![]() |
![]() ![]() |
![]() ![]() |
![]() ![]() |
![]() ![]() |
![]() |
|
Atualizado em: 24/05/2010 |
A última temporada de Lost tem 18 episódios, com exibições duplas no season premiere e no series finale.
| # | Título: | Exibição original (EUA): |
No Brasil: | ||
| 01 | "LA X (1ª hora)" |
02 fevereiro | 09 fevereiro | ||
***** Recap (reflexões prévias ao início da temporada): A hora chegou. Estamos a poucas horas do início da última temporada de Lost. Nervos à flor da pele, coração batendo mais forte. Mas antes de começar a discutir a trama deste último ano da série, sugiro analisar as nossas expectativas para esta temporada. Afinal, quais são as perguntas que queremos ver respondidas? Quais são os mistérios e os enigmas que nos intrigam? E quais desses deverão ficar sem solução? Nesta altura do campeonato, a Ilha já é um local conhecido por nós; sabemos seus segredos, sua filosofia e seu funcionamento. Aprendemos a entender como na verdade foi a Ilha que trouxe o grupo de pessoas (de sobreviventes do vôo da Oceanic) à ela; pelos chamados de Jacob ou pela experiência da jornada (mística, de redenção). São estas alternativas propostas pelo espaço e pelo tempo na Ilha que motivam os grandes protagonistas da série. E são essas histórias - dos personagens - que procuramos solucionar: como cada um chegará ao fim do jornada? De Jack a Kate; passando por Hurley e Sayid; aos mais importantes, Locke e Ben; e Jacob e seu contrário, o homem de camisa preta (o MIB). Terá Jacob arquitetado a queda do vôo Oceanic como uma maneira de salvar a Ilha? Se o homem de preto encontrou a falha que tornou possível matar Jacob; como será o seu 'governo' sobre a Ilha? A bomba explodiu; como isso afeta o espaço-temporal dos personagens? Jacob ressucitirá? E em que corpo? Vamos ao que interessa?*****
Um novo recomeço? Um mundo alternativo no qual o vôo 815 da Oceanic Airlines nunca caiu no meio do Pacífico? Qual é o sentido de 'apagar' cinco temporadas e finalizar a série mostrando o 'e se...' o avião pousasse com segurança em LAX, o aeroporto internacional de Los Angeles? O resultado, que chega até nós oito meses após Juliet acertar a bomba de hidrogênio, mostra que a história neste universo paralelo poderia ser frustrante. Afinal, depositamos muito tempo (e neurônios) sobre as jornadas dos personagens e precisamos ver aonde eles vão chegar. Felizmente, "LA X" apresenta não apenas este mundo paralelo, mas também a continuição da narrativa dos sobreviventes na Ilha. Há portanto, uma nova linha histórica em que a Ilha está submersa quando o vôo 815 da Oceanic sobrevoa o Pacífico; uma narrativa onde os personagens não passam mais do que algumas horas juntos, o tempo do vôo entre Sydney e Los Angeles. O que acontece, porém, durante essa viagem parece indicar novas complicações na jornada de Jack. O médico é obrigado a salvar Charlie de uma tentativa de suicídio e a sua ação muda o destino escolhido pelo personagem; Jack continua longe de entender o propósito de sua jornada, e como médico, suas atitudes têm um efeito mais significativo sobre as vidas das pessoas. De certa forma, esta realidade do 'e se...' reforça a idéia do momento decisivo; do instante que mudaria a trajetória daquelas pessoas. Mas será que há qualquer realidade nesta história? Por que há tantas diferenças neste vôo: a presença de Desmond, a ausência de Shannon? E como justificar mudanças anteriores ao (o que seria o) momento do acidente, como Hurley afirmando ser o cara mais sortudo do mundo? Somos apresentados também com a narrativa após a explosão da bomba de hidrogênio, que jogou os sobreviventes no ano de 2007; o que significa que a estação Cisne foi construída e que explodiu após Desmond não entrar com a combinação de números. Entre os destroços da estação, o grupo socorre Juliet, em seus momentos finais de vida. Quando Sawyer chega para se despedir da loira, ela consegue apenas dizer que tem uma coisa muito importante para lhe dizer (o que será: que ela conseguiu explodir a bomba? que ela encontrou o seu caminho para casa?). A morte de Juliet e o fracasso do plano de Jack (ou de Faraday) só faz Sawyer ficar com mais raiva ainda do médico. Enquanto isso, Hugo é orientado pelo fantasma de Jacob (que informa que morreu há uma hora!) sobre uma maneira de salvar a vida de Sayid. Hugo deverá levar Sayid até o templo com a ajuda de Jin, que esteve lá com os franceses 'na temporada passada'. Por fim, seguimos com o plano do 'Homem de Preto' (MIB) após fazer o Ben matar Jacob. Aquele que ocupa a aparência de Locke pede agora para Ben trazer Richard Alpert; porém os guarda-costas de Jacob chegam ao local e revelam o corpo de Locke dentro do 'caixão'. Esse grupo vai atrás do 'MIB' e descobre que o nêmesis de Jacob acabou de matá-lo e queimá-lo na fogueira. Os soldados de Jacob começam a atirar no Homem de Preto, que logo se revela sua outra forma: o monstro de fumaça. O grupo até mostra uma certa resistência contra o monstro, mas no fim não sobra ninguém para contar a história. A não ser, claro, Ben que vê o monstro de fumaça assumir novamente a aparência de John Locke. MIB: Sinto muito que você teve que me ver dessa forma. (I'm sorry you had to see me like that) |
|||||
| 02 | "LA X (2ª hora)" |
02 fevereiro | 09 fevereiro | ||
"Funcionou!" O que funcionou? Terá Juliet vislumbrado o mundo alternativo enquanto esperava ser resgatada dos destroços da estação Cisne pelo seu Orfeu? A explosão da bomba de hidrogênio pode ter desencadeado realidades paralelas ou a loira apenas encontrou o seu caminho para o céu? O recado que a loira deixou através de Miles sugere a progressão da história na qual a bomba evitou a queda do avião da Oceanic. De alguma forma estas narrativas deverão se encontrar em algum momento e formar um novo sentido para a trama; as diferenças que podemos verificar em cada personagem naquele mundo do 'e se...' pode indicar as respostas que eles procuram nesta jornada de redenção. Neste sentido, a sequência mais importante desta narrativa acontece no encontro de Jack e Locke no aeroporto: enquanto o médico reclama de ter "perdido o seu pai", Locke informa que também teve uma bagagem extraviada pela companhia. A situação em comum aproxima os personagens e proporciona uma troca de afeto e de visões do mundo;
Locke: E como poderiam saber? (...) Eu não estou falando sobre o caixão. Quero dizer, como eles podem saber onde ele está? Eles não perderam o seu pai, eles apenas perderam o corpo dele. Jack: Nada é irreversível. (...) Se quiser uma consulta... é só me ligar. Por conta da casa.
Na Ilha, conhecemos o Templo indicado por Jacob como solução para salvar a vida de Sayid. O local sagrado dos Outros parece 'abençoado' com poderes de cura; e após ler o recado deixado por Jacob (no maior envelope da face da Terra - sim, o case para violão carregado por Hugo), os moradores realizam um ritual para tentar salvar Sayid, não sem antes avisar para seus companheiros que há riscos neste processo. Falha de memória? Seria este o mesmo ritual realizado em Ben, pelas mãos de Richard Alpert (quando o garoto Ben foi baleado por Sayid)? Quando finalmente acorda (Miles foi o primeiro a perceber que 'havia vida naquele corpo'), Sayid demonstra não saber exatamente o que aconteceu. Se há mais consequências - físicas, emocionais ou espirituais - pela realização do ritual, saberemos apenas nos próximos episódios. Antes disso, porém, os Outros precisam defender o seu templo, aparentemente dele - e não mais daquilo - o homem de preto, o monstro de fumaça ('o coisa ruim'). Os Outros disparam um sinalizador após descobrir de Hugo que Jacob está morto, e 'fecham' o templo com cinzas que impedem a entrada do sujeito. Na praia, Richard avista o sinal dos Outros e reconhece através de Locke aquele que habita o seu corpo. MIB: Olá, Richard. É bom vê-lo livre daquelas correntes. Richard: Você? MIB: Eu. Sem tempo de reagir, Richard é nocauteado pelo MIB, que anuncia em seguida para todos na praia que ele está desapontado com eles. Qual é a razão do desapontamento? E, afinal, quem é ele? Um deus irritado, um anjo vingador? A dica fica conta de seu objetivo, confessado em particular com Ben; ele quer ir para casa. Com o corpo de Richard Alpert nas costas, o MIB ruma floresta adentro. Qual será a sua próxima parada? Quem será sua próxima vítima? Ainda Lost: Claire apareceu! No banco de trás do táxi durante a fuga de Kate do aeroporto de Los Angeles. Grávida de Aaron? Possivelmente, mas não vemos a sua barriga na cena. Mas que tal encontrar a loirinha na narrativa da Ilha? Mais Lost: Desmond aparece no vôo da Oceanic, apesar de não ser originalmente um dos passageiros: o que ele estava fazendo lá? Estaria ele indo de encontro a Penny? Sua presença significa uma nova constante para a linha do tempo? Lost & Found: Juliet voltou para terminar a sua história na Ilha. A atriz Elizabeth MItchell deve estar comprometida com sua nova série (V, que você pode saber acessando a nossa seção de séries), mas não seria interessante descobrir a versão da sua personagem em Lost para o mundo do 'e se...'? Se Charlie e Desmond apareceram no avião, entendo que tudo é possível! De repente ela está feliz e casada com Sawyer... sim, faço parte do Team Juliet. |
|||||
| 03 | "What Kate Does" |
09 fevereiro | 23 fevereiro | ||
"What Kate Does" parece uma progressão natural da história para um segundo episódio de temporada - com menos surpresas e estabelecendo com mais tranquilidade a trama deste ano -; não fosse esta a última temporada da série, que eleva a nossa expectativa às alturas, o resultado seria mais satisfatório. Seguimos com Kate em Los Angeles, do momento em que invade o táxi com Claire no banco de trás, fugindo da polícia. A jornada da personagem está bem definida: após se livrar dos passageiros e das algemas, Kate se depara com a mala de Claire contendo os pertences do bebê (por vir) e inicia o seu 'caminho de volta' (de redenção). O que segue nesta história - com Kate levando Claire para o hospital depois de se desiludir com o casal que deveria adotar Aaron - sugere que este mundo paralelo ('e se... o avião não caiu na ilha') pode representar o caminho vitorioso dos personagens. O que quero dizer é que não será estranho assistir esta narrativa substituir a outra (na ilha) gradativamente até o final da série. A teoria aqui é que não há uma realidade 'mais real' do que a outra (neste sentido, há apenas nossa identificação maior com a história na ilha, a qual acompanhamos nos últimos anos). O que me faz respeitar ainda mais o time criativo da série é que eles decidiram manter a narrativa na Ilha: a explosão da bomba não significou um simples reboot, um reset da trama, é algo mais complexo que isso. Minha percepção neste momento é que haverá uma escolha por uma das linhas narrativas; uma decisão deverá ser tomada até o final da série: qual história irá prevalecer para os personagens?
Hurley: Você não é um zumbi, né? Miles: Como você pode ver, o Hugo aqui assumiu a posição de líder. Na ilha, de 2007, descobrimos o que aconteceu com Sayid após voltar à vida. Requisitado pelos Outros para uma avaliação, o torturador iraquiano (e atirador de criancinhas) passa por um exame cruel nas mãos de Dogen (o líder dos Outros que prefere se comunicar em outra língua para se distanciar dos seus seguidores). Dogen revela que Sayid está infectado e pede para Jack convecê-lo a tomar uma pílula; porque Jack sente-se culpado pela 'morte' de Sayid e assim poderá se redimir de suas ações (alguém ainda duvida que a jornada de redenção de Jack é a trama principal da série?). Acontece que Jack está por demais desconfiado das atitudes desses Outros e resolve ele mesmo tomar a pílula (que é verde, não é azul ou vermelha, viu?!), obrigando Dogen a retirar a pílula de sua boca e revelar que aquilo era veneno. Jack: Eu não confio em mim mesmo. Como vou confiar em você? Então as coisas começam a ficar mais interessante: Jack exige uma explicação para a vontade dos Outros de matar Sayid. Dogen explica que Sayid (assim como Claire!) foi "reinvidicado": aparentemente, no processo de morte e ressuscitação, há o risco do corpo ser consumido por um força maligna, que pode representar um perigo para o povo no Templo. O que isso significa? Um recrutamento por parte dessa entidade? E o que teria acontecido com Claire: ressucitada no Templo? E como esse processo difere daquele administrado em Ben? Quais são os critérios de seleção dessa entidade? Poderá Kate salvar Claire da danação? E Jack conseguirá reverter o estado de Sayid? Sabemos que uma afirmação feita na ilha assume o caráter de promessa; Jack conseguirá manter a palavra? Ainda Lost: Jin e Sawyer saem do Templo com motivos semelhantes; o primeiro na esperança de encontrar Sun, o segundo, na necessidade de reviver as lembranças de sua finada Juliet (estou contigo, companheiro!). Sawyer entrega a cena mais dramática do episódio; completamente destruído por perder Juliet antes de pedí-la em casamento. Mais Lost: Ethan é o médico que atende Claire no hospital em Los Angeles. Ele diz que prefere não colocar um monte de agulhas em Claire, caso não precise. Além da ironia; isso significa que podemos encontrar outros integrantes da iniciativa Dharma nesta linha narrativa? Podemos encontrar Juliet (logo, ainda) ? Lost & Found: Claire aparece na narrativa da Ilha para salvar Jin da morte certa. Seu visual 'Rousseau' sugere que a loirinha está mais piradinha do que nunca. Por onde ela andou todo esse tempo? |
|||||
| 04 | "The Substitute" |
16 fevereiro | 02 março | ||
Não diga o que ele não pode fazer. Na realidade alternativa, Locke precisa aceitar a sua situação debilitante enquanto procura um novo emprego (ao voltar da Austrália, Locke é demitido por mal uso do dinheiro da empresa). Na ilha, o MIB - o homem de preto que assumiu a aparência de um John Locke - revela as limitações que tenta contornar para conseguir os seus objetivos. O elo de ligação entre os dois personagens está definitivamente perdido; o Locke original está agora morto e enterrado, mas há um tanto de sua personalidade no Locke da realidade alternativa e - o que é mais interessante e intrigante - há um tanto de Locke no homem de preto. O que isso significa? Qual é a importância dessa relação?
Neste misto de excitação por respostas e por mais mistérios, o episódio corresponde às nossas expectativas. Temos a certeza agora que o homem de preto está recrutando pessoas para trabalhar ao seu lado; depois do fracasso de formar uma parceria com Richard, o escolhido do monstro de fumaça é Sawyer, que tem motivos de sobra para abandonar a ilha e voltar para o mundo (como conhecemos). Nesta aventura da dupla, chegamos a um novo local da ilha: uma caverna aberta na encosta da terra com o mar, que foi abrigo de Jacob (e diria também do MIB). Lá, o homem de preto relata para Sawyer a fé de Jacob - de sua missão de proteger a ilha e de trazer os passageiros da Oceanic como possíveis candidatos para o posto - e também a sua razão de considerar tudo uma grande besteira; oferendo três opções a Sawyer: fazer nada, proteger o plano de Jacob, ou simplesmente ir embora. Perceba que assim o homem de preto coloca Sawyer como o portador do seu próprio destino; nada importa além da vontade do indivíduo. É justamente este o embate entre o MIB e Jacob; a diferença na crença e na filosofia de vida. Mas será que o homem de preto está dizendo toda a verdade, ou não estará ele - como seu arquiinimigo - manipulando Sawyer para alcançar os seus próprios objetivos?
Talvez a pergunta que mais nos interessa no momento seja: afinal, qual é a importância da realidade alternativa para a história? Claro que é prazeroso acompanhar esta versão para Locke (um personagem tão querido dos fãs), com tantas referências ao universo da série. O que não sabemos por enquanto é como estas duas realidades vão se cruzar (é o que esperamos, certo?). A questão não é mais se vamos curtir as histórias alternativas (claro que sim!); mas como essas vão interagir com a narrativa dita principal da série. Por exemplo; é relevante saber que Locke é o professor substituto de Ben na cadeira de história européia?! Estarão os personagens pré-destinados a se conhecer; seja lá em qual realidade for?! Com estes questionamentos em mente, podemos recuperar outras informações deste episódio; daquilo que ocorre paralelamente na ilha. O homem de preto se deparou na ilha com um garoto (que pode ser visto por Sawyer, mas não por Richard!), que informou que as regras não poderiam ser quebradas e que o homem de preto não podia matar Jacob. Em seguida, o MIB nega para Sawyer a presença do garoto, mostrando que na verdade era o conteúdo da conversa que deveria ficar em sigilo. O que aquele garoto representa e quais as implicações de sua aparição? Adiante, continuando com as revalações da narrativa na ilha; mais precisamente, na caverna onde o MIB mostra para Sawyer os nomes dos possíveis candidatos para substituir Jacob, percebemos que o homem de preto risca o nome Locke (4) enquanto conta como Jacob trouxe todas aquelas pessoas para a ilha. Algumas opções ainda estão em aberto, de Hugo Reyes (8) e Sayid Jarrah (16) a Jack Shephard (23) e Kwon (42, Jin ou Sun?), passando, é claro, pelo próprio Sawyer (número 15, Ford); por que as várias opções? Por que tantos candidatos? Será a ameaça assim tão perigosa? E, estará este homem de preto eliminando os possíveis candidatos de ocupar o lugar do seu arquiinimigo ou estará ele usando Sawyer para fugir da ilha (algo que ele parece não conseguir fazer sozinho, assim como precisou de Ben para matar Jacob)? Quais são as regras que ele não consegue contornar? Quais são os seus limites? Ainda Lost: Ilana recuperou um tanto das cinzas de Jacob e guardou consigo, mas nada de reencarnação por enquanto. Mais Lost: Quem é aquele garoto, e por que a sua semelhança com Sawyer, ou mesmo Jacob? O garoto poderia representar uma versão jovem deles? Terá aquele menino sido a primeira vítima do homem de preto? Lost & Found: Ok, descobrimos que os números representam os candidatos escolhidos por Jacob para proteger a ilha, mas será só isso? Serão números arbitrários ou terão significados intrínsecos? |
|||||
| 05 | "Lighthouse" |
23 fevereiro | 09 março | ||
"Lighthouse" parece confirmar algumas de nossas suspeitas. A primeira delas, que a versão alternativa em Los Angeles representa uma espécie de final feliz dos personagens. Neste episódio, conhecemos a história de Jack após aterrissar sem o corpo do seu pai no caixão. O conflito desse Jack com - pasmem! - seu filho David é solucionado de forma afetiva; algo que o Jack acidentado ("quebrado", como ele mesmo diz) na Ilha não consegue resolver. Posto de outra maneira, a relação de paternidade - tão conflituosa para Jack - está mais esclarecida para o personagem na realidade alternativa do que na ilha (de fato, é uma questão de grau, o conflito permanece). Há, portanto, modificações entre estas duas realidades que vão além do acidente e da história pregressa dos personagens: Jack é uma pessoa aparentemente mais bem resolvida na realidade alternativa, sabendo inclusive rir do seu pai Christian que escondeu o testamento no escritório ou recusar uma bebida. Na ilha, porém, Jack parece destinado a cometer sempre os mesmos erros: de sua tentativa de ser o herói enquanto não tem a capacidade para tanto. É o prognóstico de Christian - que Jack não tem as qualidades de um líder - que atormenta o protagonista mais uma vez; e que aqui é usado por Jacob para levar Jack (através de Hugo) até o farol, onde estão dispostos os nomes dos candidatos.
Outra suspeita que é confirmada neste episódio, se refere aos nomes dos candidatos a proteger a ilha; idéia que nos foi apresentada pelo MIB no episódio anterior em conversa com Sawyer. Aqui, descobrimos que Jack (o número 23) é um dos favoritos de Jacob. No farol, porém, Jack se revolta ao descobrir que Jacob estava vigiando "os candidatos" através de um aparelho e a sua reação de quebrar os espelhos do local expressa o seu sentimento interno ao não encontrar as respostas que queria. Talvez o desejo de Jack fosse encontrar o fantasma de Christian ou de Jacob - representações paternas - no topo do farol; mas tudo que ele e Hugo encontraram é um mecanismo de "iluminação" dos candidatos.
Quando Jacob reaparece para Hugo, descobrimos que o seu objetivo era mesmo mostrar aquela imagem para Jack (da casa onde ele cresceu); o que nos leva a novos questionamentos. É possível que Jacob esteja mesmo manipulando as pessoas de acordo com suas vontades e que talvez não seja ele a boa entidade que imaginamos. Seja como for, Jacob aceitou com naturalidade a reação de Jack e talvez continue vendo Jack como o principal candidato para "proteger" a ilha. E como um bom episódio envolvendo a família Shephard, nem tudo é sobre Jack. Sabemos um pouco mais da trajetória de Claire nos seus últimos três anos na ilha. Perseguida e torturada pelos Outros, a loirinha aparece disposta a encontrar Aaron e mantém Jin sob seus cuidados. Seu relato gera uma série de dúvidas sobre o que de fato aconteceu neste período (ela parece não saber ao certo quanto tempo passou na ilha): estará mesmo infectada? por que de sua aparência Rousseau? quando ela montou o bebê-esqueleto no berço? o que terá acontecido com seu pai? e como ela conheceu o MIB e descobriu que aquele não é Locke? E ainda, como será o encontro de Claire e Kate? Ainda Lost: Jacob pediu que Hugo rodasse o disco a 108 graus; quando a roda passa por este número vemos a imagem de um templo nos espelhos do farol. Mas quem é o candidato representado por este número; de sobrenome Wallace? Mais Lost: Quem é a mãe do menino David, filho de Jack na realidade alternativa? Será Juliet? Lost & Found: Se os candidatos estão dispostos em graus na roda, serão 360 candidatos originalmente? E por que Hugo não mostrou nenhuma reação ao ver aqueles números com os nomes não-cruzados? |
|||||
| 06 | "Sundown" |
02 março | 16 março | ||
Sayid teve as respostas que queria? Depois de ser torturado/testado por Dogen na procura de sinais "da infecção", Sayid finalmente enfrentou o líder de poucas palavras do templo e levou o caos à pequena comunidade. O episódio revelou tudo o que nós precisamos saber sobre o final da série: sobre qual é o lado do bem, quem representa o mal, e como um grande confronto está sendo preparado para o fim. Talvez Sayid não tenha todas as respostas, mas nós, espectadores privilegiados, temos; ou pelo menos podemos interpretar algumas informações e tirar nossas próprias conclusões.
Na ilha, Sayid é instruído por Dogen para matar o MIB assim que o encontrasse do lado de fora do templo (no momento em que se apresentasse como alguém que já morreu e antes mesmo que pudesse dizer qualquer coisa). Sayid falha na tarefa; talvez porque o MIB teve a chance de se anunciar antes de levar o golpe ou talvez porque o plano era mesmo uma emboscada de Dogen na tentativa de matar Sayid. De qualquer forma, o monstro personificado no corpo de Locke tem a chance de oferecer um acordo a Sayid; de reencontrar a falecida Nadia. Servindo de mensageiro do MIB, Sayid consegue "abrir as portas " do templo para o monstro de fumaça, eliminando Dogen da jogada. Enquanto isso, acompanhamos na realidade alternativa a vida de Sayid ao reencontrar seu irmão, casado com Nadia e com dois filhos; envolvidos em plano de extorsão comandado por Keamy (ainda um dos personagens mais assustadores da série!). A história mostra que Sayid endereçou Nadia para seu irmão por acreditar que não merecia a moça (devido ao seu passado como torturador do governo iraquiano); mas ainda guarda um grande sentimento por ela. No entanto, Sayid se vê obrigado a ajudar sua família, apesar da resistência inicial. Para proteger Nadia e seus sobrinhos, o ex-soldado precisa pôr um fim na ameaça representada por Keamy (que colocou seu irmão no hospital, o mesmo local em que trabalha um certo Jack Shephard). Sayid enfrenta Keamy - revelando portanto a sua natureza violenta e vingativa - e de quebra encontra Jin (como ele chegou lá?!) mantido amarrado pela gangue.
Do que podemos apreender que a realidade alternativa pode representar este mundo prometido pelo MIB (a entidade contrária a Jacob, o "outro lado da moeda"). Esta realidade, ainda que longe do clássico final feliz, cumpre com os desejos de Sayid: de ter Nadia viva, do seu lado (mesmo que não com ele). Das histórias já apresentadas neste mundo alternativo, descobrimos um Jack mais bem resolvido com suas questões paternais; um Locke capaz de aceitar sua condição e até mesmo uma Claire disposta a criar o seu filho Aaron. Parece portanto, uma terra prometida; será esta realidade feita dos acordos com a entidade conhecida pelo homem de preto? No que se deduz que a realidade alternativa não é consequência direta da explosão da bomba Jughead, mas antes da morte de Jacob pelo monstro de fumaça. Ou seja, da substituição no comando da ilha (ou da realidade). Enquanto Jacob permanece na forma de fantasma (para Hurley) e não encontra o seu candidato, a continuidade dessa narrativa na ilha como conhecemos estará ameaçada pelos ideais do MIB. Possivelmente é este o discurso de livre-arbítrio da entidade; fazendo valer a vontade de cada um, através - claro - da manipulação e da sugestão (ora, ele não deu exatamente uma opção para Sayid, certo?). Afinal, tudo se resume a uma questão de escolha: destino ou livre-arbítrio? Não será a própria escolha pré-determinada? Talvez exista uma outra "força" que possa julgar os acontecimentos na ilha: afinal, quem é a pessoa que está chegando na ilha (como anunciou Jacob no episódio anterior)? Parece certo, por enquanto, que apenas uma das realidades prevalecerá. A fantasia, o desvaneio, o mundo imaginado ou a terra prometida; essa deverá ser superada pela realidade "estável" (que termo difícil, mas estamos falando de Lost, certo?). Essa dualidade de mundos, de narrativas, pode ser reconhecida pelos opostos Jacob e MIB; personagens-conceitos, sínteses do bem e do mal, respectivamente. A pergunta agora passa a ser: como cada um deles vai influenciar os demais personagens e quem será o responsável por "acordar" na realidade definitiva. A noção de julgamento - da natureza humana - predomina no episódio: Sayid é mais uma carta fora do baralho, revelando em ações (um banho de sangue!) a sua escolha por um dos lados da balança; é mais um recruta daquele que não deve ser nomeado para seu exército. Você acha que ele teve escolha, ou foi consumido pela "infecção", como a desvairada Claire? A sequência final, de puro terror e adrenalina, fica como um marco para a série. Ainda Lost: Por onde andam Jin e Sawyer; se perderam na mata? Mais Lost: Sayid assinou o seu atestado de maldade e sua impossibilidade de redenção; está definitivamente do lado negro da força (também conhecido como monstro de fumaça, o não-Locke, MIB, ou aquele que não deve ser nomeado). Lost & Found: Kate finalmente reencontra Claire no templo e conta que criou Aaron fora da ilha; a aposta é que Kate vai pagar um preço alto por esta revelação. Não queria estar na pele da moça, com uma maluca no seu pé! |
|||||
| 07 | "Dr. Linus" |
09 março | 23 março | ||
Como você recebeu a(s) história(s) de redenção de Benjamin Linus? É crível que o personagem procure as escolhas corretas depois de todo mal que ele causou? Não fosse o trabalho excepcional do ator Michael Emerson, talvez não acreditaríamos nessa possibilidade: de que tanto na realidade alternativa quanto na ilha, Ben tenta fazer o melhor nas devidas situações. Porém, o episódio pesa no tratamento do tema e não imprime com a mesma facilidade a discussão central da temporada. Os diálogos são incisivos demais na abordagem sobre o bem o e o mal, na relação de escolha e destino, e no caso de Ben, no fardo e na responsabilidade das questões de poder. Em geral, são pequenos comentários que mais parecem brincadeiras dos roteiristas em ressaltar a popularidade da série: Frank Lapidus comentando que deveria ter pilotado o vôo da Oceanic, Hugo perguntando se Richard é um ciborgue ou um vampiro. É uma pena que esta queda de qualidade aconteça justamente em um episódio de Ben; um dos personagens mais interessantes da série.
Conhecemos neste episódio um pouco mais de Benjamin no mundo paralelo; conforme ele nos foi apresentado no episódio "The Substitute", um professor de história descontente com seu trabalho e principalmente com a escola e seus colegas de profissão. Em casa, Ben cuida ainda do seu pai enfermo Roger - em cuidados especiais que espelham a forma como foi morto na ilha (pelo seu filho) -, que nos informa sobre a viagem que juntos fizeram para a ilha da Iniciativa Dharma. Enquanto Ben reclama da sua carreira, Roger convida a pensar o que teria acontecido caso tivessem permanecido na ilha. A motivação deste Dr. Linus é mesmo Alex, transformada neste mundo paralelo na aluna exemplar da escola, que tenta uma vaga na universidade de Yale. É Alex quem revela para o professor Linus sobre o caso do diretor da escola com uma das enfermeiras da instituição; trazendo à tona a cobiça de Ben pelo cargo do colega. Para conseguir provas do caso, Ben conta com a ajuda de Leslie Arzt, que coleta a troca de e-mails entre o diretor e a funcionária. O diretor, porém, faz uma ameaça para Ben, que tem que escolher entre ficar com o cargo de diretor ou ajudar Alex na indicação que precisa para entrar na Yale. Talvez a escolha do Dr. Linus não seja tão previsível quanto parece (afinal, ele sacrificou Alex na ilha); mas a narrativa é maniqueísta demais, até mesmo para Lost.
Mais interessante, porém, é o desenvolvimento da narrativa na ilha. Ben reencontra o grupo de Ilana, mas é dedurado por Miles sobre a morte de Jacob (será esta a única utilidade das cinzas de Jacob?). Feito refém, Ben é obrigado a cavar a sua própria cova. Como nunca antes, Ben está no limite do desespero e da perdição; é quando o MIB vai de encontro com o prisioneiro e oferece a ele o controle da ilha (assim que o homem de preto e sua turma deixarem a ilha, ela precisará de um novo líder). O MIB encoraja Ben a encontrá-lo na estação Hydra e o liberta de suas correntes. Então, Ben corre para o seu destino prometido, mas é perseguido por Ilana. Desse confronto resulta a melhor cena do episódio: Ben relata para Ilana os motivos que o levaram a matar Jacob e por que decidiu seguir "Locke". Ben: Porque ele é o único que me aceitará. Ilana: Eu te aceitarei. Ao retornar com Ilana para a praia, Ben assiste ao retorno de Jack, Hugo e Richard e o reencontro com o resto do grupo (cena clássica de Lost). O trio passou por uma provação de fé nas mãos de Richard, disposto a se matar (ou melhor, se matar com a ajuda alheia) depois que soube da morte de Jacob e de tudo que ele idealizava (o templo, por exemplo). Richard revela um pouco mais da "graça" de Jacob, da crença que tudo acontece por um motivo (cada vez mais esse conflito parece uma luta entre Neo e o agente Smith) e de como Jacob o dizia que ele era parte de um plano. A revelação "divina" acontece através de Jack, que prova para Richard a importância de estarem na ilha e de darem continuidade ao legado de Jacob. Isso se Charles Widmore deixar, é claro! Lost & Found: Charles Widmore está chegando com seu submarino; indo em direção a ilha Hydra? |
|||||
| 08 | "Recon" |
16 março | 30 março | ||
James 'Sawyer' Ford é um dos melhores personagem de Lost. É o mais humano dos personagens, de personalidade complexa e intrigante. O episódio - ainda que não entregue as respostas que gostaríamos sobre a trama da série - aproveita a dubiedade de Sawyer para elaborar um interessante jogo metafórico sobre o tema dessa temporada. O filho perdido neste mundo, órfão de uma violenta brutal aos 9 anos (que tirou de uma só vez seus pais), se apresenta aqui - tanto na ilha quanto no mundo alternativo - como um sujeito dividido, fazendo do jogo duplo a sua forma de lidar com a vida. Na ilha, Sawyer faz o meio de compo entre o MIB e Widmore, usando a verdade e a honestidade para passar o seu maior golpe: fugir da ilha colocando os opostos para brigar. De outra forma, para alcançar o seu objetivo (nobre) de sair da ilha com seus amigos, Sawyer está disposto a encarar o mal de frente. Já no mundo alternativo, no qual trabalha para a polícia de Los Angeles, James Ford é um sujeito motivado pela vingança (na sua caça de um Anthony Cooper), solitário ("você quer morrer sozinho?", pergunta o policial Miles) e incapaz de confiar nas pessoas (como a simpática ruiva Charlotte). Mas apesar do sofrimento e da violência, Ford é um bom policial (pergunte a Kate sobre isso!), capaz de se reconciliar com seu parceiro, com seu passado e com sua raiva. Sawyer é, sempre foi e continuará sendo, indecifrável; eternamente cinza, sem escolher um lado que não seja o seu próprio. E como podemos culpá-lo, certo?
Sawyer: O que tem para o jantar? Kate: Coelho. Eu acho.
Se a narrativa envolvendo Sawyer parece não entregar tantas respostas sobre os mistérios da série, é o MIB incorporado na pele de John Locke que dá pistas sobre o que exatamente está acontecendo nesta realidade da ilha. Enquanto coloca Sawyer para reconhecer o inimigo na ilha Hydra, MIB conversa com Kate sobre a situação da moça com a Claire e seu filho Aaron. O homem-de-preto/monstro de fumaça reconhece o desequilíbrio da loirinha, sugerindo que Kate terá que proteger o pequeno Aaron dos perigos de ter uma mãe louca. Como ele sabe disso? Ora, por que ele também teve uma mãe assim. Se isso for verdade, e não uma maneira da entidade manipular as decisões de Kate, quem é a sua mãe? Consideramos, por um instante, que o MIB disse a verdade sobre a presença de Widmore na ilha; que o sujeito que chegou de submarino lhe quer mal (e o homem-de-preto não quer morrer, ele quer ir embora da ilha). Por que a ameaça para a entidade repousa na chegada de Widmore? Qual é a arma dele para controlar o monstro de fumaça? Charles Widmore parece saber/reconhecer mais do que ninguém sobre a origem do MIB. Poderá ser Widmore o genitor dessa entidade? E, se ele é o Adão, quem representa Eva? Sim, claro, Eloise Hawking, por que não?! Ainda Lost: Quando é que Jin vai reencontrar Sun? Mais Lost: Há alguma solução para a doença de Sayid? Lost & Found: Claire segura a mão de Kate. Claire ataca Kate. Claire abraça Kate. |
|||||
| 09 | "Ab Aeterno" |
23 março | 06 abril | ||
Chegamos na metade da última temporada de Lost com um dos melhores episódios de toda a série. "Ab Aeterno" é o episódio que há muito tempo esperávamos, revelando um dos maiores mistérios da trama: a origem de Richard 'Ricardo' Alpert. A história é contada através de um grande flashback - saindo do padrão flash-sideways dessa temporada - que mostra a vida pregressa de Ricardo, a morte de sua esposa e a condenação do personagem por um assassinato acidental. Negociado por um comerciante pouco antes de sua execucão, Ricardo torna-se escravo do navio Black Rock; confirmando as teorias sobre como o personagem chegou até a ilha. O excelente flashback evidencia o conflito cristão do personagem: a culpabilidade do seu crime não pode ser perdoada pela sua igreja de outra forma a não ser pela penitência, mas é através da bíblia (em inglês) que Ricardo encontra uma chance de redenção. Para onde então o personagem é levado para provar seu arrependimento? Para a ilha de Jacob e do MIB, claro!
Descobrimos que a chegada do navio Black Rock coincide com a destruição da estátua de Taweret (chamada pelos prisioneiros da embarcação de demônio). A cena se passa logo depois da conversa entre Jacob e MIB no final da temporada passada, quando os dois trocam ameaças e acusações na praia. O que significa que a tempestade que joga o navio na ilha é consequência daquela conversa e parte do plano de Jacob de manter o MIB aprisionado na ilha; mais uma vez, Jacob confirma sua responsabilidade em trazer as pessoas para a ilha com o objetivo de provar a sua visão de mundo para o MIB. O flashback de Richard representa - o que deve ser - a primeira disputa entre essas duas forças. Acorrentado ao navio, Richard é vigiado pelas entidades (que assumem formas de outras criaturas) até ser libertado por MIB ("é bom vê-lo sem essas correntes") em troca de uma promessa. O MIB pede que Richard mate 'o diabo', que se encontra no pé da estátua; justificando ser essa a única forma de escapar do inferno. MIB: Você só tem uma chance. Enfie isso no peito dele. Não hesite. Não o deixe falar nada. Se ele falar, será tarde demais. Ele pode ser muito persuasivo. Richard: Como posso matá-lo com isso? Ele é uma fumaça negra. MIB: Não. Eu sou.
As palavras do homem vestido de preto para Richard são idênticas à orientação de Dogen para Sayid sobre como atacar o MIB no corpo de Locke alguns episódio atrás. Certamente não é uma mera coincidência; é também o mesmo punhal que serve como arma para os ataques (Jacob teria entregue o punhal para Dogen). Como Sayid, Richard também falha na sua missão, deixando o 'inimigo' falar antes do ataque. Ao contrário do MIB, porém, Jacob não incita a violência ou um contra-ataque. Assim, Richard é convencido por Jacob da essência da escuridão no homem-de-preto. Mas quem será mais persuasivo nesta história: Jacob ou o MIB? O episódio joga todo o momento com nossas crenças sobre as duas entidades; fazendo-nos acreditar, mesmo que por um instante, que Jacob pode ser a personificação do diabo. Ou ainda, que todos na ilha estão mortos e que o local é a representação do inferno. Apesar dessa provocação de Richard (para Jack, logo no início do episódio), ele mesmo nos traz as respostas sobre a sua longa vida e penitência na ilha (quem sabe ela representa mesmo o purgatório): Richard foi 'tocado' por Jacob (renascido e batizado) em troca de seus serviços como mensageiro e intermediário de sua visão para os outros (futuros) habitantes da ilha. Se a vida eterna é uma dávida de Jacob pela fidelidade de Richard; é justo portanto que a morte de Jacob tenha desestruturado suas convicções. Ainda que Richard coloque em dúvida a sua fé, ele permanece destinado a cumprir a sua missão; o que neste momento significa ajudar Ilana a escolher o substituto de Jacob. O conflito do personagem é solucionado pelos recados de sua falecida esposa através de Hugo; através deles, Richard reencontra a sua fé (na vida, no cristianismo, em Jacob). Hugo: Você tem que impedir o homem de preto. Tem que impedí-lo de deixar a ilha. Porque se não o fizer, vamos todos para o inferno. Ainda Lost: Jacob usa uma garrafa com vinho para representar, de forma simbólica, o aprisionamento do homem de preto na Ilha. O que acontece quando o MIB decide quebrar a garrafa? Mais Lost: Quais são todos os poderes dessas duas entidades antagônicas? Jacob é capaz de causar uma tempestade no mar, ou até mesmo de liberar cargas eletromagnéticas? De que outra forma pode funcionar o seu encanto sereístico? E o MIB, pode mesmo cumprir suas promessas de gênio da garrafa? Lost & Found: Podemos ter uma visão do inferno anunciado por Hugo? |
|||||
| 10 | "The Package" |
30 março | 13 abril | ||
É natural que depois do excelente episódio da semana passada, esse "The Package" seria um tanto decepcionante. Se "Ab Aeterno" conseguiu superar as altíssimas expectativas ao revelar a história pregressa de Richard, este episódio focado em Jin e Sun fica aquém das mais baixas esperanças. O casal já não é um favorito do público, e pesa contra eles o fato de não participarem há muito tempo da ação principal da série. Sendo assim, fica díficil se envolver com esta história no mundo alternativo; relatando como Jin foi parar no freezer do restaurante pelas mãos do Keamy.
A trama enfatiza as dificuldades que sempre separam o casal; nas palavras de Keamy, eles simplesmente não estão destinados a viverem juntos. Nas duas realidades, tanto na ilha quanto em Los Angeles, Jin é sequestrado e mantido em isolamento longe de Sun. Em Los Angeles, o motivo do rapto é a quantia que Jin deveria entregar a Keamy (que logo se transforma em uma vingança do pai de Sun sobre o romance dos dois). Na ilha, a ação é mais interessante, já que Jin é levado por Zoe para relatar os campos eletromagnéticos da ilha para a equipe de Widmore. É esta narrativa na ilha Hydra que salva o episódio, mostrando o encontro do MIB com Charles Widmore e revelando o conteúdo do "pacote" que Widmore trouxe consigo no submarino.
De uma maneira geral, o conflito de Sun e de Jin é pouco aproveitado por essa história e o resultado todo parece muito forçado; ou seja, a história do casal parece aqui mais como um encaixe dentro da grande narrativa da temporada, não tendo uma função clara sobre a ação ou sobre os demais personagens. Talvez se tivéssemos mais vinte episódios pela frente, esta história não incomodasse tanto. Acontece que houve uma predileção por esses personagens em detrimento de outros (vamos dizer, uma história no mundo alternativo de Desmond, Penny, Juliet ou Daniel). Não, em vez disso, ficamos com Sun e Jin. Além dessas considerações meramente subjetivas, posso apontar um motivo que me fez desacreditar por completo no episódio: logo em seguida de trombar contra uma árvore, por que raios Sun precisa 'bloquear' sua habilidade de falar inglês? Se todo o seu ataque nervoso já era injustificável, a incapacidade de se comunicar só piorou a situação. E mais, todo essa ação não tem a menor importância / relevância / leitura sobre os acontecimentos da trama. Foi a coisa mais estúpida que já vi em Lost nos últimos anos. Enquanto Sun passa pelos exames do doutor Jack (assumindo seu cargo de líder), o MIB declara guerra contra Widmore e sua gangue. O objetivo do homem-de-preto fica cada vez mais claro a partir das conversas que ele tem com seu povo: a única maneira de ir embora da ilha é se todos os condidatos forem juntos também. Kate e Claire não constam na lista de nomes possíveis para substituir Jacob, mas cada uma tem um propósito de estar ali ao lado do MIB. Widmore faz parte da resistência, acreditando que se 'aquela coisa' deixar a ilha, todos deixaram de existir. Lost & Found: Desmond. |
|||||
| 11 | "Happily Ever After" |
06 abril | 20 abril | ||
Chegou a hora do êxodo de um mundo para outro; Desmond está na ilha e com todas as respostas na cabeça para solucionar este imenso quebra-cabeça chamado Lost. O 'constante' personagem é usado por Widmore em uma experiência que conecta de uma vez por todas os dois mundos alternativos: a capacidade de Desmond de suportar cargas eletromagnéticas possibilita que o brotha transfira - ainda que temporariamente - sua consciência para a outra realidade. E é nesta janela aberta pela experiência com Desmond que o episódio se desenvolve.
Finalmente a narrativa na realidade alternativa adquire um sentido claro para a história da série, passando do campo especulativo ou hipotético para um nível de grande significação. Talvez o resultado dessa história - do encontro e da substituição das duas realidades - já era esperado e conhecido por nós há algum tempo; a surpresa está na maneira como essas idéias são contadas neste episódio. O reencontro de Desmond na realidade alternativa com alguns dos personagens mais interessantes da série é de encher os olhos; Widmore, Charlie, Daniel, Eloise e Penny. Melhor do que isso, a versão alternativa recria - em analogia ou aproximação - alguns dos momentos mais marcantes da trajetória da série. Através desses eventos similares na realidade alternativa, Desmond consegue perceber (ou sentir) que existe algo além. Neste caso, o além se revela através de uma sensação de quase-morte, após Charlie contar sua história no avião ("LA X") e proporcionar a Desmond um flash dessa outra realidade (de uma forma mais concreta que as alusões em espelhos feitas até aqui). A imagem de Charlie se afogando dentro do carro (a alternativa para "Through The Looking Glass") é o catalisador das visões de Desmond para a realidade iniciada na ilha, principalmente na lembrança de sua Penny. A força dessa idéia (a sua constante) o coloca mais perto da verdade; em uma conversa com Daniel Widmore (meio-irmão de Penny), Desmond recebe algumas explicações sobre o que está realmente acontecendo. Desmond, afinal, é a constante de Daniel: ainda que nesta realidade Daniel seja apenas um músico e não um gênio da física, algo lhe motiva a compartilhar sua visão: de que se sente responsável por modificar o mundo com a explosão de uma bomba. Poderá então a distinção dessas duas realidades ser explicada pelos mecanismos da física? Como Desmond deverá abordar os outros passageiros do vôo da Oceanic? Após encontrar Penny em Los Angeles e acordar (consciente das duas realidades, por assim dizer), Desmond estará disposto a fazer um sacrifício? Seguir com Sayid faz parte do plano?
Quando Desmond acorda após a experiência na ilha, a expressão no seu rosto indica um estado de sabedoria e consciência sobre todos os eventos da história. Diferente da resistência inicial em fazer parte dos planos de Widmore, esse Desmond que levanta após receber uma carga eletromagnética está disposto a colaborar e fazer a sua parte do plano. Mas o que de fato ele sabe e qual será a sua escolha? Deverá ser ele quem vai apresentar as alternativas para os demais sobreviventes na ilha? Se Desmond é a arma de Widmore para impedir os planos do MIB, como Des poderá 'vencê-lo'? E como o personagem faz parte do jogo entre o MIB e Jacob? Ainda Lost: Pouco antes de morrer em "LA X", Juliet disse a Sawyer que (a bomba) "funcionou"; entendemos que ela teve uma visão da outra realidade. Portanto, onde está a moça no mundo alternativo? |
|||||
| 12 | "Everybody Loves Hugo" |
13 abril | 27 abril | ||
Quantos personagens 'acordaram' neste episódio para a existência das duas realidades? Depois de Desmond descobrir a vida na ilha com a ajuda de Charlie, é a vez de Hugo ter uma visão dessa realidade através de um encontro romântico com Libby. Hugo consegue realizar no mundo alternativo o piquenique prometido para a sua amada e, depois de um beijo, passa a acreditar nas histórias de Libby sobre uma outra existência em comum. Parece portanto que Desmond está cumprindo a sua missão de mostrar o outro lado história aos passageiros do vôo 815 da Oceanic. A história de Hugo e Libby nos faz acreditar no coração bondoso de Desmond, disposto a ajudar seus colegas de vôo. O desfecho da história, porém, mostra que Desmond pode não possuir todas as respostas, ou talvez não possui as melhores maneiras de mostrar aos passageiros a vida alternativa que vivem/viveram na ilha.
Na ilha, o grupo na praia discute a respeito de explodir ou não o avião Ajira; Ilana parece cegamente decidida a seguir as orientações de Richard sobre impedir que o MIB escape da ilha, mas Hugo recebe um aviso de Michael (!) que a ação pode matar a todos ali. Enquanto discutem, Ilana larga abruptamente a sua bolsa carregadas de explosivos do Black Rock; instantaneamente, Ilana explode, servindo de sinal para os demais do grupo que o plano de explodir o avião Ajira pode ser um erro. Richard argumenta que a morte de Ilana não pode ficar em vão e que eles devem prosseguir com o plano. Convencido da sua missão de proteger o grupo, Hugo se adianta dos demais e explode o Black Rock antes que Richard possa pegar mais dinamites do navio. A partir desse momento, o grupo se divide entre aqueles que acreditam nas palavras de Richard e aqueles que confiam na liderança de Hugo.
O episódio apresenta, tanto na narrativa da ilha como no mundo alternativo, esquemas de manipulação e engano. Na ilha, Hugo lidera o seu grupo até o MIB, tendo sido o tempo todo manipulado pelo fantasma de Michael. O sorriso de satisfação do MIB em ver os demais candidatos na sua frente deve servir de indicação que a decisão do grupo foi mesmo um erro; o olhar de Jack encarando pela primeira vez o MIB no corpo de Locke é de puro medo e pavor. Será que ainda há tempo para Jack reassumir a liderança e entender a sua importância para a história? No caso de Desmond, a análise de suas ações neste episódio revelam um esquema mais complexo de manipulação e engano. Podemos entender que no mundo alternativo Des está 'tocando' os passageiros, fazendo-os enxergar o outro lado do 'espelho'. Como Jacob antes dele, algumas dessas intervenções podem parecer mais malignas do que o esperado (Sayid tem motivos para não seguir Jacob, certo?!). Neste episódio, no mundo alternativo, Desmond faz 'contatos imediatos' com dois personagens centrais: Hugo, quem ele convence a procurar Libby; e Locke, que Des atropela violentamente na saída da escola. A maneira como Desmond aborda os dois personagens, podemos concordar, é bastante diferente, certo?! Como justificar essa chocante ação do personagem? Não haveria uma outra maneira de 'acordar' Locke para a realidade alternativa? Afinal, o que está acontecendo com o brotha; Desmond passou de um lado para o outro, inverteu suas posições nas duas realidade? Ou estará Desmond compartilhando a mesma consciência nas duas realidades? Ao mesmo tempo ou alternadamente?! Na ilha, Desmond é entregue nas mãos do MIB, que leva o brotha para uma caminhada até um poço. O que Desmond não sabe é que aquele homem não é John Locke. Sem ter para onde ir, Des aceita sem medo a presença do sujeito. O MIB justifica a caminhada para dizer que Charles Widmore não está interessado em respostas, mas em poder: "ele trouxe você de volta para a ilha, para você ajudá-lo a encontrar aquilo que ele procura, afinal, esse não é o único poço". Em seguida, o MIB joga o brotha dentro do poço. Conseguirá Desmond escapar desse aprisionamento? Como esses acontecimentos na ilha podem refletir em ação no mundo alternativo? Ainda Lost: Qual é a direção do êxodo: da ilha para o mundo alternativo ou do mundo alternativo para a ilha? Mais Lost: O MIB parece não ter gostado muito de Desmond, especialmente porque ele não sentia medo da sua presença. Isso pode representar uma ameaça para o MIB? Ou é apenas uma ofensa? E afinal, quem é o garoto que aparece para o MIB (e aqui, também para Desmond)?Jacob? Aaron? O próprio MIB? Lost & Found: Hugo entende que os sussuros são fantasmas de pessoas mortas e que eles estão 'presos' na ilha por causa das suas ações em vida. Um mistério a menos. |
|||||
| 13 | "The Last Recruit" |
20 abril | 04 maio | ||
O que representa, nesta altura do campeonato, o 'salto de fé' de Jack? Ao se lançar ao mar, Jack estaria escolhendo o seu lado na guerra? Se sim, que lado seria este: Jacob, MIB ou ainda o de Charles Widmore? Seja como for, a atitude de Jack é certamente uma transformação do personagem, que sempre questionava a fé de Locke na ilha e passa neste momento a ocupar este posto de mentor e guru da ilha: "A ilha não acabou conosco ainda". Jack está convencido que permanecer na ilha é a decisão a ser tomada; porque se o MIB deseja tanto que os candidatos deixem o local, é porque o monstro de fumaça teme o que pode acontecer caso eles fiquem. Sawyer não compreende o pensamento de Jack e faz o doutor pular fora do seu navio; he's done with this shit e isso é compreensível. Mas ao fazer isso, Sawyer deixou Jack nas mãos do MIB. Afinal, como sugere o título do episódio: Jack é o último recruta, mas de que lado dessa guerra?
A jornada do personagem nesta temporada passa por um momento decisivo neste episódio; se antes Jack não tinha mais propósito ou perdera suas convicções em relação à ilha e aos sobreviventes (quebrando espelhos do farol ou abdicando sua posição de líder), agora ele encontrou seu destino e suas obrigações. Em algum lugar, Jacob deve estar com um sorriso de satisfação: seu principal candidato assumiu a via da redenção. Como o MIB tentará contornar esta situação e convencer Jack que ele precisa deixar a ilha? Se as regras informam que o homem-de-preto não pode matar diretamente os candidatos, como ele vai se livrar da presença do doutor?
Enquanto a guerra começa na ilha (e todo o episódio serve para mostrar o início ao confronto), no mundo alternativo os personagens começam a se encontrar com mais frequência e a cruzar os seus destinos. Alguns encontros já eram esperados; como os feridos Locke e Sun que vão parar no hospital de um Jack Shephard. Outros, porém, são mais surpreendentes: Ilana (!), Desmond, Claire e - mais uma vez - Jack. Ou ainda em outra sequência, Sawyer e Sayid. A trama avança a passos largos no mundo alternativo; mas a pergunta continua: o que/como nos aguarda a colisão dos dois mundos narrativos? Os constantes encontros dos personagem podem gerenciar essa percepção sobre o outro lado? A última cena do episódio no mundo alternativo pode ser um indício sobre o que está por vir: Jack entra na sala de operações e reconhece - através do espelho - o rosto do paciente John Locke. Na ilha, o MIB (na figura e no rosto de um John Locke) resgata Jack na praia durante o bombardeio comandado por Charles Widmore: "Você está comigo agora". Ainda Lost: Sawyer não deixou claro que seguia seus próprios planos, então o que ele esperava de Widmore? E mais, não teria ele dito para Kate das suas intenções de fugir da ilha, por que ela se faz de desentendida? Mais Lost: Ben, Miles e Richard podiam ter aparecido, não? Como eles estão se preparando para a guerra? Lost & Found: Temos a confirmação que o MIB se apresentava aos sobreviventes através da figura de pessoas falecidas, como Christian Shephard. |
|||||
| 14 | "The Candidate" |
04 maio | 11 maio | ||
Por esta eu não esperava. Tudo bem que a série está acabando e que logo vamos nos despedir dos personagens, mas a história surpreende aqui ao matar tantos personagens principais de uma só vez. Não há tempo de respiro; da metade até o final desse episódio, a emoção fica nas alturas com uma cena mais chocante que a outra. O percurso - como no episódio anterior - pode não ser excelente e deixa a impressão que a guerra entre o MIB e Widmore não aconteceu; mas os acontecimentos no final compensam as longas caminhadas dos personagens de um lado para o outro da ilha.
A trama serve aqui para mostrar aos sobreviventes, de uma vez por todas, que o MIB é do mal e que seu plano é eliminar a presença dos candidatos na ilha. Jack finalmente entende o que nós já sabíamos sobre o personagem, das regras que ele é obrigado a seguir e das alternativas que tem para matar os nomes da lista de Jacob. O MIB se adianta em relação aos sobreviventes e consegue colocá-los todos em perigo; milhas abaixo do mar e com um bomba prestes a detonar. É nesta situação que Jack revela sua percepção sobre as regras da ilha, em um momento que ecoa a conversa do doutor com Richard Alpert episódios atrás; se eles estão protegidos por Jacob, a bomba não pode explodir. Jack insiste com Sawyer que nada faça, que não tente desligar o relógio preso ao detonador, pois o MIB não pode matar diretamente os candidatos, mas eles podem sim se matar ao tentar impedir a explosão. Este discurso de Jack representa o máximo de sua crença na ilha, do caminho de redenção e aceitação proposto para a sua trajetória. Neste sentido, podemos culpar Sawyer de não confiar nas palavras do doutor e consequentemente levar três personagens centrais à morte? Acredito que sim, Sawyer decidiu seguir seu próprio caminho, negou os outros e abriu mão da possibilidade de redenção. O que isso significa e como o personagem vai lidar com a culpa pelos eventos deste episódio?
Por mais que a morte de Sayid, Sun e Jin na narrativa da ilha sejam bastante significantes para a série (e com certeza cada personagem encontra sua legião de fãs e admiradores que sentirão suas ausências nos próximos episódios), sinto que o momento de maior dramaticidade neste episódio ocorre na conversa entre Jack e Locke no mundo alternativo. Aquele Jack está cada vez mais intrigado com as coincidências em torno dos passageiros do vôo 815 da Oceanic, e decide ajudar Locke a recuperar os movimentos das pernas através de uma cirurgia. Locke é 'o candidato' para experimentar uma nova técnica regenerativa, mas o paciente está decidido a não participar do programa do médico. Jack procura descobrir mais sobre o acidente que colocou Locke em uma cadeira de rodas, indo ao encontro de um tal de Anthony Cooper. O que encontra é um senhor incapacitado, que descobrimos foi vítima de um acidente de avião pilotado pelo seu filho John Locke assim que esse tirou seu brevê. O que segue essas revelações é uma emocionante conversa de confiança e perdão entre o médico e o paciente no corredor do hospital. Locke: O que o faz pensar que esquecer seja tão fácil? (What makes you think that letting go is so easy?) Jack: Não é, e de fato, eu mesmo não sei como fazê-lo. E por isso eu esperava que talvez você pudesse fazer isso primeiro. (...) Eu posso ajudá-lo, John. Queria que acreditasse em mim. Ainda Lost: Ben, Miles e Richard. Mais Lost: Kwon Ji Yeon, órfã. Lost & Found: A atitude de Sayid o redime de todo o mal que ele causou? Será que não faltou uma conclusão para a jornada do personagem? |
|||||
| 15 | "Across The Sea" |
11 maio | 18 maio | ||
Mãe: Toda pergunta que eu responder vai levar a outra pergunta. Temos finalmente o conto de origem de toda a mitologia da série. Com três horas e meia para o final, podemos dizer que não teremos mais respostas sobre o passado da ilha além deste episódio. Definitivamente a história aqui apresentada traz novos questionamentos sobre os acontecimentos do passado. O que faz de Jacob e o MIB tão especiais? Como a mãe que criou os meninos sabia tanto sobre a ilha e da necessidade de proteger a fonte de luz? Ela também chegou a ilha por acidente, então qual é o seu local de origem? E, em que época passa essa história? Não podia ser diferente; as respostas definem a ilha como um local místico, que guarda a fonte 'de luz' de toda a humanidade. Temos a confirmação que Jacob e MIB são realmente irmãos gêmeos bivitelinos, nascidos na ilha sim, mas criados por uma mãe que não a biológica. Esta, de nome Claudia, é assassinada pela Mãe logo após dar à luz o par de meninos. Os rapazes crescem e o MIB (que não recebeu um nome ao nascer) começa a demonstrar suas capacidades especiais; além de ser o preferido da Mãe (para proteger a ilha), MIB também tem o dom de ver pessoas mortas. Através desse dom, o MIB tem uma esclarecedora conversa com Claudia, sua mãe biológica, que relata os acontecimentos após o parto, sobre o ataque da mãe de criação e também sobre a existência de civilização do outro lado do oceano. Esses são os motivos da discórdia que acaba por separar MIB de Jacob; MIB vai viver com 'os outros' sobreviventes do naufrágio (conterrâneos de Claudia), enquanto Jacob decide ficar do lado da Mãe. MIB quer ir embora, conhecer o mundo dos homens; Jacob prefere ficar e proteger a ilha.
Mas nem tudo é preto ou branco nesta história de origem e podemos assumir uma grande escala cinzenta entre os personagens. Jacob, por exemplo, nunca foi o queridinho da mãe e criou ao longo dos anos um ressentimento devido a predileção dela pelo MIB. Também o personagem tem dúvidas se deve ser o protetor da ilha, mas finalmente aceita escutando a única voz que conhece. O MIB, por outro lado, consegue julgar os atos da mãe e usar da razão para seu benefício. Há no personagem um sentimento de desbravador, de descobrir o mundo dos homens, que permite nos identificar facilmente com ele. Por que então a mãe não permite que o MIB deixe a ilha e faz o que faz para impedí-lo de partir? Na crença cega de que o MIB deveria ser o protetor, a mãe interrompe a construção da 'roda de burro' e elimina os 'outros' com quem seu filho se criara. O fardo de proteger a fonte da ilha é entregue para Jacob, pouco antes do MIB se vingar da mãe apunhalando-a pelas costas. Quando Jacob vê o que seu irmão fez, dá-lhe um boa surra e joga finalmente o corpo dele na fonte (porque este castigo seria pior do que a morte). A fonte de luz se apaga e de lá saem o monstro de fumaça e o corpo desfalecido do MIB. O homem-de-preto teve suas mãos manchadas de sangue, matando a sua 'segunda' mãe, mas será que Jacob também não tem parte da culpa ao jogar o seu irmão na fonte? Protegê-la significava não deixar ninguém entrar na luz, mas Jacob desrespeitou essa regra na raiva e possivelmente criou o monstro de fumaça. Assim. toda a história posterior na ilha é uma forma de Jacob pagar (corrigir) pelo seu erro. Jacob: Adeus, irmão. Lost & Found: Adão e Eva são na verdade a Mãe e o MIB, colocados lado-a-lado por Jacob. |
|||||
| 16 | "What They Died For" |
18 maio | 23 maio | ||
Os sobreviventes da explosão do submarino estão decididos a matar o MIB, mas antes precisam conhecer os segredos da ilha com a ajuda (do fantasma) de Jacob. A pergunta permanece, porém: como será possível a estes candidatos eliminar o imbatível monstro de fumaça? Enquato Jack, Kate, Hugo e Sawyer são abordados por Jacob e decidem quem deve ser o protetor da "luz no coração da ilha", o MIB continua perseguindo seu objetivo de escapar e destruir completamente a ilha. Seu primeiro passo é encontrar Ben na vila e convencê-lo a matar algumas pessoas para ele. A aproximação do homem de preto faz Miles fugir pela floresta enquanto Widmore e Zoe se escondem na câmara secreta atrás do armário. Ben e Richard decidem enfrentar o MIB de frente, mas apenas o primeiro permanece ileso e tem a chance de conversar com o monstro (será que o MIB pode ter matado Richard?). Se há um protagonista nesta história, este é Ben Linus; ele volta a ser uma peça importante no jogo ao se aliar ao MIB. É difícil saber se ele aceitou a proposta do MIB ou se está seguindo a sua própria estratégia. O MIB oferece a Ben a liderança da ilha e pede em troca que ele o ajude a eliminar algumas pessoas. Widmore é a sua primeira vítima, que "não terá a chance de salvar a sua filha". Mas se o homem de preto revela para Ben que seu plano é destruir a ilha, como fica essa proposta? Ora, Ben teve ter ficado com o mesmo questionamento. Podemos deduzir que a aliança entre os dois é uma farsa; quem está dando o golpe em quem? Quem sairá vitorioso nesta batalha? E qual será o papel de Desmond neste confronto final? Ben: Se você pode se transformar em fumaça quando quer, por que faz questão de andar?
No mundo alternativo, um todo-esclarecido Desmond continua a sua missão de mostrar aos passageiros do vôo da Oceanic a realidade da ilha. Suas ações são precisamente calculadas (até demais!) e a trama avança rapidamente para um reencontro do grupo (no concerto do filho de Jack!). O professor Ben, nesta realidade alternativa, também ganha destaque com uma boa narrativa sobre Alex e sua mãe Rousseau. Ao apanhar de Desmond no estacionamento do colégio, Ben foi "iluminado" pela lembrança da ilha; confuso, Ben acha que não é uma boa pessoa, mas encontra na estudante Alex uma chance de reconciliação (consigo mesmo). Enquanto isso, Locke decide voltar ao consultório do doutor Jack, informando os últimos acontecimentos no estacionamento do colégio e aceitando realizar a operação que vai lhe tirar da cadeira de rodas. Mesmo sendo "pessoas" completamente diferentes que ocupam o corpo de John Locke na ilha e no mundo paralelo, podemos ver uma construção interessante de espelhamento entre os dois sujeitos: se Locke está preso na cadeira de rodas e ao sentimento de culpa pelo estado do seu pai, o MIB também tem seus próprios tormentes e tem a ilha como seu aprisionamento (a rolha que mantém o mal engarrafado). A dúvida é se Jack, nesta realidade alternativa, será "iluminado" pela realidade de ilha e se a operação de Locke deverá ser interrompida para impedir o MIB. Ou seja, como vai funcionar a relação das duas realidades para os personagens centrais dessa trama?! Sawyer: E eu achava que ele tinha um complexo de Deus antes. Lost & Found: O nome de Kate estava riscado porque ela se tornou uma mãe (de Aaron), mas ela poderia ser a guardiã da ilha caso ainda quisesse. De qualquer forma, Jack aceita a missão e se torna o novo protetor da ilha. |
|||||
| 17/ 18 | "The End" |
23 maio | 25 maio | ||
Funcionou! Apesar das nossas preocupações que o final não responderia a todas as perguntas sobre a mitologia da série, Lost chega ao fim de forma satisfatória. Não é um episódio perfeito, nem esclarece todos os mistérios, mas com certeza passa a sua mensagem e soluciona a grande trama da série. À primeira vista, o episódio carrega um pouco demais na emoção, encerrando a jornada dos personagens como uma apoteose, reencontrando as pessoas amadas no purgatório enquanto a trilha extra-diegética - exagerada e usada à exaustão - tenta nos levar às lágrimas. A cada beijo, a cada toque de mãos, os personagens vão, um a um, relembrando a vida que tiveram na ilha e "iluminados" pela finitude de suas existências podem finalmente seguir adiante. A solução de representar o purgatório pode parecer problemática para quem acreditava, desde a primeira temporada, que a ilha era esse espaço de pós-vida; este final apenas inverte a ordem e faz do mundo alternativo essa alegoria de passagem. Seria um desastre, portanto, se a história negasse a realidade da ilha. Narrativamente, porém, o mundo alternativo é bem justificado como uma espécie de purgatório quando descobrimos que não existe tempo nesse mundo e que cada um dos personagens decide quando está pronto para fazer essa passagem. Ben pode levar mais tempo para encontrar a redenção, por exemplo. Ana Lucia talvez fique sempre presa nesse estágio. O momento representado, porém, é de Jack, o protagonista e filho de Christian Shephard, que não apenas se sacrificou para salvar seus companheiros da ilha, mas que também carregava um conflito com seu pai, ou antes disso, com a figura paterna de Christian, Locke, Jacob ou até mesmo de Deus.
Na ilha, o final chega quando Jack assume a sua função de líder e decide matar o MIB. O seu plano vai de encontro com o do monstro de fumaça, mas os dois acreditam em consequências diferentes para a ação de Desmond quando ele retirar a rolha do fundo do coração da ilha. Aparentemente estavam os dois corretos: o chão começa a tremer e a ilha corre o risco de afundar, mas o MIB também se tornou mortal no processo. Após uma longa luta entre Jack e o MIB, Kate atira no monstro de fumaça e Jack joga seu corpo no precipício. Jack, Hurley e Ben voltam para salvar Desmond e para colocar a rolha de volta no seu lugar. Enquanto isso, Kate e Sawyer pegam um barco rumo à ilha Hydra, onde Lapidus está terminando de consertar o avião da Ajira com a ajuda de Miles e Richard. Kate encontra ainda Claire no caminho e convence a maluquinha a sair da ilha com eles. Jack, bastante ferido da luta com o MIB, faz de Hurley o novo protetor da ilha, seguindo o cerimonial que aprendeu com Jacob. Em seguida, Jack se sacrifica ao descer até o coração da ilha, colocando a rolha no lugar e restaurando a luz. Desmond é resgatado desacordado, mas Hurley, como novo líder da ilha, decide que a sua primeira tarefa será encontrar uma maneira de levar Desmond até a civilização. Ben aceita a proposta de ajudá-lo. A narrativa na ilha termina com Jack deitado no meio do bambuzal, acompanhado de Vincent, vendo o avião da Ajira partir com seus amigos. Ele fecha os olhos e morre.
Se para o protagonista Jack a narrativa e a mensagem de entrega e redenção funcionam para a sua jornada, talvez o mesmo não pode ser dito sobre os outros personagens. Ainda que o mundo alternativo seja uma solução para apresentar o pós-vida dos personagens, a análise em retrospecção não é coerente com a trajetória dos personagens. Alías, a sensação é de que os reencontros com personagens do passado servem apenas para saciar a vontade dos fãs e fazer "o momento" do final da série. Particularmente, adorei cada segundo de tela com Juliet, mas devo dizer que sua presença nesse pós-vida não faz muito sentido: ela teve um filho com Jack, mas reencontrou Sawyer? Se todos naquela narrativa estão mortos, então podemos inferir que Sawyer teve um vida após sair da ilha, mas nunca encontrou alguém como Juliet? O mesmo pode ser dito de Kate sobre Jack? Sabemos que alguns personagens encontraram a redenção nessa narrativa ao longo da temporada, mas alguns finais continuaram em aberto. Enfim, acho que esse final não foi feito para ser analisado ad infinitum, mas para ser sentido. E nisso sim o episódio faz um excelente trabalho. It worked! |
|||||
![]() |
Deixe o seu comentário: |
![]() |
![]() |