![]() |
|
Publicado em: 15/11/2009 |
Às vezes, quando nos deparamos com o desconhecido, o não-familiar
e o incompreensível, produzimos pelo efeito da imaginação um significado e um sentido sobre o objeto. É insuportável para a mente humana lidar com aquilo que não conhece. Por isto, fabulamos; projetamos uma representação ficcional (mental) que dê conta de codificar o desconhecido e conformar este produto imagético com o nosso plano simbólico
.
Há toda uma corrente de pensamento que analisa tais mecanismos – da semiótica à psicanálise – que ajudam a compreender (e raciocinar) sobre este processo da mente humana. A percepção de uma imagem – uma forma, um ícone, um conceito, uma representação, etc. – exerce um jogo de nossas faculdades sensíveis: paródia do entendimento das leis do mundo e da indeterminação caótica da experimentação estética.
No imaginário estético, atribuímos ao objeto o poder de significação; capaz de nos atentar à subjetividade do nosso ponto de vista e perceber a relação entre nossas capacidades cognitivas e a realidade. O sentido que o objeto produz depende da nossa subjetividade, mas não se limita a ela. Além de nossas projeções imaginárias, o objeto expressa um sentido próprio para nós. Por isto, na presença de uma obra de arte, podemos entrar em acordo com seus significados e seu arranjo estético: criamos uma subjetividade universal, "compartilhada".
O sentimento de conformidade (do mundo) às nossas faculdades sensíveis é o que define o juízo estético. Quando há a harmonia formal do objeto – uma coerente adaptação da mente à realidade – experimentamos o Belo. A contemplação da beleza produz um sentimento de pertencimento, de adequação. É na perturbação estética do Sublime que a nossa imaginação entra em crise e ameaça a conformidade racional. O sublime se coloca no limite da compreensão humana, ao lembrar nossos limites e nossa pequenez diante da totalidade do mundo. Este violento sentimento do infinito pode não ser conhecido – e a totalidade das coisas, o "real" em si, é mesmo inalcançável –, mas a sua experiência estética pode ser "sentida". Por isso, entender o sublime como uma sensibilização do infinito dentro de nós mesmo parece recompensador: ao afirmar nossas faculdades de juízo e reconstituir o nosso imaginário em um nível superior
.
![]() |
| "Saint Barbie" |
![]() |
| "Corkey Ascending to the Heavens" |
![]() |
| "The Butcher Bunny" |
Mark Ryden é um artista plástico contemporâneo que combina elementos do inconsciente com representações da cultura de massa. O seu trabalho se caracteriza pela escolha de um repertório individual embebido de referências populares com o objetivo de dialogar com o estado da humanidade; nossas relações com nós mesmos, uns com os outros e com o nosso passado.
Site oficial do artista: www.markryden.com
| Compartilhar | ||||
Deixe o seu comentário: |
||||
![]() |
![]() |