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Das construções e habitações pessoais. |
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Publicado em: 15/01/2012 |
A complexidade da vida no mundo, em sua realidade fugidia e inatingível em sua plenitude, nos obriga a construir nossos próprios modelos de referências, de valores e de caminhos – daquilo que conseguimos, intelectualmente e sensivelmente, dar sentido, compreender, codificar e aceitar. Desse processo de engenharia pessoal
, algumas passagens nem sempre são produtivas e nos levam a caminhos sem saída
– dos quais temos às vezes que retornar, contornar e até mesmo bloquear como uma forma de mecanismo para que seja possível continuar vivendo
.
Do chão sedimentado às paredes levantadas ao nosso entorno, todo tijolo de conhecimento é selecionado e posto de acordo com as necessidades sociais e pessoais; inclusive nas maneiras de separar aquilo que é privado daquilo que é público
. As atribuições internas de valor aos processos correntes, estruturando as leituras do indivíduo ao mundo exterior, solidificam o constructo imemoriável das capacidades cognitivas do homem – permitindo que a experiência sirva como aprendizado e possibilitando a evolução inteligível da espécie.
O que essas paredes que levantamos entre nós revelam é que cada um monta para si sua própria toca, com seus blocos de construção e trajetos particulares
. Há no encontro de um a outro - na visitação da cabana alheia - a excitação, a ansiedade e escopofilia especulativa do espaço; o que inclui a busca e a varredura por sinais de reconhecimento e identificação. Ocorre, nessa procura, um duplo sentido de conformidade na projeção e confirmação de traços e hábitos particulares em um ambiente, diferente daquele previamente conhecido. A exposição não deixa de ter seus receios, de que alguns tijolos não podem ser retirados sem ficarmos completamente desprotegidos ao nu social – que todas as paredes e estruturações mentais são apenas abstrações práticas para o bom convívio social, pois jogamos às trevas as incertezas e trancamos as portas dos monstros particulares
.
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