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Os vencedores, as surpresas e as decepções da noite. |
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Publicado em: 18/01/2010 |
Há um clichê corrente em Hollywood que afirma a chatice das noites de premiações: da longa duração aos prêmios pelos quais ninguém se interessa (a não ser, claro, os próprios indicados na categoria). Mas se tratando do Globo de Ouro, essa é uma meia-verdade; o prêmio da Imprensa Estrangeira em Hollywood ainda é uma das cerimônias mais divertidas de assistir. Longa sim, mas menos entediante que as demais. Com a apresentação de Ricky Gervais - meu comediante favorito (logo depois de Tina Fey, provavelmente) - a edição 2010 foi em geral muito agradável; a abertura do comediante foi ultrajante, como se espera do seu humor sempre polêmico (e muito sincero!). Ricky não poupou seus colegas atores, com ótimas brincadeiras com Colin Farrell, Mel Gibson e Halle Berry.
A noite ficou marcada também pelas duras críticas dirigidas à rede NBC, que transmitiu a premiação nos EUA. A emissora levou a pior; do tapete vermelho embaixo de chuva aos discursos inflamados dos atores que reclamaram da decisão do canal de cancelar os programas roteirizados no horário das 10 no último ano (decisão que a emissora se arrependeu; para a próxima temporada novos programas serializados voltam a ocupar a grade do canal). Não faltaram piadas sobre a disputa contratual que se estabeleceu na emissora entre Jay Leno e Conan O'Brien; Leno que estava com seu talk-show no horário das 10 deverá ocupar o horário de Conan a partir de fevereiro. A péssima administração da NBC virou motivo de muita risada no Globo de Ouro.
Para quem acompanha os bastidores da produção cinematográfica e televisiva, era um prato cheio. Mas também não faltaram rostos conhecidos para atrair o público e manter o interesse na premiação. Qualquer um poderia se emocionar com o lindo discurso de Martin Scorsese após receber o prêmio Cecil B. DeMille das mãos de Robert De Niro e Leonardo DiCaprio. O diretor ressaltou a importância da restauração de obras antigas e justificou a sua sentença de que 'os filmes são as memórias do nosso tempo'.
Mas apesar de todas essas qualidades, algo se perdeu no meio do caminho. Após a homenagem ao diretor Martin Scorsese, a cerimônia deixou a espontaneidade de lado e entregou os prêmios mais 'burros' da história recente da cerimônia. E o grande culpado: James Cameron. Seu discurso de agradecimento ao receber o troféu pela direção de Avatar me fez lembrar do fiasco no Oscar do Titanic ("eu sou o rei do mundo"). A atitude do diretor continua a mesma; um tanto arrogante mesmo ao dizer que acreditava que sua ex-mulher (Kathryn Bigelow, diretora de Guerra ao Terror) levaria o prêmio (ela de fato ganhou de Cameron na premiação da crítica - Critics' Choice Awards). Até a trilha-sonora de Avatar - horrível, por sinal! -, que toca no momento do anúncio do vencedor, lembra bastante a famosa canção de Celine Dion. Esta combinação de fatores me fez pensar muito na comparação de Avatar com Titanic; como naquele ano, Avatar também é a obra mais fraca do conjunto, mas tudo é superlativo a seu respeito (o orçamento, a tecnologia e a bilheteria), quando falta conteúdo. O que nos leva a crer que o dinheiro fala mais alto; como o próprio Cameron tanto evidenciou em seu discurso. Pior que isto, ato contínuo, a narração pergunta 'será que Avatar vai levar o grande prêmio da noite?'; logo ficou evidente que a premiação para Avatar era uma maneira de se relacionar com o grande público (o mesmo que gerou o bilhão e meio de dólares nas bilheterias de todo mundo).
James Cameron pode ser o grande culpado por arruinar a noite - na minha opinião, claro - mas ele não estava sozinho. Junto com ele, o péssimo locutor - que entregava quais seriam os premiados - soltou outra bomba: será que Glee leva o prêmio de melhor série - comédia ou musical? Olha, não estou dizendo isso por adorar 30 Rock, mas por não entender o conceito de Glee. Gosto das obras de Ryan Murphy (criador da série, e também de Nip/Tuck e do filme Correndo com Tesouros, ambos ótimos!), assisto musicais com prazer, mas não consigo engolir Glee; pura Malhação, com tramas ainda mais improvavéis. Foi preciso escutar de Ryan sua explicação sobre a série; de repente o discurso é a favor da educação artística nas escolas. Sério? Não é o que eu vejo! A série também nunca foi uma unanimidade entre os críticos, diferente das suas concorrentes, que só receberam elogios em suas trajetórias. A também estreante Modern Family seria uma melhor escolha; verdadeiramente engraçada.
Mas se Glee ganhou pelos tons musicais da série, o mesmo poderia se esperar do melhor filme neste gênero, certo? Desde sua estréia, Nine não vem colhendo as melhores críticas e sua carreira já estava prejudicada, inviabilizando uma vitória. O que indicava que o lindíssimo 500 Dias com Ela, que tem lá seus momentos musicais, levaria o prêmio. Surpresa! Se Beber, Não Case provou que ainda se mantém na memória dos americanos (e que a bilheteria fala mais alto!). Como a sua estreia se deu tanto tempo atrás, achava que 'A Ressaca' já tinha passado, que era o concorrente com menos chances na categoria. Outra grande surpresa veio com o prêmio para Robert Downey Jr. por Sherlock Holmes. Assim como o ator (e a sua mulher!), acreditava em uma vitória fácil de Matt Damon por O Desinformante!. De quebra o ator fez o discurso de agradecimento mais engraçado da noite; provando que o prêmio foi justo. Por fim, para terminar com as surpresas agradáveis da noite, Dexter finalmente teve o devido reconhecimento pela Imprensa Estrangeira com prêmios para a dupla central de atores da temporada: Michael C. Hall e John Lithgow mostraram que os serial killers estão em alta. Confira a lista completa de vencedores da noite:
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Cinema: Melhor Filme - Drama: Avatar Melhor Filme - Musical ou Comédia: Se Beber, Não Case Ator em Filme de Drama: Jeff Bridges por Crazy Heart Atriz em Filme de Drama: Sandra Bullock por O Lado Cego Diretor: James Cameron por Avatar Ator em Filme Musical ou de Comédia: Robert Downey Jr. por Sherlock Holmes Atriz em Filme Musical ou de Comédia: Meryl Streep por Julie & Julia Ator Coadjuvante: Christoph Waltz por Bastardos Inglórios Atriz Coadjuvante: Mo'Nique por Preciosa Filme Estrangeiro: A Fita Branca (Alemanha) Longa de Animação: Up - Altas Aventuras Roteiro: Jason Reitman e Sheldon Turner por Amor Sem Escalas Trilha-sonora Original: Michael Giacchino por Up - Altas Aventuras Canção Original: "The Weary Kind" de Crazy Heart Televisão: Melhor Série - Drama: Mad Men Melhor Série - Musical ou Comédia: Glee Ator em Série de Drama: Michael C. Hall por Dexter Atriz em Série de Drama: Julianna Margulies por The Good Wife Ator em Série Musical ou de Comédia: Alec Baldwin por 30 Rock Atriz em Série Musical ou de Comédia: Toni Collette por The United States of Tara Ator Coadjuvante: John Lithgow por Dexter Atriz Coadjuvante: Chloe Sevigny por Big Love Mini-série ou Filme feito para a TV: Grey Gardens Ator em Mini-série ou Filme feito para a TV: Kevin Bacon por Taking Chance Atriz em Mini-série ou Filme feito para a TV: Drew Barrymore por Grey Gardens |
Em uma linha: Algo não está certo quando Sandra Bullock é a melhor atriz dramática do ano...
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