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Publicado em: 21/05/2010 |
A segunda temporada de Fringe contém 23 episódios.
| # | Título: | Exibição original (EUA): |
No Brasil: | ||
| 01 | "A New Day in the Old Town" |
17 setembro | 27 outubro | ||
O melhor retorno do ano. Com o final da primeira temporada, uma das melhores cenas já vistas na TV, a expectativa era grande para saber a continuação do encontro de Olivia com Bell. O caminho seguido pela série, porém, não nos revela o conteúdo dessa conversa, e sabiamente, nos provoca com mais dúvidas e mistérios sobre a mitologia da série. A segunda temporada começa no acidente provocado pelo retorno, em grande estilo, de Olivia do universo paralelo. Desmemoriada, Olivia é internada enquanto Peter, Walter e a agente federal Jessup (Meghan Markle, a novata na série) investigam os desdobramentos do acidente. E mais uma vez, as investigações nos levam ao inimaginável.
O universo estabelecido pela série parece já tão amplo que poucas seriam as surpresas da história. E elas existem! Mas, o acerto aqui é não enveredar pelas explicações e assumir a diversão dos casos e das ameaças. Por isto, parodiar Arquivo X funciona tão bem. E as maluquices de Walter serem tão divertidas de assistir. Se por um lado as cenas mais chocantes envolvem a grande narrativa da série (como o retorno de Olivia no meio de Manhattan ou a perseguição ao espetacular metamorfo), as cenas que permanecem na memória envolvem os personagens nos seus momentos mais íntimos. E não faltam boas cenas neste episódio, principalmente com Walter preocupado em fazer uma receita especial para o aniversário de Peter; uma torta que Walter insiste ser o preferido de Peter enquanto criança, mesmo que este não se recorde do doce. Perfeitamente escrito e dirigido, este é possivelmente o melhor episódio da série e um excelente começo para o ano. Enquanto as interpretações de Anna Torv (Olivia) e Joshua Jackson (Peter) não me convenciam na primeira temporada, aqui finalmente eles se equiparam ao extraordinário John Noble (Walter). Também é ótima a participação do agente Charlie Frances, e mesmo com a demissão do ator Kirk Acevedo, é possível esperar um retorno do "agente" em algum momento. Parece injustificável escalar uma nova agente de campo no seu lugar caso a história de Charlie acabe por aqui. Jessup vai ter que suar muito para se encaixar na história, e não adianta rezar nem ler a bíblia. Substituir um personagem querido do público como Charlie precisa de muito esforço e dedicação (e um pouquinho mais de piração). Momento "Fringe": uma conversa com a máquina de escrever do além. Obsessão alimentar de Walter: pudim "custard" (não gostar de flan pode ser um problema semântico).
O Observador: no primeiro minuto, passa pelo acidente quando o metamorfo sai carro. Glifos: TOWER. |
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| 02 | "Night of Desirable Objects" |
24 setembro | 03 novembro | ||
Então estou assistindo ao segundo episódio dessa temporada, aparentemente inofensivo na grande trama (universos paralelos, divisão fringe), similar a alguns capítulos da primeira temporada que envolviam monstros e criaturas bizarras... quando reparo algo extramamente perturbador em Walter. Seu olho direito brilha diferente quando uma luz frontal atinge seu rosto. Há um machucado, uma marca logo abaixo da irís. Não é possível ver em todas as cenas, depende da iluminação e da posição em cena. Mas definitivamente está lá... zombando de mim.
A sensação é parecida ao ver 'Charlie' em cena, mesmo depois do anúncio da demissão do ator (que só participaria do primeiro episódio). Será tudo parte dos planos dos produtores e criadores da série? Será que há muito mais por trás dos acontecimentos (também) nesta temporada? É impossível não notar a grande ironia que é este episódio: o caso do filho que não está no caixão, uma criatura que vive no subterrâneo e que foi modificada pelo pai. Estes detalhes propõem alguns questionamentos sobre a série nesta temporada; afinal, será que voltamos - com Olivia - para o universo 'correto'? Por que Olivia não perguntou nada sobre Bell para Nina? Alguma idéia? Alguma teoria? O Observador: no campo, do lado de fora da casa de Hughes, na sequência em que a agente Jessup encontra a bíblia. Glifos: MIRROR. |
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| 03 | "Fracture" |
01 outubro | 10 novembro | ||
O bonito discurso de Peter no final de "A New Day in the Old Town", afirmando que a partir de agora o departamento Fringe não vai apenas limpar a sujeira e correr atrás dos incidentes, mas que vai estar à frente dos acontecimentos foi um tanto apressado. Este episódio demonstra um pouco a diferença de postura, e - felizmente ou não - o resultado não difere muito do estabelecido pela série. Afinal, a explosão do primeiro homem-congelado-bomba de fato acontece nos primeiros minutos, para a alegria de Walter. Porém, em vez do caso chegar diretamente ao departamento, é Astrid que descobre os mistérios da explosão e convoca a investigação. Não muda muita coisa, certo?
O episódio transcorre aparentemente como mais um "caso-avulso", aqueles que não se conectam com a grande trama ou que revelam muitas informações sobre os personagens. Mesmo assim, o caso desse episódio é muito interessante (há quem goste dos monstros como o episódio anterior, eu prefiro este), usando mais uma vez o ser humano como arma ("The Road Not Taken"). O quebra-cabeças humano permite as ótimas pontuações cômicas de Walter, que reconstrói os pedaços do explodido e testa produtos químicos em uma melancia enquanto busca um apartamento maior para morar (já que Peter não aguenta mais acordar com Walter dançando pelado). A investigação leva Olivia e Peter ao Iraque e, no decorrer da trama, Olivia começa a ter flashes do acidente/viagem. As memórias e dores de cabeça fazem com que Olivia procure Sam (o contato de Nina) na pista de boliche. Com a sua ajuda, Olivia abandona de vez o andador e - fiquei com a impressão - rolou um clima entre os dois. Para ficar ainda melhor, a resolução do caso nos coloca novamente na grande trama da série (com uma sensação que esta deveria ser a continuação lógica do primeiro episódio da temporada); "eles estão aqui fazendo observações bem debaixo dos nossos narizes". Será o Coronel nosso vilão da temporada? O David Robert Jones da segunda temporada? A melhor notícia é que há só uma sequência para os eventos da série: a revelação da conversa de Olivia com Bell. Momento "Fringe": o teste com a melancia no laboratório. Obsessão alimentar de Walter: comer hamburguer na frente da vaca Gene é um insulto!
O Observador: nos últimos minutos, coletando uma maleta com fotos de Walter. Glifos: BURIAL. |
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| 04 | "Momentum Deferred" |
08 outubro | 17 novembro | ||
"Oww, here we go!" O sino toca. É hora de Olivia voltar para toca de William Bell, o universo paralelo onde o onze de setembro de dois mil e um foi um dia como qualquer outro. Em uma brilhante armação do roteiro, combinando a memória da protagonoista e a deformação temporal que lhe trouxe de volta, revela-se a preciosa conversa de Bell e Olivia; cheia de revelações, atuações inquietantes e estouros de luz na lente.
O caso que leva ao desvelamento de Bell e a tempestade que está por vir envolve os metamorfos e a busca por uma cabeça congelada contendo uma marca no escalpo. Esta caça ao tesouro começa com o ataque a um laboratório de criogenia, onde um desses agentes do outro lado acaba baleado. Seu corpo se distingue dos outros mortos pela excreção de mercúrio - para a alegria e o deleite de Walter, o responsável pela investigação que liga o mercúrio aos metamorfos e ao decoy (a pista falsa) de Charlie apresentada no primeiro episódio da temporada. A corrida contra o tempo pela sobrevivência de Olivia e a captura da cabeça marcada ocorre num crescente suspense, em ação eletrizante, e uma boa dose de humor e emoção. Walter é o equilíbrio dessa equação, com suas divertidas experimentações e o comovente relacionamento com Rebecca. Peter aparece menos, mas sem perder importância. Em alguns momentos a trama dá indícios sobre a verdadeira origem do personagem; afinal, o que Rebecca percebeu nele? Ela é capaz de ver que Peter é do outro universo? Mas o destaque é mesmo Olivia, em uma interpretação cuidadosa de Anna Torv, bastante eficaz nas cenas de ação e simplesmente perfeita nos diálogos com Leonard Nimoy (Willem Bell) e Blair Brown (Nina Sharp). Uma melhora significativa em relação à temporada passada. Sua Olivia está cada vez mais próxima dos espectadores: "Eles o mataram por quê?". Um episódio perfeito, que possivelmente marca a despedida de um grande personagem (ou de um ator, o personagem não era mesmo; como queira), e introduz outros rostos (a cabeça com o símbolo não parece do Ralph Fiennes? Ei, o Voldemort!!); definitivamente um marco para a trajetória da série. Momento "Fringe": a cabeça 'marcada' se reconstituindo. Obsessão alimentar de Walter: morango é um bom tira-gosto para acompanhar os vermes.
O Observador: acompanha o encontro de Olivia com 'Charlie' na frente da Massive Dynamic, após a conversa com Nina. Glifos: MEMORY. |
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| 05 | "Dream Logic" |
15 outubro | 24 novembro | ||
Os acontecimentos do episódio anterior foram marcantes, tanto que os personagens ainda estão digerindo suas implicações. Principalmente Olivia, que procura Sam para contar que recuperou a memória, ao mesmo tempo em que demonstra a sua tristeza pela morte de Charlie. Sam sugere para Olivia um jogo de anagrama, como forma de Olivia encontrar as respostas que está procurando.
Sam: Queira você admitir ou não, a sua vida está sendo um pesadelo. O caso de pessoas que entram em uma espécia de transe e cometem assassinatos leva o trio protagonista para Seattle. O ambiente faz Walter se sentir mal, lembrando a clínica psiquiátrica onde esteve internado, e ele pede imediatamente o retorno para Boston. Ou será que foi o próprio caso que o deixou angustiado? Terá Walter se identificado com a monstruosidade do caso? Walter: A turbulência sobre Ohio foi como estar na barriga de uma baleia capturada. Eu gritava como uma garotinha! Astrid: Tenho certeza que isso foi bom para os outros passageiros. A investigação faz Peter lembrar do mantra que repetia antes de dormir para evitar pesadelos; um em especial, com seu pai. Neste momento, Olivia confessa a difícil relação que tinha com seu padrasto, um alcóolatra que se transformava em outra pessoa quando bebia. As histórias do passado dos personagens são mais importantes do que o caso do episódio em si; você sabe aonde quero chegar. Mas será que Peter está pronto para escutar toda a história de Walter? Ou vamos ter que esperar até o final da temporada?
O Observador: aos vinte e seis minutos, descendo as escadas da clínica. Glifos: BETRAY. |
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| 06 | "Earthling" |
05 novembro | 01 dezembro | ||
A sequëncia de abertura - aquela que antece os créditos iniciais e apresenta o caso da semana - de "Earthling" é uma das mais arrepiantes da série. O ataque da 'sombra humana' contra o bom-moço Randy em seu apartamento é muito bem construído; tenso, dramático e com efeitos visuais de cair o queixo (as cinzas de Randy!).
O caso é assustador: uma entidade que incorporou em um astronauta russo enquanto ele estava no espaço. A investigação tem um peso emocional para Broyles, que estudava as estranhas mortes causadas pela 'sombra' quatro anos atrás e é o motivo pelo qual entrou na divisão Fringe (e porque terminou seu casamento). Com a ajuda de Walter para decifrar a fórmula do organismo, Broyles tem a chance de exterminar a 'sombra' do astronauta e fechar de uma vez por todas o caso (será?). O episódio funciona como um caso-avulso, com poucas informações novas sobre a grande trama da série e a sua mitologia particular. Como nota a menina no final: "Havia um homem. Um homem-sombra. Ele desapareceu". O que não significa que seja um episódio menor. Há ótimas construções de cena, como Broyles no restaurante com um garoto imitando seus movimentos; um momento singelo e humano, que antece a trama da 'sombra' com esperteza. Sem falar em Walter, na excelente interpretação de John Noble, ótimo em todas as suas cenas (tentando desvendar a fórmula, ou "esta mulher tentadora"). O que funciona menos para mim é o envolvimento político com CIA e a menção de uma Fringe russa, mas felizmente esta discussão não consome muito tempo de tela. Momento "Fringe": o 'Sombra' e os corpos em cinzas.
O Observador: no aeroporto, passando atrás de Broyles pelo portão 43, enquanto ele conversa com Olivia no telefone. Glifos: DEJAVU. |
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| 07 | "Of Human Action" |
12 novembro | 08 dezembro | ||
Através da história do menino Tyler, Fringe analisa a relação entre Walter e Peter, trazendo aos poucos o passado dos Bishops e criando situações de espelhamento com o próprio momento da série. O caso do sequestro de Tyler coloca a equipe em contato com Nina Sharp e a Massive Dynamic, onde trabalha o pai do garoto. A visita às instalações da empresa deixa Walter maravilhado com os 73 laboratórios, mas também paranóico com a possibilidade de estarem lendo seus pensamentos (Astrid também toma medidas de precaução!). A investigação das imagens e dos corpos resultantes do sequestro revelam a capacidade de controle de mente e Walter precisa encontrar uma forma de bloquear este sistema. O cientista acredita que a manipulação acontece por frequências sonoras e usa um urso de brinquedo de Peter que emite ruído branco para cortar a frequência. O que ninguém esperava era que Tyler, através da ingestão de um coquetel de medicamentos ativara esta habilidade de controlar mentes e planejou o seu próprio sequestro. Com o fracasso da aparelhagem de Walter, Tyler consegue levar Peter no seu plano de encontrar a sua mãe. A aproximação dos dois personagens revela um processo de identificação e espelhamento - evidente para nós espectadores, armados com informações sobre a verdadeira origem de Peter. Mas também o sequestro de Peter tem um forte impacto emocional em Walter que "não pode perdê-lo novamente".
O episódio revela ainda mais detalhes da Massive Dynamic. Com as cenas finais de Nina enviando um relatório para Bell sobre o caso de Tyler, voltamos a desconfiar das boas intenções da empresa. A sequência ainda revela as etapas de evolução do que parece ser uma fábrica de garotos Tyler (inteligência artificial?), cujo propósito é justamante o estudo da habilidade de controlar mentes. Nina informa que o projeto foi um sucesso, apesar da tentativa do garoto de contactar a sua mãe 'de aluguel': "Você estava certo, controlar mentes é possível". Momento "Fringe": o embaralhador de consciência de Walter.
O Observador: Logo no início do episódio durante a perseguição dos carros da polícia, parado na calçada antes dos carros subirem para o estacionamento. Glifos: ARRIVE. |
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| 08 | "August" |
19 novembro | 15 dezembro | ||
Para um episódio que revela um pouco mais da história do Observador, que traz novos elementos para a mitologia da série; o resultado é meio decepcionante. Falta suspense e ação neste capítulo. E mesmo as novas informações - os vários Observadores, por exemplo - são reveladas sem muito alarde ou surpresa. Assim, "August" fica em uma zona cinzenta, entre a grande narrativa da série e os casos-avulsos (de importância moderada). Descobrimos que o 'nosso' Observador, aquele que acompanhamos desde a primeira temporada, se chama September. E que há vários outros como ele (doze seria um bom palpite, certo?) observando e coletando informações sobre acontecimentos de grande impacto na humanidade. Quando o Observador August se apaixona por um humana e decide poupar a sua vida de uma tragédia, uma anomalia 'no tempo' é criada, fazendo os outros observadores exigirem a correção dos eventos. August deixa pistar para Walter (a pimenta-rei no caderno de anotações) como forma de encontrar apoio para o seu plano de salvar a moça. Todos estes recursos são improváveis demais, e a narrativa fica comprometida, progredindo em soluços.
Em compensação, há algumas coisas bem interessantes neste episódio. A primeira delas é a volta da sobrinha de Olivia, que proporciona momentos bem afetuosos entre as duas. É uma maneira de nos lembrar da vida pessoal da agente, daquilo que é a sua normalidade. Outro que retorna é o cientista 'geek' Brandon da Massive Dynamic, sempre muito orgulho de suas capacidades. A sua explicação sobre como vivem os observadores - como eles vêem o tempo - é ótima (às vezes, o líquido escorre para fora do tubo?). Este coadjuvante poderia crescer na série, suas participações são sempre divertidas. Ainda, Walter faz nos lembrar da sua dívida com September, quando encontra August no restaurante e pede para eles não levarem seu filho embora. Mas quando Peter confronta Walter sobre a verdade dos Observadores, Walter muda de assunto e volta para o seu milkshake de morango: a expressão de desapontamento em Peter é perfeita, da qual compartilhamos ao final do episódio. A solução da trama - com o sacrifício de August para salvar a sua humana - não poderia ser mais clichê, mas ainda assim consegue ser relevante. Pode ser que a morte do obervador sirva para alguma coisa na guerra que está por vir (na tempestade prevista por Bell); afinal, August criou sentimentos pela humana. Por fim, é preciso comentar a cena final: com Olivia e a sua sobrinha na montanha-russa sendo observadas por September. "Olha como ela está feliz. É uma pena que as coisas estão por ficar bem difíceis para ela"; alguma idéia do que pode acontecer? E, será o comentário sobre Olivia ou sobre Ella? Obsessão alimentar de Walter: o Morango Supremo, milkshake de morango da sua sorveteria favorita; ou, a sua versão caseira, sorvete de baunilha francês com xarope para tosse.
Glifos: BLIGHT. |
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| 09 | "Snakehead" |
03 dezembro | 12 janeiro | ||
Após os primeiros minutos de "Snakehead", quando ficou claro para mim que este seria apenas mais um caso-avulso e sem nenhuma ligação com a grande mitologia da série, fiquei bastante aborrecido. Minha expectativa de assistir logo as resoluções da 'tempestade por vir' ou do 'Peter alternativo' traz uma enorme frustração quando me deparo com este tipo de episódio. Os casos-avulsos dificilmente são tão interessantes quanto a grande trama da série. Dito isso, "Snakehead" tinha tudo para me decepcionar: pouco mistério, pouca ação e criaturas gosmentas cheias de tentáculos. No decorrer do episódio, porém, pequenas cenas me fizeram mudar a relação com o episódio. São momentos que mostram um pouco mais da relações entre os personagens, principalmente com Walter, que tem ótimas cenas interagindo com Astrid e com seu filho Peter. Estes momentos fazem valer todo o episódio: a expressão de Walter quando descobre o ataque contra a agente Astrid, entre a preocupação e a culpa; a reação dela, com vergonha e raiva enquanto abraça Walter.
A trama de imigrantes chineses que são usados para hospedar um verme gigante revela um sentido muito interessante: trata-se de pessoas em busca da cura (de uma doença, de um melhor estilo de vida, de uma reabilitação social). Portanto, não poderia ser mais acertada a direção do episódio focar em Walter e sua tentativa de "auto-realização" - como diria Peter -, um esforço de auto-suficiência após completar um ano fora da instituição psiquiátrica. Walter tenta recuperar a autonomia, mas após se perder em Chinatown fica evidente que a sua recuperação está longe do fim. Sua genial solução para não depender tanto mais das pessoas é instalar um dispositivo de localização no seu pescoço e entregar o aparelho para seu filho. Uma ótima maneira de manter um maluco na coleira, certo? O que não deve impedir seus bizarros experimentos no laboratório; até mesmo uma criatura cheia de tentáculos é capaz de dar ao doutor uma sensação prazerosa quando o bicho morde o seu braço. Astrid: Walter, você não vai fumar esta coisa.
O Observador: passa em Chinatown, logo após Walter deixar a tenda de Ming Che, quando este liga para seu capanga. Glifos: HIDDEN. |
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| 10 | "Grey Matters" |
10 dezembro | 19 janeiro | ||
"Grey Matters" é tudo o que os fãs de Fringe queriam ver. Uma das melhores hora de drama da história da televisão. De tirar o fôlego. De cair o queixo. Simplesmente perfeito. A série retoma a trama da grande narrativa em grande estilo: com os soldados do outro mundo buscando 'as peças' para construir uma porta entre os dois mundos e usando ninguém menos que nosso querido Dr. Walter Bishop como instrumento nesta jornada.
A história é genial; ao mesmo tempo coloca a trama em progressão e revela detalhes do passado de Walter. Os soldados do outro mundo - especialmente um chamado Thomas Jerome Newton, aquele de cabeça marcada que ganhou um corpinho novo episódios atrás - estão retirando pedaços de cérebro de pessoas, tecidos de memória que foram implantados em suas cabeças para que possam se 'alimentar' e sobreviver. Walter descobre que tem também uma cicatriz na cabeça e faz um exame para ver se há pedaços implantados no seu cérebro. Mas o resultado é ainda mais surpreendente: são na verdade de Walter os pedaços removidos de memória. O que significa que Jerome precisa do doutor para ler e interpretar as informações contidas nestes tecidos. John Noble entrega mais uma belíssima interpretação, fazendo-nos emocionar com as diversas provoções de Walter neste episódio. E este é um capítulo dedicado a ele. Logo de início, Walter depara com seu passado no hospício, com a possibilidade de encontrar uma cura para os casos de demência (a busca pela sensação de liberdade). Em seguida, o doutor precisa enfrentar as causas e os motivos que o levaram para a clínica; seus descobrimentos científicos, a porta para o outro mundo, a morte de Peter (o 'nosso') e o rapto do Peter do lado de lá - ações tão perigosas que fizeram Bell arrancar partes da memória de Walter. Chocante! Para o seu próprio bem, Walter não reteve nenhuma dessas memórias. Nem Olivia conseguiu os registros do experimento. Mas pelo menos nós assistimos a este magnífico episódio, não é mesmo? Do qual podemos fazer ainda alguns questionamentos: terá Bell agido por bem arrancando as memórias de Walter? E qual é ligação de Jerome com Bell - como ele soube dos pedaços de cérebro do Walter? Momento "Fringe": a conserva de pedaços de cérebro em outros cérebros! Obsessão alimentar de Walter: asas de frango, principalmente após sobreviver de um envenenamento.
O Observador: do outro lado da rua, quando Peter segue o sinal do chip de Walter e desce as escadas para o banheiro. Glifos: PORTAL. |
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| 11 | "Unearthed" |
11 janeiro | 09 fevereiro | ||
Sinceramente, não estava muito empolgado com a exibição deste episódio 'perdido' de Fringe. Era óbvio que a história não daria continuidade na grande narrativa desta segunda temporada e seria apenas mais um caso-avulso para a equipe liderada pela agente Olivia. O episódio, que fora gravado para fazer parte da segunda metade da primeira temporada, ficou guardado na lata até agora. Por quê? Não sei dizer o motivo. Mas, para o bem ou para o mal, é um ótimo episódio. Em primeiro lugar, pela oportunidade de rever o saudoso agente Charlie Francis em ação. Segundo, porque a história é realmente interessante e envolvente, que permite boas interpretações do elenco, em especial a dupla de atrizes convidadas para os papéis de mãe e filha. O episódio começa com o renascimento da menina Lisa, na mesa de cirurgia, durante procedimento de retirada de seus órgãos para doação. A garota volta à vida compartilhando a consciência de um tal oficial Andrew Rusk, assassinado no mesmo momento em que Lisa passava pela procedimento cirúrgico. Logo cabe à divisão Fringe descobrir os mistérios que colocaram a mente do oficial dentro da cabeça da menina. Nada muito elaborado (para os padrões da série, claro!), mas bastante eficiente.
Walter: Por favor, permita-me um momento para entreter minhas fantasias. Elas geralmente conduzem a uma verdade.
O Observador: passa atrás de Olivia quando a agente encontra mãe e filha na saída da Igreja. Glifos: AVENGE. |
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| 12 | "Johari Window" |
14 janeiro | 23 fevereiro | ||
Antes de ir ao ar, o episódio se chamava "Edina City Limits". Era um título melhor. A cena em que Walter mostra para Astrid ("Asterix") o efeito de percepção nos limites da cidade de Edina representa bem a série; e o título funcionaria como síntese do episódio. Assim também como a insistência da placa da cidade, que volta e meia aparece na tela marcando o número populacional (sempre constante, para o incômodo de Peter), parece mais significativa. O episódio constrói muito bem o suspense sobre a cidade: a trama revela as pistas nos tempos certos, o roteiro surpreende e o final é bem resolvido. Como um caso-avulso funciona muito bem; possivelmente está entre os melhores episódios que não se conectam com a grande narrativa. Porém, parece que faltou sutileza na condução da história. Neste sentido, "Edina City Limits" talvez entregasse demais a aproximação com a mitologia da série; Edina é quase um mundo paralelo - sitiada, e com seus próprios 'monstros'. A decisão de mudar o título para "Johari Window" tenta conduzir a análise para as relações dos personagens, para a maneira como cada um percebe o outro. Parece até interessante, mas os diálogos são tão forçados que estragam o jogo; Olivia e Peter discutem que o trabalho deixa-os mais 'anormais', Walter agradece Peter por "vê-lo de certa maneira". Talvez esperasse menos anormalidade, menos monstros ou jogos de percepção; enfim, menos casos-avulsos. E como não há motivos para reclamar muito do episódio, impliquei com o novo título. Não se engane, "Johari Window" é um ótimo episódio. Estou apenas na expectativa de ver outro "Grey Matters" logo.
O Observador: atrás da população quando o xerife discursa sobre a presença dos agentes. Glifos: MUTATE. |
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| 13 | "What Lies Below" |
21 janeiro | 09 março | ||
Eu me diverti bastante assistindo este episódio de Fringe, mas é possível fazer duras críticas à narrativa. Primeiro porque não há de original nesta história; um plano de contenção após um vírus desconhecido matar pessoas dentro de um prédio. A trama coloca a equipe do departamento Fringe para investigar o misterioso vírus, e claro, o time de agentes fica dividido com Peter e Olivia do lado de dentro do prédio enquanto Walter e Astrid ficam para fora, logo que a causa das mortes é descoberta. Então que Peter seria contaminado e Walter faria 'o inimaginável' para descobrir uma cura para o vírus é ainda mais previsível. Acontece que o elenco se entrega com tanta devoção nesta narrativa que todo episódio fica muito melhor de assistir. Quem mais chama a atenção aqui é Peter, sofrendo com os sintomas suicidas do vírus. Na melhor cena deste capítulo, Olivia precisa enfrentar Peter descontrolado, que tenta a todo custo escapar do prédio (e portanto espalhar o vírus na cidade). A luta entre os dois agentes e amigos é emocionante; muito bem realizada dramaticamente. No entanto, é apenas mais um caso-avulso e também não é um dos mais inspirados. A mitologia da série é tão maior e mais interessante; parece que estes episódios-avulsos não estão sabendo aproveitar os elementos 'inacreditáveis', 'do impossível' em suas tramas. Esta percepção fica mais evidente neste episódio pois não há nada muito surpreendente no ataque: a trama poderia muito bem se passar em uma outra série de investigação, não é mesmo?! Preocupa-me que estes casos possam reduzir a importância da mitologia, algo tão bem construído na primeira temporada. Aqui, o mais perto que chegamos de discutir a grande narrativa da série é quando Walter confessa, sem querer, para Astrid que não pode deixar Peter morrer novamente. É pouco, queremos mais.
O Observador: passa atrás do diretor do CDC quando ele sugere um plano de erradicação de nível 6. Glifos: WINDOW. |
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| 14 | "The Bishop Revival" |
28 janeiro | 23 março | ||
"The Bishop Revival" deve servir de exemplo para os episódios com casos avulsos da série. Apesar de não se relacionar diretamente com a grande trama (aguarde o próximo episódio!), há vários elementos importantes nesta história que ampliam o universo de Fringe. O caso apresenta uma sucessão de ataques biológicos realizados por um agente nazista - que não envelheceu! - a partir de uma toxina manipulada; Alfred Hoffman consegue direcionar os seus ataques escolhendo as características genéticas do grupo que pretende exterminar. Bem nazista e bem engenhoso. Porém, enquanto a equipe do departamento Fringe investiga o último ataque, Alfred reconhece os traços de Walter e prepara um plano de emergência caso o doutor descubra a sua identidade. Então, o episódio nos surpreende ao explorar uma narrativa 'sem solução': Walter desconfia que a toxina foi desenvolvida pelo seu pai enquanto trabalhava infiltrado nas forças nazistas, mas os livros da família com estes registros foram vendidos por Peter quando Walter estava internado no hospital psiquiátrico. A conexão estava lá, mas Walter e os agentes não viram; apesar de não sabermos como Alfred conseguiu a fórmula de Robert Bishoff (que mudou de nome quando entrou nos Estados Unidos), fica claro que os dois se conheceram na Alemanha nazista. Nós descobrimos isso, mas os personagens não. Assim, o episódio elabora com precisão o confronto entre Alfred e Walter; antes que Alfred realize o ataque no congresso da diversidade (ou antes mesmo de revelar como sobreviveu todos estes anos sem envelhecer), Walter usa a mesma toxina com o DNA do nazista para sufocá-lo em meio a multidão. Simplesmente por ser um caso-avulso com pontas soltas na narrativa, sem amarras no ato final, este já seria um episódio bem acima da média. Acontece que este é também um dos melhores casos de Fringe, com uma história que prende a atenção do começo ao fim, amarrada em um roteiro brilhante.
Walter: Astrid, você pode vir aqui por um minuto, querida? Que cor é esta? Astrid: O sangue? É azul! Walter: Ótimo. Então, eu não estou imaginando isso.
O Observador: Passa do lado de fora da lanchonete, na janela, no instante anterior ao ataque, enquanto Alfred conversa com mãe e filha e prepara o seu chá de canela mortal. Glifos: FATHER. |
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| 15 | "Jacksonville" |
04 fevereiro | 06 abril | ||
Universos paralelos estão em alta essa semana. Depois da estréia da última temporada de Lost, Fringe apresenta neste episódio a nova ação de Thomas Jerome Newton na tentativa de criar uma porta entre os dois mundos da série. O vilão consegue transportar um prédio do 'mundo de lá' (onde descobrimos que o 11 de setembro aconteceu, mas em vez de destruir as Torres Gêmeas, derrubou a Casa Branca!) para a Manhattan de cá (da diegese mais conhecida da série). A abertura mostra o momento deste transporte e as consequências físicas da colisão; os efeitos colaterais deste encontro são de virar o estômago (Astrid não é capaz de examinar o corpo da última vítima, mesmo após tantos experimentos ao lado de Walter!). Assim que Walter relaciona o fênomeno com os experimentos que ele e William Bell realizaram no passado, o cientista explica que nas próximas horas um prédio (ou um corpo com a mesma quantidade de massa) deverá ser transportado para o lado de lá; como uma substituição, que deverá manter o equilíbrio entre os dois mundos paralelos. Bizarro, não? E emocionante! Pois logo Walter sugere que Olivia é a única capaz de descobrir em que local essa substituição ocorrerá: dos experimentos com cortexiphan em crianças, Olive mostrou os melhores resultados para enxergar o outro lado. Acontece que Olivia não é mais a mesma: os anos de treinamento e de profissão moldaram sua personalidade forte, incapaz de sentir medo. Essa é a barreira que a agente deverá superar para conseguir salvar a vida de centenas de pessoas. Através do experimento de Walter para amplificar os sentimentos de Olivia, conhecemos mais do mundo interior da agente, uma metáfora perfeita da sua dificuldade de reconhecer a criança que foi nas mãos dos cientistas. O resultado do experimento fracassa, à princípio, pela dureza de Olivia. É assim que a série amplia as regras de sua mitologia e desenvolve as relações dos personagens. A surpresa - tão agradável de admitir - é que o episódio escolheu avançar a história de Olivia, sua real protagonista, em vez de explorar os Bishops, que tantas vezes roubam a cena. Dessa forma, o retorno a Jacksonville, local dos antigos experimentos de Walter e Bell, é muito bem-vindo: é uma maneira de reposicionar/reconectar Olivia (e nós) com a grande trama da série. Olivia é obrigada a enfrentar o seu passado, rever as suas habilidades e relembrar aquilo que a memória reprimiu. Nesta jornada, interpretada com extrema competência pela atriz Anna Torv, Olivia aprende a sentir medo novamente; desta vez, medo do fracasso. O momento em que Olivia percebe o sentimento aflorar não poderia ser mais significativo; prestes a receber um beijo de Peter. Olivia corre para identificar o prédio que deverá sumir em instantes; com a ajuda dos equipamentos de monitoramento da Massive Dynamics - inclusive do divertido técnico Brandon -, a catástrofe maior é evitada, mas a teoria de Walter se mostra correta. Olivia viu o portal, e a relação de equivalência prevaleceu. O cientista, porém, deverá enfrentar as consequências dos seus experimentos e das revelações. Para comemorar o resultado da operação, Peter marca um encontro com Olivia, mas assim que ela chega na casa dos Bishops, a agente consegue ver que seu fiel parceiro não é desse mundo. Walter pede para Olivia não contar nada para seu filho, mas será que depois de tudo que Walter fez para a agente, ela vai guardar segredo? A reação de Olivia é mais uma vez perfeita; chocada com a descoberta e um tanto desapontada com Walter. É uma pena ter que esperar por dois meses para ver a continuação dessa história.
Momento "Fringe": a chegada do prédio do mundo de lá e os corpos 'agrupados'. Obsessão alimentar de Walter: pretzels, mesmo quando Olivia passa por um momento insconstante no experimento.
O Observador: na frente do prédio 'do outro mundo', quando os agentes estão chegando de carro. Glifos: REVEAL. |
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| 16 | "Peter" |
01 abril | 13 abril | ||
Em mais um episódio marcante, Fringe revela com todos os detalhes como o Peter 'de lá' veio parar 'aqui'. Marcante é pouco; histórico talvez seja a palavra adequada para classificar este episódio. A sequência de abertura nos coloca em 1985, quando Walter demonstra sua nova descoberta para militares americanos: um equipamento que cria uma janela para espiar o outro mundo, a realidade alternativa descoberta por Walter e William Bell. Do outro lado, vemos uma Manhattan onde dirigíveis estacionam no Empire State Building, e onde os celulares já usam a tecnologia digital. Com os créditos de abertura, sabemos que este não será apenas um episódio que trata da mitologia da série, mas que será surpreendente em todos os níveis e sentidos. Após Olivia descobrir no final do último episódio que Peter é na verdade a sua versão 'alternativa', Walter aparece na porta da sua casa, pedindo que explique os eventos de um quarto de século atrás. Assim, Olivia compartilha da nossa perspectiva, enquanto espectadores, julgando as ações do passado de Walter. Há muito tempo esperávamos conhecer essa história dos Bishops; desde a revelação do sequestro do outro Peter, nosso sentimento em relação a Walter era conflituoso. A jornada que acompanhamos neste episódio é bastante emocionante, logo que a dor de perder um filho se torna o tema principal da história. A trama consegue justificar todas as ações de Walter, mostrando que suas experiências científicas - até aquele momento - era motivadas por um sentimento mais do que humano: o amor de um pai pelo seu filho doente. Walter descobre, através de sua janela para o outro mundo, que o outro Walter (o Walternativo, excelente nome por sinal) não percebeu que havia descoberto a cura para a doença de Peter. No exato momento em que a fórmula reagiu, o Observador Setembro entrou no laboratório e desviou a atenção do cientista. Acompanhando tudo do lado de cá, Walter decide preparar a fórmula e levar para o mundo alternativo, na esperança de salvar pelo menos um Peter. Seu plano quase é interrompido pela sua assistente Dr. Carla Warren e pela jovem Nina Sharp, que tentam impedí-lo de atravessar para o outro lado. Enquanto Warren cita Oppenheimer para convencer Walter do perigo dessa travessia, Nina tenta segurar o cientista a força. Nina consegue derrubar o cientista, mas não impede a travessia; Walter passa pelo portal (ainda que tenha perdido a fórmula) e Nina tem parte do seu braço afetado pela energia do portal. A única solução que Walter encontra para salvar o Peter de lá é trazê-lo para o seu mundo. A história serve para mostrar que a motivação de Walter de raptar Peter foi nobre; não foi portanto uma atitude egoísta (não muito, por assim dizer) de um pai que não aceitava a morte do filho. O que Walter queria era que Peter sobrevivesse 'em algum lugar', mesmo que não ao seu lado. Mas depois desses acontecimentos, nada mais será como antes. Walter se responsabiliza pelo início dos eventos do 'Padrão', justificando-os pela expansão da membrana que separa os dois mundos. Com essa história, o episódio traz vários questionamentos sobre a grande narrativa e a mitologia da série: como Walternativo lidou com o rapto do seu filho?; esse personagem sabia da existência do mundo de cá ou veio a descobrir depois do rapto?; poderá ser esse personagem um vilão, responsável pelos ataques no lado de cá?; Walternativo fez experiência com cortexiphan na Olivia de lá?; será que ele não estará vigiando Peter através de uma outra janela? O episódio mostra também como os observadores participam do mundo alternativo; e surpresa, eles também estão lá... observando! Da mesma maneira como controlam o lado de cá, os observadores precisaram resolver do descuido de Setembro, que mudou os eventos futuros com sua presença no laboratório de Walternativo. Setembro se compromete ao salvar Walter e Peter, revelando que "o garoto é importante e precisa viver". Essa dívida de Walter com Setembro já era conhecida, mas o mistério sobre essas figuras fica cada mais instigante.
Glifos: PETERS. |
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| 17 | "Olivia. In the Lab. With the Revolver" |
08 abril | 20 abril | ||
Depois das várias revelações e do progresso da história nos últimos dois episódios, nada mais será o mesmo em Fringe; nem mesmo os chamados casos-avulsos. As relações entre os personagens foram abaladas, principalmente no núcleo familiar formado pela agente Olivia Dunham e os dois Bishops. É o que faz este episódio ficar todo especial. Entre o desenvolvimento do caso, Olivia precisa lidar com o pedido de segredo por Walter sobre a origem de Peter, gerando uma série de conflitos na agente. A idéia de Olivia procurar Sam (achei que ela tinha desistido do boliche!) para desabafar é genial; ainda sabemos pouco sobre o personagem, mas a química entre os dois funciona e Sam pode servir como um interesse romântico da agente. A cena em que os dois jogam Detetive de madrugada é o maior charme.
Olivia. Na sala de estar. Com o castiçal. O caso 'da semana' no Departamento Fringe também não é completamente 'avulso'. A investigação mostra que o sujeito responsável pelas mortes está diretamente relacionado às experimentações com cortexiphan. James Heath foi uma das crianças de Jacksonville, como Olivia; o efeito das drogas no seu corpo possibilitou que James trocasse energia com outros colegas (algo que Walter explicou usando a lenda do 'toque da morte' e a prática do sexo tântrico). Doente terminal de câncer, James descobriu que através do toque com pessoas que passaram por Jacksonville poderia extrair energia vital e ganhar assim tempo de vida. É portanto uma questão de tempo até James chegar em Olivia. Mas Olivia saberá a identidade do sujeito quando ele chegar no seu apartamento? A sequência que mostra a resolução do caso é tensa, de ficar na beirada da poltrona. O epílogo ainda revela uma informação interessante sobre as ações de James; de que alguém apareceu no seu leito hospitalar e 'ativou' sua habilidade (com a qual poderia se curar do câncer). Isso não cheira a ZFT? Será que James foi usado como arma ou anúncio da guerra que está por vir entre os dois mundos? Então, onde estão as outras crianças de Jacksonville? Obsessão alimentar de Walter: Taffy, enquanto assa no forno um pedaço de pele de uma vítima para identificar as impressões digitais do assassino.
O Observador: atravessa a rua bem na frente do carro de Miranda, pouco antes dela morrer. Glifos: ENERGY. |
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| 18 | "White Tulip" |
15 abril | 27 abril | ||
Em um surpreendente caso que nunca aconteceu, Fringe elabora uma excelente discussão sobre ciência e fé; Deus se manifesta inexplicável e poderoso diante dos céticos cientistas que protagonizam esta história. A profundidade da questão, o respeito e o cuidado da série ao abordar esse tema, já seriam motivos suficientes para olhar com carinho esse episódio. Digo isso porque fui pego desavisado do seu conteúdo e fiquei completamente magnificado com sua força e expressão. O tratamento metafórico da questão através da tulipa branca é de uma beleza estonteante, que vai além da racionalidade. A história é cheia de significados sobre como Walter está se preparando para contar toda a verdade para Peter sobre a origem, sua doença e seu rapto da outra realidade. A abertura parece nos dizer que este é um caso que ocorre enquanto Walter se prepara para fazer esta revelação: um hiato, um caso-avulso da mitologia. De certa forma, história se costura sobre e neste intervalo de tempo; da reflexão de Walter no momento em que escreve uma carta-confissão para seu filho. É possível sugerir diferentes leituras sobre a apresentação deste caso, mas admirá-lo em seu estado bruto - sem entregar o ouro ou lapidar seus implicações - parece dizer mais. "White Tulip" é um dos episódios mais belos e profundos que a televisão americana já fez.
Walter: Eu também tentei ao inimaginável, e consegui: cruzei para um outro universo, e roubei um filho que não era meu. E desde então, não passo um dia sem sentir o peso desse ato. Vou lhe dizer uma coisa que eu nunca disse para alma alguma. Até eu pegar meu filho do outro lado, eu nunca tinha acreditado em Deus. Mas ocorreu-me que... minhas ações O traíram e tudo o que tem acontecido para mim desde então é Deus que está me punindo. Então agora eu estou procurando um sinal de perdão. Eu pedi a Deus um sinal de perdão. Um sinal específico: uma tulipa branca.
O Observador: vê o momento exato do acidente que mata Alistair Peck e sua noiva. Glifos: SECRET. |
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| 19 | "The Man from the Other Side" |
22 abril | 11 maio | ||
Thomas Jerome Newton e os soldados metamorfosos do outro mundo estão de volta, e com eles, mais revelações sobre a espetacular mitologia de Fringe. É algo inacreditável a progressão da trama dessa temporada; da excelente dramaturgia à capacidade da série de sempre nos surpreender com novos mistérios. Neste episódio temos de tudo um pouco (e em alta intensidade!): a missão de Newton é trazer o 'Secretário' do mundo de lá para o nosso, envolvendo nesta ação um elaborado plano de sincronizar os dois mundos. Enquanto Newton e um par de soldados do outro mundo plantam dispositivos para gerar ondas que sincronizem os dois mundos, Olivia e a sua equipe do Departamento Fringe correm contra o tempo para desvendar os planos de Newton. O esforço da equipe em descobrir o objetivo de Newton rende as melhores explicações sobre o funcionamento desses universos; principalmente nas exposições de Brandon (da Massive Dynamics) e de Walter. Ao montar seu tripé de energia, Newton consegue - finalmente - estabilizar a passagem entre os mundos (naquilo que ele falhou em "Jacksonville"); mas antes de completar sua missão de trazer o 'Secretário' com segurança, Thomas Jerome terá que enfrentar a resistência elaborada por Walter para neutralizar o sinal e embaralhar a sincronia dos dois mundos. O clímax coloca Peter no meio do experimento, sofrendo as interferências dos sinais; ao mesmo tempo em que assiste a chegada de um homem do outro mundo, Peter percebe que não deveria sobreviver aquela exposição e que a única razão disso acontecer é porque tanto ele quanto o homem que chegou na ponte não são desse mundo. O episódio termina com uma ótima cena dramática do confronto de Peter sobre a sua origem com Walter (alguém mais pensou que quando Olivia disse 'bem-vindo de volta', Peter poderia teria passado para o mundo alternativo?); como era de esperar, Peter reagiu com raiva sobre estas revelações. Para onde ele foi e o que pretende fazer de agora em diante? Mais imediato, porém, é o questionamento sobre quem será este tal de 'Secretário'? O pensamento instantâneo sobre a identidade do chefe de Newton é que se trata de Walternativo. Mas será que seu objetivo é recuperar Peter, se vingar de Walter ou poderá ser um plano ainda maior? A mitologia fica ainda mais interessante se considerarmos que William Bell esteve este tempo todo no mundo de lá, provavelmente combatendo ou pelo menos neutralizando as tentativas de Walternativo de cruzar para este mundo. Por isso os seus avisos sobre a guerra que está por vir (para Olivia) e seu temor sobre a presença de soldados metamorfos no mundo como conhecemos (lembramos ainda que a cabeça de Newton esteve 'perdida' neste mundo até os soldados encontrarem aquela com a marca ômega, em "Momentum Deferred"). Fazer de Walternativo o grande vilão da série não poderia ser mais interessante; como ele tem passado os últimos anos sem Peter e como descobriu o mundo de cá?
Momento "Fringe": A noção de portal entre os dois mundos já era conhecida, então destaco o embrião de um soldado metamorfo com mal formação como o momento mais bizarro do episódio. Obsessão alimentar de Walter: fatiar pão; a memória humana é melhor ativada quando executa atividades cotidianas.
O Observador: está no banco quando Thomas Jerome Newton chega para falar com seu soldado transmutado. Glifos: BRIDGE. |
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| 20 | "Brown Betty" |
29 abril | 18 maio | ||
Em determinado momento do conto de Walter - fruto de uma imaginação alta em Brown Betty, uma mistura toda particular de espécies de maconha - quando a detetive particular Olivia Dunham encontra o cientista Walter no seu laboratório (que contém entre outras coisas, corpos que cantam e dançam, e onde a vaca Gene usa bolinhas coloridas por todo o seu corpo), um pensamento passou pela minha cabeça: estamos no mundo alternativo?! Foi apenas por um instante, mas a idéia me paralisou naquele momento; é o Walternativo na cadeira de rodas, ele não tem um coração! Ok, a narrativa deixa evidente desde o princípio que esta história é uma fábula criada por Walter para a pequena Ella (nada melhor do que o laboratório do tio Walter para uma criança passar um tempo, não é mesmo?!). Mas se o episódio não representa um avanço sobre a mitologia da série (e ela vem em um crescente arrebatador ultimamente!), a história é perfeita para "ocupar o tempo" sobre o desaparecimento de Peter e relatar o sentimento de Walter; os elementos presentes na fábula simbolizam com muita sensibilidade o momento de Walter e, de quebra, revela um pouco mais da visão do personagem sobre os acontecimentos do(s) mundo(s). Neste sentido, algumas cenas surpreendem e merecem destaque: a conversa entre Nina Sharp e William Bell (em uma incrível versão animada!) e o ataque dos Observadores contra Peter e Olivia. Walter continua vendo a Massive Dynamics como a grande vilã, e os observadores trabalham para Nina Sharp? Ou, como o final da sua fábula revela, terá o Dr. Walter corrompido a todos? Brown Betty é mesmo um episódio diferente: um musical, um noir, um du look, uma trip; deliciosamente surpreendente, carregado em significados e representações sobre a própria série. Um primor de qualidade da série, e um bem-vindo respiro para a grande narrativa da série (você está preparado para o final de temporada?).
O Observador: "O garoto não voltou e eu não acredito que o Dr. Bishop lembre do meu aviso. Sim, eu estou preocupado, também". Glifos: HEART. |
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| 21 | "Northwest Passage" |
06 maio | 25 maio | ||
Os eventos neste episódio se concentram na fuga de Peter e na investigação que ele se envolve enquanto procura as respostas sobre a sua origem e o seu papel para o equilíbrio dos dois mundos. A história é excelente para mostrar o questionamento do personagem; da sua percepção sobre o inexplicável e da descoberta do interesse de Newton em sua pessoa. A ótima ambientação e o bom trabalho dos atores não é suficiente, porém, para esconder alguns buracos de roteiro: ora, será que a policial que acompanha Peter neste episódio aceitou todas as teorias dele sobre os assassinatos? Se o responsável pelas mortes não era Newton, a policial não deveria investigar com mais cuidado a suposta paranóia do jovem Bishop? Ok, são apenas pequenos detalhes que pouco importam para grande narrativa que se desenrola na temporada, mas deixam uma sensação de incompletude para o episódio.
De qualquer forma, a narrativa acerta ao combinar a investigação de procedimento 'comum' com elementos da ciência 'fringe'. A mitologia da série - tão difícil de entender e de explicar para a policial - aparece, como um fantasma, na presença de Newton nesta história. Para Peter, encontrar o metamorfo significa ter as respostas sobre a sua própria origem. Decidido a capturar o sujeito sem a ajuda do FBI, Peter passa todo o episódio elaborando justificativas para manter a confiança da sua nova parceira policial. Mas quais eram as chances de Peter capturar Newton sem Olivia? Nenhuma, certo?! Com a conclusão do caso, parecia certo que Newton nada tinha a ver com os assassinatos. Peter se despede e vai finalmente descansar (Newton poderia ser uma alucinação!). Eis que o metamorfo aparece no quarto de hotel de Peter no meio da noite e apresenta o 'Secretário'! Walternativo: Oi, filho!
O Observador: está no meio da multidão perto da lanchonete quando Peter chega e descobre que a garçonete sumiu. Glifos: RETURN. |
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| 22 | "Over There, Part 1" |
13 maio | 01 junho | ||
Ainda durante a produção da primeira temporada de Fringe, os produtores da série conduziram uma pesquisa para saber a opinião dos espectadores; o resultado fez com eles adiantassem a trama sobre o 'padrão' e revelassem naquele season finale o mundo alternativo. Os produtores admitiram que aquela história estava prevista originalmente para encerrar a terceira temporada da série, mas a decisão agradou tanto os fãs como a crítica que foram presenteados com esta alucinante segunda temporada. Dessa forma, podemos analisar este "Over There" como a história que foi esboçada para encerrar a série. Certamente o confronto entre os dois mundos é o evento mais esperado da série e este eletrizante episódio corresponde às expectativas sobre o desenvolvimento da história. Mas a trama vai além, surpreende, emociona e amplia ainda mais o instigante universo da série.
O episódio é chocante desde a primeira cena com a chegada do departamento Fringe 'do lado de lá' para investigar um evento que pode estar relacionado às brechas entre os dois mundos. Assim, conhecemos Bolivia, a Olivia alternativa, que também faz parte da equipe de investigação da ciência fringe naquele mundo paralelo. Junto com ela trabalham outros dois agentes: Lincoln Lee e, claro, a versão alternativa de Charlie! As versões alternativas das personagens apresentam todas elas diferenças notáveis em relação às suas contrapartes do lado 'de cá'. Bolivia é mais sorridente que Olivia, além de ter um relacionamento (aparentemente) estável em casa; Broyles é um chefe mais durão no mundo alternativo; e Astrid tem uma função mais importante no Departamento do que sua versão 'babá de Walter'. A trama apresenta então os acontecimentos que levaram Olivia e sua equipe a cruzar para o outro lado: Peter foi levado pelo seu pai Walternativo para o mundo paralelo. Logo, o Observador Setembro deixa para Olivia um papel com a representação de um mecanismo (uma arma) e um desenho do que parece ser Peter com fogos (ou apenas fumaça) saindo dos seus olhos. A imagem indica para Walter a necessidade de recuperar Peter do outro lado. Olivia pode ser a pessoa mais preparada para atravessar os mundos sem sofrer danos; como sabemos através de Brandon, o divertido técnico da Massive Dynamic, o corpo se desintegra completamente nessa travessia e as moléculas são reagrupadas do outro lado. Das crianças que foram manipuladas com Cortexiphan, Olivia foi quem apresentou os melhores resultados. Mas a Massive Dynamic foi capaz de ajudar alguns dos colegas de Olivia; personagens que conhecemos anteriormente como ameaças pela falta de controle de suas habilidades e que voltam em boa forma nesta trama. São eles: James Heath (o sujeito que passava câncer pelo toque em "Olivia. In the Lab. With the Revolver", que transformou sua habilidade para a cura), a incendiária Sally Clarke e Nick Lane (o empático de "Bad Dreams", da primeira temporada). Juntos, eles formam a equipe que ajudará Olivia e Walter a recuperar Peter do outro lado. Ou pelo menos essa era a intenção, já que no momento em que atravessam para o outro lado os colegas de Olivia começam a perder o controle de suas habilidades. O primeiro deles, James Heath, sobrevive por muito pouco tempo no mundo alternativo; o personagem morre com a mesma rapidez das suas vítimas naquele episódio. Olivia e o restante da equipe vão ao encontro de William Bell, na esperança que ele tenha recebido o recado de Nina Sharp. Porém, o Departamento Fringe foi alertado pelo Secretário de Defesa Walternativo (!) sobre a verdade por trás da ameaça (do manifesto ZFT, das brechas entre os dois mundos e da presença de agentes que cruzaram os dois mundos). Lee, Bolivia e Charlie conseguem interceptar Olivia antes da chegada de Bell e o ataque (em pleno Central Park desta Nova York alternativa) termina de forma explosiva; Olivia e Walter fogem, cada um para um lado, mas Walter foi gravamente ferido no processo (por Bolivia). Depois de tanta adrenalina, o episódio acerta ainda um tom emocional e significativo que justifica toda a história: Olivia segue para o apartamento de Bolivia e espia de fora a vida da versão alternativa. O que, afinal, motiva Olivia a resgatar Peter do mundo alternativo, não é mesmo? Toda esta história nos mostra como a série pode seguir na próxima temporada; as possibilidades são infinitas e empolgantes. A maneira como os realizadores amarraram a grande narrativa neste episódio atesta o planejamento cuidadoso que eles têm com a série. É um prazer todo especial acompanhar uma série bem realizada e feita com respeito. A semana que vem promete com a segunda parte deste final de temporada! Será que vamos conhecer as versões alternativas de Bell e Nina Sharp? Podemos reencontrar John Scott no mundo de lá? Qual - ou como - será a importância de Peter? Este episódio deixa também algumas perguntas: Lee conhecia a versão alternativa de Nick?; qual é o significado das tatuagens de Bolivia e seu namorado?; e do que sofre o Charlie-alternativo?
Glifos: WEAPON. |
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| 23 | "Over There, Part 2" |
20 maio | 01 junho | ||
Se na primeira parte de "Over There" a viagem para a realidade alternativa e a ação neste outro mundo causaram fascínio, neste segundo capítulo do season finale o foco está nos personagens, seus dramas e suas relações. A história não surpreende como o episódio anterior, mas também não decepciona. O final é adequado e corresponde às expectativas sobre a direção da trama, do arco narrativo da série e do desenvolvimento dos personagens. É exatamente este o caminho indicado no final da primeira parte: após a euforia da passagem para o lado de lá, a trama assume uma abordagem mais sensível sobre os personagens nesta jornada. Do que vale o trabalho extraordinário do elenco principal, que imprime com precisão as emoções dos seus personagens. No caso de Walter e Olivia, é admirável a expressão dos atores que interpretam duas versões/variações da mesma persona (Walter/"Walternativo"; Olivia/"Bolivia"); John Noble tem cenas excelentes ao lado de Leonard Nimoy, mas é Anna Torv quem mais surpreende aqui pela sutileza com que constrói suas personagens. Não é apenas o visual que muda entre as duas Olivias, o background das personagens também se difere de um mundo para o outroo e a atriz consegue expressar essas diferenças através de nuances na atitude e na postura de cada representação. Não esquecemos, por exemplo, que Olivia já perdeu a mãe enquanto Bolivia não tem mais a irmã nem viu a sobrinha nascer. O passado das personagens contamina a interpretação da atriz e explode magnificamente na tela. O confronto das duas Olivias é um dos momentos mais eletrizantes do episódio, com direito a uma intensa luta entre as duas. Mas nem uma nem outra tinham a intenção de puxar o gatilho contra sua própria imagem, certo? Há identificação e consentimento demais entre as duas; a solução de nossa Olivia é nocautear Bolivia e emprestar seu visual para resgatar Peter. Quando Olivia finalmente encontra Peter e conta tudo o que sabe sobre o plano de Walternativo de exterminar o mundo de cá, os dois parceiros se beijam. Ainda que o relacionamento dos dois não seja algo pelo qual torcemos, o beijo é muito bem justificado pelas experiências de Olivia nesse outro mundo. O fato de Olivia conhecer sua outra versão (e o relacionamento estável que essa mantém em casa) abriu seus olhos para os sentimentos que tem por Peter. Mas outra reviravolta na história colocará o relacionamento dos protagonistas em xeque. Com a ajuda de William Bell e Walter Bishop, Olivia e Peter estão prontos para voltar para o mundo "de cá" quando o Departamento Fringe e o Secretário de Defesa Walternativo cercam o local da brecha e tentam impedir que o grupo volte. No meio do tiroteio, porém, ocorre uma explosão e Bell é convencido de que Olivia detonou uma de suas granadas. Bell se sacrifica ao ajudar o trio a cruzar para o outro lado, enquanto os agentes daquele mundo se aproximam. O que os personagens não percebem é que não foi Olivia quem voltou a este mundo, mas a sua outra versão, B-Olivia. A nossa Olivia ficou do lado "de lá", capturada e mantida em cativeiro por Walternativo. Bolivia, "desse" lado, informa através da máquina de escrever que a operação foi bem-sucedida e aguarda novas ordens; a máquina - ou a imagem dela no espelho - começa a datilografar uma mensagem. Qual é a missão da agente neste mundo? Qual será o impacto da sua presença do lado de cá? E como a personagem vai lidar com Peter?
A troca das Olivias é a trama mais interessante que deve ser desenvolvida na próxima temporada, mas também outras perguntas ficam no ar e sugerem a ampliação da mitologia da série. Walternativo se revela mesmo como o grande vilão da história, querendo usar seu filho para destruir o outro mundo. Entre um Walter e o outro existem muitas diferenças e muitas semelhanças que deverão ser tratadas com mais profundidade quando a série retornar. Vimos aqui que Walter pode ser responsabilizado por uma série de eventos destruidores no mundo de lá, consequências diretas do rapto de Peter quando criança; de áreas inteiras em quarentena a regiões devastadas e sem vida. É muita culpa para um homem só. Como forma de aliviar o seu próprio sofrimento, Walter acusa Bell de enriquecer com a tecnologia do outro lado e de tirar pedaços do seu cérebro. Bell responde que criar a Massive Dynamic não foi idéia sua (de quem foi então, Nina Sharp?) e que só tirou partes do cérebro de Walter porque ele assim pediu. Esse é possivelmente o último episódio de William Bell - que morre para salvar Walter e Peter -, e encerra a carreira do ator Leonard Nimoy (descobrimos também que a versão alternativa de Bell morreu ainda jovem em um acidente de carro, antes mesmo de conhecer Walter Bishop). É uma bela despedida, ainda que prematura; o personagem deverá ser sempre mencionado devido a sua importância para a história. Como era o seu trabalho para o Walternativo, por exemplo? Qual foi a relação que eles criaram? Walternativo sempre soube da origem de Bell? Parece que Walternativo serviu de exemplo para Bell sobre, em suas palavras, em que Walter estava se tornando. Não sentimos mais pena de Walternativo como antes: a sua vilania está estabelecida. A guerra entre os dois mundos apenas começou e deve se intensificar na próxima temporada de Fringe, com uma Olivia e um Walter de cada lado. Até lá! Glifos: WEISS.
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