Da percepção subjetiva do confronto. |
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Publicado em: 15/05/2010 |
A arma de confronto mais eficaz em uma guerra não é feita necessariamente dos mais poderosos explosivos da indústria, nem dos combatentes mais ferozes do exército. A abordagem da truculência tem um efeito destrutivo sobre a percepção do sujeito; a guerra é antes uma derrota psicológica do cidadão comum frente à representação ideológica das massas
. Para o soldado médio
, a guerra aparece envolta de uma mistificação inebriante, em que as armas são extensões sensoriais do seu corpo, através das quais a sua cultura se diferencia e se identifica
.
A representação da identidade cultural se sobressai entre as justificativas de invasão e conquista territorial. O objetivo é menos eliminar o inimigo, mais cativá-lo. O processo de substituição ideológica abarca diferentes mecanismos de convencimento psicológico. Durante as Grandes Guerras, o medo e a paranóia
eram as constantes das sociedades organizadas em torno de discursos fechados e estratificados
. No contemporâneo, em tempos de globalização e pós-modernidade (ou seja, no fim das ideologias estanques
), a estratégia de manipulação do sensível acontece no pânico da morte, na captura e na tortura de pessoas, na exibição de vídeos de execução e nos súbitos ataques terroristas. A guerra se adapta conforme a sociedade; se a organização social passa a ser difusa (não mais estratificada), os confrontos – ainda que de ordem subjetiva – também se modificam
.
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| Atentado frustrado em Nova York - maio 2010 (Imagem: Agência Reuters) |
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