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O novo Fright Night nunca será Fright Night. |
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Publicado em: 10/10/2011 |
Uma ousadia chamar de Fright Night essa releitura pouco convincente. Os nomes foram mantidos, mas os papéis foram invertidos e os personagens completamente desfigurados.
Evil Ed: o personagem mais marcante do filme original, do cárismático “Evil” torna-se um nerd insuportável, chantagista e sem carisma algum. Não se encontra chance alguma de simpatizar com o novo Ed. Charley é também um nerd, só que idiota, que ignora e despreza seus antigos melhores amigos, “Ed” (não dá nem pra chamar o novo personagem pelo nome do antigo sem sentir vergonha) e Adam (que morre logo no começo do filme), na tentativa de encontrar novos amigos e conquistar a namorada Amy. Peter Vincent, The Vampire Killer, vira Peter Vincent, O Babaca. No filme original o personagem era um charlatão covarde, sim. Mas era um charlatão covarde ingênuo e carismático. O novo Peter Vincent é um bêbado estúpido sem personalidade alguma. É triste ver no que transformaram um dos melhores personagens do filme: andando constantemente com um copo de bebida na mão, tratando a mulher (que nem existe no filme original, e não deveria existir no novo) como um objeto, vestido de Van Helsing da era moderna, e que passou a viver de shows, por que seus pais foram assassinados por um vampiro.
Amy é simplesmente dispensável, não faz diferença alguma senão ser o motivo pelo qual Charley deixou seus amigos. O personagem mais fiel ao Fright Night de verdade é Jerry, o vampiro: continua tão charlatão quanto o anterior, apesar de mais bonito e menos interessante.
No roteiro há transformações decepcionantes. A referência a Drácula que fizeram no primeiro filme, onde Amy seria como a Mina, se perde. No novo filme Charley cita “Crepúsculo”, deixando o filme ainda mais ofensivo para as “criaturas da noite”. É inserida uma perseguição de carro inútil, que acaba com a mãe do Charley no hospital. Charley é extremamente idiota para no final querer dar uma lição de moral em Peter. Sem falar na inversão de papéis (talvez uma tentativa de valorizar Charley?): no filme original é Evil quem ri da cara do Charley por este pensar que seu vizinho é um vampiro, não o contrário, e a transformação do Ed deveria acontecer mais pro final do filme, considerando que ele é um dos melhores personagens. De Fright Night só sobraram os nomes.
A ideia da releitura é uma ideia aceitável e até interessante, mas foi uma releitura que simplesmente não convence. Fright Night original era, para a época, um grande filme de vampiro. Já esse novo Fright Night, não foi nem uma releitura da época, mas também não convence como filme atual. Alguns diálogos que tentam fazer com o filme anterior duram no máximo um segundo de uma cena “copiada” para voltar à infeliz tentativa de uma releitura.
Algumas cenas são completamente revoltantes, como a cena em que Ed é transformado em vampiro: a fala de Jerry, o cenário, a situação em si é vergonhosa para os fãs do antigo filme, em especial a forma como Ed aparece na casa do Peter Vincent e as suas frases mal feitas, sem mencionar o fato de que a mão do recém-vampiro foi cortada no elevador e a luta entre Ed e Charley, com o comentário mais que dispensável e jogado em tom depreciativo : “This feels a little homossexual”.
O novo Fright Night nunca será Fright Night.
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| A Hora do Espanto (Fright Night, EUA, 2011) Direção: Craig Gillespie. Elenco: Anton Yelchin, Colin Farrell, Toni Collette, David Tennant e Christopher Mintz-Plasse. Duração: 106 min. |
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