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House: 6ª temporada
Carolina.
Atualizado em: 21/04/2010

A sexta temporada de House contém 21 episódios.

#   Título: Exibição original
(EUA):
No Brasil:
01

"Broken"

21 setembro 22 outubro
 
Para não perder o costume da contrariedade, a nova temporada de House inicia-se com um capítulo com o dobro do tempo padrão: episódio 2 em 1. De uma ponta à outra do enorme fragmento, House faz o caminho de Dante, mas à sua maneira: interessantíssimo. Interessantíssimo perceber que, quando House começa a alucinar – com Amber, namorada póstuma de Wilson – logo após o suicídio de Kutner (essa surpreendeu; ao contrário de toda série de sucesso há sempre um balde de água fria apoiado no batente da porta quando se trata de entrar no consultório de House), o que o aterroriza, verdadeiramente, é a percepção de que ele não é o íntegro e integral dono controlador de sua mente. Com uma inocência que só podia ser dele, seu desamparo profundo diante do atravessamento do inconsciente – a que está sujeito qualquer sujeito – o conduz a um internamento psiquiátrico voluntário (não sem antes ter levantado as apostas em sua brincadeira com doses duvidosas de substancias duvidosas para a companheira dor na perna, sequencialmente procurado livrar-se delas e, no meio do caminho, tido um momento de entrega tão completa a Cuddy, cheio de atitudes tão surpreendentes que atordoam mesmo depois que se descobrem delírio). Como não podia deixar de ser, o período de internamento não é menos interessante: só em House a repetição consegue ser tão criativa. E erudita: sua irreverência diante da instituição a que está confinado passa rapidamente da agressividade simples e evidente para uma impagável intertextualidade com Um estranho no Ninho...era Jack Nicholson ou Gregory House aquele, em cena, a instigar seus companheiros de "cela" diante de tal tratamento recebido? E no inevitavelmente cativante momento – que sempre chega – em que House deseja tão ardentemente dar asas a um super-herói, era ele mesmo, ou Patch Adams? House, é claro. Patch Adams carece de tal profundidade ou carisma. O desfecho é, primeiramente trágico – este tal também sempre chega. Mas muito é o que resta. O que realmente não tem a menor graça, e passa de fininho pelo episódio, é o descaramento da personagem que, ironicamente, abre a porta de saída do manicômio para House. Se ele momentaneamente se redime do excessivo enclausuramento-defesa-diante-da-dor-desconfiança-diante-de-outros-sujeitos, é justamente diante de quem não acolhe. Objetalizado até o fim, House parece funcionar como um objeto de compensação momentâneo para quem nem por um momento se questiona sobre a condição do outro (dessa vez o outro é House) na situação. Pior que isso – talvez essa condição de paciente psiquiátrico em regime de medicação e internamento seja a cereja do bolo que serve de justificativa para tão deslavado comportamento. Será que não?

02

"Epic Fail"

28 setembro 29 outubro
 
Se temiam os fiés a derrocada da complexa personalidade de House em virtude de sua saída de cena (ou Hospital) ou das drogas, aliviem-se. Mesmo fora do terreno conhecido, longe das vistas de Cuddy (e ela das vistas dele), mesmo sem o caricato de drogadito em Vicodin, mesmo na cozinha, House ainda é House, para o bem da nação e felicidade geral. Com dor ou sem dor, House não precisa de bengala: longe da equipe e do cotidiano de diagnóstico, procurando hilariamente algo com o que se ocupar – e encontrando sempre a quem incomodar – o médico continua merecendo ser, para os espectadores, o centro das atenções. O episódio não carece nem de humor nem de profundidade. Na verdade, consegue combinar os dois com maestria, o que, se não é novidade, também não deixa de ser agradável: a ausência de House no hospital, além de deixar a equipe às voltas com um paciente insuportável e o ego de Foreman, que partilha com o cliente da vez a marcante qualidade supracitada, serve,estratégico, para dar fim (enfim!) à segunda equipe de House que,ao contrário de seu chefe, nunca convenceu ninguém do lado de cá da câmera. O divertido, aqui, é o modo como House se apresenta imprescindível aos seus futuros – antigos convivas:  de modo tão sutil que sua graça desdobra-se de dentro do bolso do médico de forma tão repentina que é quase uma surpresa. A “escorregada” do personagem de House, assumida por ele com tanta tranquilidade e  revelada ao final do episódio é tão genial quanto o fato de que a atuação na série não compartilha dela.

03

"The Tyrant"

05 outubro 05 novembro
 
Dêem passagem ao australiano; lenta, paciente e silenciosamente, Chase vem perseguindo (haha) um merecido reconhecimento como personagem complexa e impactante que, após o último episódio, não pode mais ser postergado; às voltas com um paciente de peso, não é o caso, nem a equipe (que Graças à Deus ressuscitou quem merecia), nem House que garantem a complexidade polêmica do episódio, mas o senso ético de Chase, impecável em sua contravenção. Palmas à sua fala final, no último diálogo entre ele e o Foreman sobre responsabilidade, vida e morte. E que nada mais seja dito, para não profanar o solo sagrado do episódio.

04

"Instant Karma"

12 outubro 12 novembro
 
O início do episódio enquadra um cão, sua bola e seu desamparo. A bola verde, abandonada entre as patas, é igualmente verde e desamparada quanto os olhos do pai do dono do dono da bola. Ou quanto os olhos do filho? É verde, tanto quanto um, tanto quanto outro. A bola e seu desamparo estão algemados a seu cão por causa daquela primeira cena. E por causa do mesmo verde em tantos olhos não dá nunca para esquecer o desamparo. De quem é ele, afinal? De Chase, dono de algo que não pode dividir com Cameron? De Foreman, dono de algo que não pode dividir consigo mesmo? De House? Dono de tudo? Do pai sem menino para reafirmá-lo, ou do menino sem pai para reafirmá-lo? De quem, de todos, é o maior desamparo? Ainda acho que é do cão sem dono, ao longo do episódio igualmente inesquecível e abandonado. E de sua bola.

05

"Brave Heart"

19 outubro 19 novembro
 
O que tantos personagens tão diferentes podem ter em comum? O dilema. Sem dúvida, o mais complicado deles é o de Chase, que mesmo certo da sua decisão de matar o ditador começa a sentir o peso da culpa e a se questionar sobre o céu e o inferno. House ainda inseguro de sua recuperação, se questiona ao ouvir ruídos. Cameron percebe o estranho que paira sobre a equipe, mas ignora o real motivo. Wilson saudoso, conversa com a namorada que já não vive.
Enquanto tudo isso acontece, Foreman, negligenciando a empatia, em parceria com Cameron, arrasta todos na resolução do caso de um policial que tem certeza ser portador de uma doença (genética) que lhe condenou a morte prematura. O tormento do espectador reside na dúvida sobre o destino de Chase, Chase o médico, Chase o marido, para um almofadinha sem graça, ele passou a anti-herói. Mas o que fazer quando todos os limites já foram rompidos?

06

"Known Unknowns"

09 novembro 26 novembro
 
Só a verdade prevalece ao tempo. E ela veio. Da boca de Chase, da mão de Wilson e da coragem surpreendente de House.
Em viagem a um congresso de medicina, a tríade – Wilson, House e Cuddy, se coloca sob dilemas nunca cogitados. Wilson defende a eutanásia e após anos de amizade com o Doutor Casa resolve expor sua opinião ao mundo colocando sua carreira - parte de uma vida já sem muito sentido - em risco. House, na sua tentativa insana de ser são, declara seu amor antigo e recalcado por Cuddy. Que num processo de negação eterno, se joga nos braços do primeiro personagem-da-temporada-passada que apareceu. Chase impecável, se apropria de coragem e confessa seu ato inconfessável à esposa e parceira de profissão.
Agora resta saber o que sobra, o que jaz sob a lápide vazia?

07

"Teamwork"

16 novembro 03 dezembro
 
Explica, mas não justifica.
Por que é que a análise profunda de comportamentos, identificando nas motivações de House para cada ato um impulso digno da etiqueta freudiana de deslocamento e condensação, serve, em relação ao protagonista, como um verdadeiro clichê, e não é nem considerado na atitude de Chase, transformando Cameron em um personagem de superficialidade 100% em sua atitude e julgamentos, e todo o resto do episódio, que se sustenta sobre estereótipos vazios para acondicionar o que parece ser a razão igualmente fútil de oferecer um motivo hollywoodiano para a reconstituição da equipe número dois de House. Que aconteceu? Problemas de Ibope?

08

"Ignorance is Bliss"

23 novembro 10 dezembro
 
A novidade é pouca – ou nenhuma... A problematização da supervalorização da inteligência e a relativização de valores e filosofia de vida é válida, mas não inédita; episódios de enfoque similar e qualidade superior já estavam no histórico do programa antes dessa versão. O brevemente interessante é, talvez, a confluência de fatos que podem levar – quem sabe - a uma inversão de enfoque das outras personagens que orbitam ao seu redor em relação ao astro-rei; o retorno da equipe anterior para os braços do tão malvado lobo-mau que só deixa de assediá-los quando atinge seu intento agrava conflitos na vida particular de seus cordeiros... Mas eles retornam em concordância com o próprio desejo... Ainda vale dizer da miséria de suas vidas por culpa do comportamento de House depois do livre-arbítrio?

09

"Wilson"

30 novembro 17 dezembro
 
Wilson, assumidamente Wilson, enfim. Para saber mais sobre este episódio, leia o comentário subseqüente ("The Down Low")

10

"The Down Low"

11 janeiro 25 fevereiro
 
Quem quer ser Gregory House? Entre todos que o rodeiam, ressentidos ou críticos em relação a sua personalidade e trejeitos, todos; Foreman com a estratégia de contra-ataque silencioso, Chase-acima-da-lei, 13 maquiavel, Taub brincando de manipulação com o resto da equipe. As atitudes, ações e reações housinianas espalham-se, proliferam, diluem-se no comportamento ressonante de toda a equipe...
Há, no ecoar dos passos seguidos de House, uma exceção: Wilson...eternamente Wilson, que se eleva à segunda potência no episódio que leva seu nome, agindo sem constrangimento de acordo com seus impulsos de doação e auto-sacrifício assumidamente, posição que o deixa tão à vontade e escancara o que é sua identidade, sempre discursada por House e justificada pelo oncologista – o idealista de egocentrismo infantil e romântico, que age como super herói e acredita no final feliz. Este não ecoa House. Faz, com ele, um dueto, gerando o diálogo deste episódio que representa a relação de troca mais forte, complementar e assustadora de toda a série;
O episódio "The Down Low", enquanto a equipe faz o backing vocal de House, este e Wilson matem seu dueto e o caso da vez confronta o afeto com a contraposição moral/lei em um sempre finíssimo instrumental resulta, de novo, em rock and roll de qualidade.

11

"Remorse"

25 janeiro 04 março
 
Há nos registros da História, referências a uma data curiosa, em que todos travestiam-se, oprimidos viravam nobres, o rei era deposto e sofria um sacrifício fictício, um novo rei, João Ninguém, dominava a todos. A ousadia durava um dia, e extinguia-se; bem-vinda e datada que era, não havia retaliações.
Remorse, bem ao gosto de tal referência, e, pelo jeito, a fim de harmonizar-se com o nome do episódio em uma segunda leitura, perdoa exageros e absurdos de Treze, que jamais seriam bem-recebidos na linha da série – não de alguém que não fosse o próprio House. Destituindo-se de sua própria linha mestra, a série permite que tudo seja forçado neste episódio. No dia seguinte, nada resta.

12

"Moving the Chains"

01 fevereiro 11 março
 
Eis que a voz incontinenti de Wilson eleva-se sobre a cantilena já monótona e ecoa, triunfante, nos corredores do Plainsboro.
Como sempre interessantíssima, a relação entre House e Wilson concentra os melhores diálogos e análises do episódio, que não perde nada por conta da superficialidade do caso principal, já que possui, além da imbatível dobradinha, elementos interessantes espalhados em cada tangente, na boa e velha sutileza que acompanha as margens de cada capítulo, como sempre, além de um ou outro elemento surpresa que raramente falta, e surge de um bueiro qualquer relembrando uma discussão esquecida a um ou dois episódios.
E cantemos com Wilson: "House is great; yeah, yeah, House is good..."

13

"5 to 9"

08 fevereiro 18 março
 
Ao desrespeitar a fórmula heliocêntrica, o episódio se afundou em um contagem de minutos sem propósito.
Num episódio parodiando Jack Bauer em suas 24 horas eletrizantes, temos Cuddy e o seu cotidiano de mãe, mulher, executiva e tudo mais que se quiser descrever.
Um enfoque desfocado, pois não há astro quando não é iluminado pelo Astro Rei. Os personagens em House só existem em seu cotidiano embate e nas discussões filosóficas aprofundadas que esses encontros com House promovem.
Tangenciar não se justifica quando se tem um protagonista tão denso e complexo como é o caso.
Era aniversário da Cuddy e eu não sabia?

14 "Private Lives" 08 março 22 abril
   
15 "Black Hole" 15 março 29 abril
   
16 "Lockdown" 12 abril  
   
17 "Knight's Fall" 19 abril  
   
18 "Open and Shut" 26 abril  
   
19 "The Choice" 03 maio  
   
20 "Baggage" 10 maio  
   
21 "Help Me" 17 maio  
  Season finale.


Veja também:
Não tem registro (House)


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