Estou apenas na expectativa de ver outro "Grey Matters" logo.



O Observador: atrás da população quando o xerife discursa sobre a presença dos agentes.
Glifos: MUTATE.
13

"What Lies Below"

21 janeiro 09 março
 
Eu me diverti bastante assistindo este episódio de Fringe, mas é possível fazer duras críticas à narrativa. Primeiro porque não há de original nesta história; um plano de contenção após um vírus desconhecido matar pessoas dentro de um prédio. A trama coloca a equipe do departamento Fringe para investigar o misterioso vírus, e claro, o time de agentes fica dividido com Peter e Olivia do lado de dentro do prédio enquanto Walter e Astrid ficam para fora, logo que a causa das mortes é descoberta. Então que Peter seria contaminado e Walter faria 'o inimaginável' para descobrir uma cura para o vírus é ainda mais previsível. Acontece que o elenco se entrega com tanta devoção nesta narrativa que todo episódio fica muito melhor de assistir. Quem mais chama a atenção aqui é Peter, sofrendo com os sintomas suicidas do vírus. Na melhor cena deste capítulo, Olivia precisa enfrentar Peter descontrolado, que tenta a todo custo escapar do prédio (e portanto espalhar o vírus na cidade). A luta entre os dois agentes e amigos é emocionante; muito bem realizada dramaticamente. No entanto, é apenas mais um caso-avulso e também não é um dos mais inspirados. A mitologia da série é tão maior e mais interessante; parece que estes episódios-avulsos não estão sabendo aproveitar os elementos 'inacreditáveis', 'do impossível' em suas tramas. Esta percepção fica mais evidente neste episódio pois não há nada muito surpreendente no ataque: a trama poderia muito bem se passar em uma outra série de investigação, não é mesmo?! Preocupa-me que estes casos possam reduzir a importância da mitologia, algo tão bem construído na primeira temporada. Aqui, o mais perto que chegamos de discutir a grande narrativa da série é quando Walter confessa, sem querer, para Astrid que não pode deixar Peter morrer novamente. É pouco, queremos mais.



O Observador: passa atrás do diretor do CDC quando ele sugere um plano de erradicação de nível 6.
Glifos: WINDOW.
14

"The Bishop Revival"

28 janeiro  
 
"The Bishop Revival" deve servir de exemplo para os episódios com casos avulsos da série. Apesar de não se relacionar diretamente com a grande trama (aguarde o próximo episódio!), há vários elementos importantes nesta história que ampliam o universo de Fringe. O caso apresenta uma sucessão de ataques biológicos realizados por um agente nazista - que não envelheceu! - a partir de uma toxina manipulada; Alfred Hoffman consegue direcionar os seus ataques escolhendo as características genéticas do grupo que pretende exterminar. Bem nazista e bem engenhoso. Porém, enquanto a equipe do departamento Fringe investiga o último ataque, Alfred reconhece os traços de Walter e prepara um plano de emergência caso o doutor descubra a sua identidade. Então, o episódio nos surpreende ao explorar uma narrativa 'sem solução': Walter desconfia que a toxina foi desenvolvida pelo seu pai enquanto trabalhava infiltrado nas forças nazistas, mas os livros da família com estes registros foram vendidos por Peter quando Walter estava internado no hospital psiquiátrico. A conexão estava lá, mas Walter e os agentes não viram; apesar de não sabermos como Alfred conseguiu a fórmula de Robert Bishoff (que mudou de nome quando entrou nos Estados Unidos), fica claro que os dois se conheceram na Alemanha nazista. Nós descobrimos isso, mas os personagens não. Assim, o episódio elabora com precisão o confronto entre Alfred e Walter; antes que Alfred realize o ataque no congresso da diversidade (ou antes mesmo de revelar como sobreviveu todos estes anos sem envelhecer), Walter usa a mesma toxina com o DNA do nazista para sufocá-lo em meio a multidão. Simplesmente por ser um caso-avulso com pontas soltas na narrativa, sem amarras no ato final, este já seria um episódio bem acima da média. Acontece que este é também um dos melhores casos de Fringe, com uma história que prende a atenção do começo ao fim, amarrada em um roteiro brilhante.

Walter: Astrid, você pode vir aqui por um minuto, querida? Que cor é esta?
Astrid: O sangue? É azul!
Walter: Ótimo. Então, eu não estou imaginando isso.



O Observador: Passa do lado de fora da lanchonete, na janela, no instante anterior ao ataque, enquanto Alfred conversa com mãe e filha e prepara o seu chá de canela mortal.
Glifos: FATHER.
15

"Jacksonville"

04 fevereiro  
 
Universos paralelos estão em alta essa semana. Depois da estréia da última temporada de Lost, Fringe apresenta neste episódio a nova ação de Thomas Jerome Newton na tentativa de criar uma porta entre os dois mundos da série. O vilão consegue transportar um prédio do 'mundo de lá' (onde descobrimos que o 11 de setembro aconteceu, mas em vez de destruir as Torres Gêmeas, derrubou a Casa Branca!) para a Manhattan de cá (da diegese mais conhecida da série). A abertura mostra o momento deste transporte e as consequências físicas da colisão; os efeitos colaterais deste encontro são de virar o estômago (Astrid não é capaz de examinar o corpo da última vítima, mesmo após tantos experimentos ao lado de Walter!). Assim que Walter relaciona o fênomeno com os experimentos que ele e William Bell realizaram no passado, o cientista explica que nas próximas horas um prédio (ou um corpo com a mesma quantidade de massa) deverá ser transportado para o lado de lá; como uma substituição, que deverá manter o equilíbrio entre os dois mundos paralelos. Bizarro, não? E emocionante! Pois logo Walter sugere que Olivia é a única capaz de descobrir em que local essa substituição ocorrerá: dos experimentos com cortexiphan em crianças, Olive mostrou os melhores resultados para enxergar o outro lado. Acontece que Olivia não é mais a mesma: os anos de treinamento e de profissão moldaram sua personalidade forte, incapaz de sentir medo. Essa é a barreira que a agente deverá superar para conseguir salvar a vida de centenas de pessoas. Através do experimento de Walter para amplificar os sentimentos de Olivia, conhecemos mais do mundo interior da agente, uma metáfora perfeita da sua dificuldade de reconhecer a criança que foi nas mãos dos cientistas. O resultado do experimento fracassa, à princípio, pela dureza de Olivia. É assim que a série amplia as regras de sua mitologia e desenvolve as relações dos personagens. A surpresa - tão agradável de admitir - é que o episódio escolheu avançar a história de Olivia, sua real protagonista, em vez de explorar os Bishops, que tantas vezes roubam a cena. Dessa forma, o retorno a Jacksonville, local dos antigos experimentos de Walter e Bell, é muito bem-vindo: é uma maneira de reposicionar/reconectar Olivia (e nós) com a grande trama da série. Olivia é obrigada a enfrentar o seu passado, rever as suas habilidades e relembrar aquilo que a memória reprimiu. Nesta jornada, interpretada com extrema competência pela atriz Anna Torv, Olivia aprende a sentir medo novamente; desta vez, medo do fracasso. O momento em que Olivia percebe o sentimento aflorar não poderia ser mais significativo; prestes a receber um beijo de Peter. Olivia corre para identificar o prédio que deverá sumir em instantes; com a ajuda dos equipamentos de monitoramento da Massive Dynamics - inclusive do divertido técnico Brandon -, a catástrofe maior é evitada, mas a teoria de Walter se mostra correta. Olivia viu o portal, e a relação de equivalência prevaleceu. O cientista, porém, deverá enfrentar as consequências dos seus experimentos e das revelações. Para comemorar o resultado da operação, Peter marca um encontro com Olivia, mas assim que ela chega na casa dos Bishops, a agente consegue ver que seu fiel parceiro não é desse mundo. Walter pede para Olivia não contar nada para seu filho, mas será que depois de tudo que Walter fez para a agente, ela vai guardar segredo? A reação de Olivia é mais uma vez perfeita; chocada com a descoberta e um tanto desapontada com Walter. É uma pena ter que esperar por dois meses para ver a continuação dessa história.

Momento "Fringe": a chegada do prédio do mundo de lá e os corpos 'agrupados'.
Obsessão alimentar de Walter: pretzels, mesmo quando Olivia passa por um momento insconstante no experimento.



O Observador: na frente do prédio 'do outro mundo', quando os agentes estão chegando de carro.
Glifos: REVEAL.
16 "Peter" 01 abril  
   
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Veja também:
Fringe: os mistérios e o universo da série de J.J. Abrams

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