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Publicado em: 15/08/2009 |
Quando criança, vovó me contava histórias da carochinha. Imaginava que ao crescer, elas se desarticulariam do meu imaginário - agora adulto, e ficariam pelo passado, atreladas a imaginação diluída pelos anos. Mas a cada dia, confirmo que tal pensamento não passava de devaneio de criança. As histórias da carochinha permeiam o mundo e a nossa realidade mais do que julga nossa vã, ignorante, pouca e limitada filosofia.
Momento nostalgia a parte, vamos ao que viemos.
Num não tão belo dia de 1950, o - até então indigente- escritor, chamado de Lafayette Ron Hobbard na estranha galáxia Estados Unidos da América, lançou seu inglório livro: "Dianética – A Ciência Moderna da Saúde Mental".
O livro defendia a idéia de que o homem é um ser imortal e que o caminho para a sua felicidade consiste em apagar da memórias as experiências negativas (engramas). Tais lembranças seriam relançadas sobre o nosso “consciente” com freqüência durante a vida, sendo as causadoras das neuroses, psicoses e Cia Ltda. Essa metralhadora giratória cruel e desenfreada chamada mente reativa seria uma determinada parte do cérebro que agiria em um nível abaixo da consciência, sendo responsável pelos medos, sofrimentos e comportamentos irracionais. Ao eliminar a dor nessa região seria possível melhorar a condição de vida do cidadão.
O livro foi pioneiro no ramo da Auto-Ajuda – indústria que seria descoberta anos depois como nicho certo e seguro para entradas das tão desejadas verdinhas. Qual a explicação? Toda a ajuda é bem-vinda no sentido de guiar os pobres e miseráveis humanos a encontrar o tal caminho da felicidade.
Dinheiro no bolso, a obra (que não tinha nada de prima muito menos de irmã) na lista dos top 5, fama... Mas esse não era o caminho da felicidade do nosso "coleguinha". Ele queria mais.
Depois de quatro anos de estudos científicos, ele fundou sua primeira Igreja na Califórnia.
Quem sabe se, durante algum tempo, Hobbard não ficou matutando uma maneira de ganhar rios de dinheiro, e chegou a idéia lucrativa que hoje é senso comum: fundar uma igreja.
Mas para isso é sempre importante uma teoria diferente, convincente para chamar toda a gente. E lá vai ela:
Há mais de 75 milhões de anos, os planetas sofriam de um excesso populacional, tinha gente caindo pelas beiradas (qualquer semelhança com o presente é mera coincidência), quando o chefe da confederação das galáxias - um alienígena do mal chamado Xenu - resolveu dar um fim radical a esse problema: mandou uma galera para o planeta Terra e mandou fogo, ou seja, exterminou todos com bombas de hidrogênio.
Esses tediosos espíritos (thetans) ficaram perdidos, vagando pela Terra até encontrar um ser humano para infestar e, com seus poderes psíquicos, causar sofrimento - tudo a mando do tirano Xenu.
Desde então, além de escravos desse sistema capitalista assolante, também somos escravos de Xenu, o maligno do universo. Resumindo, tá dominado, tá tudo dominado !!!!
E agora José? Agora vem o melhor da história: a única pessoa que possuiria conhecimento capaz de neutralizar a influência psíquica de tal criatura e libertar as pessoas da escravidão mental, tornando - as livres seria Hobbard – The Almighty.
Pois é, minha gente, jaspion é coisa do século passado e os changeman agora fazem bico no ramo de animação de festas. A nova salvação do mundo é a Cientologia.
Essa história OVNI (origem verdadeira nunca identificada) que mais parece saída de uma história de Orson Wells, fez com que a Cientologia fosse literalmente comprada por muitos. "Seita Caras" - apenas para ricos e famosos – ela não é para o bolso de qualquer "oreia seca".
A verdade é uma única: quem é pobre ta lascado, nem direito a salvação temos, puxa vida !!! Mas quem quiser se arriscar pode lançar um borrachudo ou magnético, ou parcelar até o infinito a bagatela de 300 mil dólares para ter acesso as prodigiosas descobertas do filantropo Hobbard, e assim exorcizar seus espíritos e reconquistar sua onipotência e seu poderes divinos.
Sim, é preciso pagar pela salvação...aqueles que ainda tem crédito na praça corram antes que seja tarde, afinal esse investimento pode garantir a sua eternidade.
E tem mais, quem trouxesse novos adeptos ganharia comissão de 10% sobre tudo que eles gastassem com a Cientologia – uma espécie de marketing multi-level muito mal disfarçada.
Onde há dinheiro estará a cientologia, e, na Califórnia, que lugar melhor que Hollywood para ver as verdinhas brotarem – de preferência da calçada da fama? Pois foi por isso, no intuito de trazer credibilidade para “seita”, que Hobbard desenvolveu um projeto específico para as celebridades – os famosos sedentos por fazerem parte de um seleto grupo e trazerem um pouco de excentricidade a sua vida cheia de luxo, compromissos e relações vazias combinavam com o credo egocêntrico – onde não há uma divindade superior, mas a possibilidade para que cada indivíduo se torne seu próprio Deus.
A partir daí foram só adesões: John Travolta, Tom Cruise, Michael Jackson, Juliette Lewis, Anne Archer, Lisa Presley...
Carregando um rastro de polêmica e sendo perseguido e achincalhado em diversos países, ao se ver frente a morte, em nome da salvação da humanidade que tanto o tripudiara, assim como Elvis – The Pelvis, Hobbard não morreu: se mudou para uma galáxia distante, de onde poderia continuar seus estudos científicos e tentar otimizar seus talentos a fim de aniquilar a influência psíquica que seu quase parceiro de negócios Xenu exercia sobre seus compatriotas, enquanto suas tarefas in loco foram delegadas a David Miscavige, que hoje continua a expandir o império que – reza a lenda - já transcende um patrimônio de R$ 800 milhões, com adeptos em mais de 156 países. Saída perfeita para manter a entrada da plata, que funcionou a contento, com uma ajudinha extra: telefones grampeados, espionagem, obtenção de informações sigilosas fazem parte do contrato de adesão - ferramentas de convencimento muito uteis quando é cogitado o desligamento por um dos fiéis.
Afinal, há sempre algo de podre no reino da Dinamarca.
E aí, que tal unir-se a Igreja Virtual do Hacker Intergaláctico, alguém se habilita?
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Na psoríase passada:
Três Patetas en la Luna: os 40 anos da fictícia chegada do homem na Lua
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