Home News Sentidos Brefluxo Bnos
Linguagens híbridas: a questão do suporte e das novas tecnologias nas propostas cinematográficas contemporâneas
Sobre o impacto da cultura digital na realização cinematográfica.
Guilherme.
Publicado em: 15/07/2009

Na era digital, a estrutura narrativa e as construções de sentido da linguagem cinematográfica apresentam novas codificações e estilos que são chamados hibridismos com outras mídias e outros meios. O cinema, como prática social baseada na tecnologia, sofre modificações constantes com o decorrer do tempo: desde o advento da televisão e do vídeo; e atualmente pela cultura das mídias e da cibercultura, a forma de produção e de fruição do espetáculo audiovisual se diferencia. A mudança da forma e do conteúdo nas obras cinematográficas acompanha o período histórico – de globalização e pós-modernidade – que transformam o sujeito pelo acesso a outras culturas, outros espaços e outras formas de ver e pensar. O re-visionismo e a re-ocupação de lugares (afetivos, físicos ou virtuais) são algumas das características do pós-humano: um sujeito descentralizado, destemporalizado e desterritorializado, que tem a ferramenta cibernética como contato a todo mundo informado e informatizado.

A imersão desse sujeito no novo paradigma tecnológico (aberto, dinâmico, volátil) implica em novas configurações teóricas sobre a cadeia cinematográfica. Se na era das massas, a prática cinematográfica era restrita pelo acesso a recursos de produção. Na era digital, o acesso é facilitado por câmeras digitais cada vez menores e mais baratas, assim como softwares e computadores pessoais permitem que todo sujeito seja um produtor em potencial. A proliferação de conteúdos audiovisuais na rede cibernética (como o popular site YouTube) indica que a prática cinematográfica tem se direcionado ao ambiente virtual, possibilitando comunidades criativas e trabalhos colaborativos aproximando produtores, realizadores, técnicos e, em última escala, o próprio público.

A integração dos sujeitos nesta rede virtual, de reciprocidade circular pelo acesso a mecanismos de produção e distribuição de conteúdos, que transforma os modelos de comercialização da indústria cinematográfica e que conscientiza o público dos efeitos de sentido do comunicacional, é uma das maneiras de entender a interação entre as imagens e o chamado hibridismo pós-moderno. Na cultura digital, tudo é variável e adaptável, reciclado e revisitado. O novo espaço de lutas políticas (mercadológicas) é, no ciberespaço, a experimentação da linguagem digital. Na era do pós, a sensação de encontro entre o pós e o pré-cinemas é de que, como naquela época, agora tudo parece possível.

Na era digital e da pós-modernidade, é recorrente o enfrentamento sobre as questões de hibridismo, imagens complexas e irônicas e a manipulação estética. Na imagem de terceira geração, temos ainda um novo paradigma tecnológico que re-universaliza as mídias anteriores e propõe uma nova forma de ler os conteúdos. Esta mudança paradigmática parece formar novas relações do espectador com as obras audiovisuais, seja ela no cinema, na televisão ou na Internet. Com o avanço das produções digitais, todas as imagens cinematográficas são pixelizadas e passíveis de manipulação estética. A desmaterialização da superfície fílmica (no digital, a imagem é armazenada em bites e bytes) e a manipulação das imagens no cinema digital também foram apropriadas a favor da indústria cultural. A introdução das tecnologias digitais na indústria cinematográfica constitui um verdadeiro paradoxo, ao facilitar a produção e difusão do cinema massivo e contribuir ao mesmo tempo com experimentações estéticas e de novos realizadores. Esse paradoxo explica a constituição de hibridações, interações e recuperações nas imagens digitais: com o domínio sobre o código digital, toda imagem pode ser re-criada ou re-editada.

Assim, podemos entender que o cinema híbrido abrange as mais variadas produções audiovisuais contemporâneas, que utilizam a tecnologia digital, e não se restringem a um uso específico em ambientes virtuais ou cibernéticos. A verificação desse problema aparece com os conteúdos multimídias, em que a experiência cinematográfica se desdobra em outros produtos e diferentes processos de ‘leitura’. O emprego do termo ‘cinema’ se torna mais difícil, sendo mais fácil relacioná-lo ao ato de assistir um filme numa sala de cinema, que, por exemplo, ao assistir um DVD, com menus, finais alternativos, etc.

Podemos concluir que o cinema híbrido se caracteriza pelo impacto da cultura digital nos aspectos de produção e circulação das obras audiovisuais, na recuperação de discursos, e na manipulação infinita de seus conteúdos imagéticos. O encontro do cinema tradicional, baseado na estética realista de captação das imagens do mundo pela emulsão fotossensível, com as técnicas eletroeletrônicas e digitais possibilita experiências estéticas e lingüísticas que denominamos de hibridismos.

Recentemente, foi anunciado um projeto que exemplifica as possibilidades de interação e hibridismos da linguagem audiovisual com a cultura cibernética. Trata-se do projeto 140 do realizador independente Frank Kelly, que está criando um longa-metragem do gênero documentário sobre a conectividade e a sincronicidade da rede Twitter. O realizador usou a rede para selecionar 140 cineastas, realizadores e vídeo-amadores ao redor do mundo, que gravaram 140 segundos de imagens - em qualquer formato ou suporte – e no mesmo período de tempo (começando às 20 horas do dia 21 de junho de 2009, horário de Brasília) para o projeto. Todos os materiais foram enviados para Kelly, que vai montar o longa-metragem a partir desses fragmentos. O tema do documentário será a sincronicidade e as relações humanas, baseado na simplicidade das conexões do Twitter. O realizador pediu para os participantes representassem o motivo “casa” (home) nas suas gravações. Kelly ressaltou que o resultado, esperado para o próximo ano, pode não conter todos os fragmentos, mas que deverá envolver imagens de diversos suportes (da película à webcam). No Twitter, o usuário pode compartilhar suas ações com seus seguidores em até 140 caracteres.


Compartilhar
      Deixe o seu comentário:
Últimas publicações:
Shameless: 2x05 "Father's Day"
Os Vingadores: spot
30 Rock: 6x05 "Today You Are a Man"
Fringe: 4x11 "Making Angels"
Pele que Habito
Person of Interest: 1x13 "Root Cause"
Grey's Anatomy: 8x13 "If/Then"
Jogos Vorazes: novo trailer
Up All Night: 1x14 "Preschool Auction"
Parks and Recreation: 4x14 "Operation Ann"
The Big Bang Theory: 5x15 "The Friendship Contraction"
Molde de Barro
Review: O Artista
Review: Os Descendentes
Battleship – Batalha dos Mares: spot
White Collar: 3x13 "Neighborhood Watch"
Raising Hope: 2x12 "Gambling Again"
New Girl: 1x11 "Jess and Julia"
Fogo Brando
John Carter: spot
Once Upon a Time: 1x11 "Fruit of the Poisonous Tree"
Criminal Minds: 7x12 "Unknown Subject"
CSI: 12x12 "Willows in the Wind"
Labirinto Mental
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge
Review: Homens Que Não Amavam as Mulheres
Review: O Espião Que Sabia Demais
Review: A Invenção de Hugo Cabret
Review: Histórias Cruzadas
Indicados ao Oscar 2012
Review: Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras
Review: Missão: Impossível - Protocolo Fantasma
Review: O Homem Que Mudou o Jogo