Porque não se faz um épico em 100 minutos. |
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Publicado em: 23/05/2010 |
Oficialmente, o objetivo do remake é apresentar a história de Perseu para o público jovem. Extra-oficialmente, Fúria de Titãs é um produto idealizado para arrecadar pilhas de dinheiro com efeitos visuais extravagantes - principalmente depois de uma polêmica conversão para 3D na pós-produção - e aproveitar a onda de realizações que misturam elementos mitológicos com uma narrativa épica. O filme falha em todos os seus objetivos; possivelmente não se identifica com o público jovem, já que as cenas de ação não empolgam e os efeitos são horríveis; além de maltratar covardemente o filme original e o conto de Perseu.
O maior problema do filme é a direção fraca de Louis Leterrier (O Incrível Hulk): a obra parece estar toda retalhada, sem ritmo ou emoção. Há até um padrão no encadeamento das sequências: uma conversa que estabelece a história, uma cena de ação, seguido de um plano aéreo dos personagens se deslocando entre grandes paisagens. O diretor poderia aproveitar mais do péssimo roteiro, e não se render à ele. Talvez a intenção fosse mesmo criar um filme épico, com uma longa jornada do herói e grandes temas em discussão. Isso porque, apesar da impressão fraca do filme, há um conflito interessante na história que foi subaproveitado: essa é a discussão entre a esperança e o medo dos humanos, representado como a força que sustenta os deuses Zeus e Hades. A briga no Olimpo - com Liam Neeson e Ralph Fiennes nos papéis antagônicos - é o que salva o filme do esquecimento. Os deuses são assim manifestações das emoções humanas, que se materializam pela devoção ou na negação dos humanos sobre suas imagens. É uma bela mensagem, mas que precisava de um desenvolvimento mais apropriado e cuidadoso. Fúria de Titãs fica como um exemplo porque não se faz um épico em 100 minutos.
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Fúria de Titãs |
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