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"Para alguns serem imortais, muitos devem morrer". |
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Publicado em: 02/11/2011 |
O diretor e roteirista Andrew Niccol (de Gattaca e Simøne) chega ao seu quarto longa-metragem usando de elementos da ficção científica para questionar o estado das coisas na contemporaneidade. Neste O Preço do Amanhã, a sociedade é controlada por uma moeda "de tempo" - câmbio que começa a contar para cada indivíduo ao completar 25 anos de idade. Neste universo, portanto, ninguém mais envelhece e o tempo de vida depende apenas das finanças e da capacidade de somar dígitos para seu relógio de pulso.
Conceitualmente brilhante, o filme propõe mais reflexões do que permite a sua própria narrativa. Isso porque a narrativa se rende à história do insurgente contra o sistema, recorrendo à dicotomia de valores sobre ricos e pobres (os vilões e os coitados). Porém, entre atos de ação, o filme consegue pontuar algumas provocações interessantes a partir de seu conceito. Uma das mais divertidas relações que o filme faz é sobre o fato de ninguém mais envelhecer neste mundo, e portanto permanecem todos com cara de 25 anos - inclusive a esposa, a filha e a sogra do personagem Weis; uma ótima cena que sugere o culto ao rosto jovem dos nossos tempos.
Outra boa construção da diegese é fazer do mecanismo de controle de tempo um aparelho que funciona como uma ampulheta, especialmente na passagem de "tempos" entre duas pessoas. Uma cena emblemática desse processo coloca Will (Timberlake) em uma disputa de queda de braço com um adversário, fazendo os "relógios" em seus braços correrem o tempo de um lado para outro, de acordo com a angulação. A cena é também uma analogia à lei dos mais fortes, inclusive porque o personagem fica com o tempo-dinheiro-poder do oponente.
A ideia de tempo como dinheiro é também muito bem construída na cidade dos ricos, onde o apressado herói é logo percebido como um estrangeiro. A percepção da diferença de ritmos, pela vida em modo slow dos ricos, é esperta e significativa dentro da narrativa - principalmente por fazer o contraponto dos momentos em que cada segundo pode ser vital. Por outro lado, a falha do diretor é justamente explorar demais essas cenas de preciosos segundos, resultando em exageros dramáticos - a recorrência da corrida de Will, com tempo no pulso, para salvar pessoas amadas é quase uma piada. Nesse sentido, o contexto e a diegese criados por Niccol são mais interessantes que a execução do filme em si - isso porque, na real, a narrativa do herói é simples, conhecida e vazia demais para ter qualquer valor de originalidade.
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| O Preço do Amanhã (In Time, EUA, 2011) Direção: Andrew Niccol. Elenco: Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy, Alex Pettyfer, Olivia Wilde, Johnny Galecki e Matt Bomer. Duração: 109 min. |
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