O último filme de Heath Ledger é um atestado da criatividade do diretor Terry Gilliam. |
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Publicado em: 08/05/2010 |
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É preciso superar a fantasmagoria da presença do ator Heath Ledger para embarcar neste agradável aventura pela imaginação do diretor Terry Gilliam. Afinal, logo na primeira cena em que aparece neste filme, o ator encontra-se enforcado, pendurado embaixo da ponte e tido como morto. A imagem evoca a lembrança de assistir ao Cavaleiro das Trevas quando o Coringa de Ledger se faz passar de morto. Heath Ledger foi um dos melhores atores da sua geração e seu falecimento precoce ainda é motivo de luto.
A maneira como o diretor Terry Gilliam (o sujeito mais azarado da indústria cinematográfica) transforma essa tragédia em criatividade narrativa é possivelmente o maior mérito do filme. Com algumas modificações, o diretor conseguiu contornar a perda do protagonista e manter a coesão da sua fábula. Ledger morreu no meio das filmagens e seu personagem Tony foi interpretado por outros três atores; Johnny Depp faz a primeira transformação de Tony, Jude Law a segunda e Colin Farrell a última versão de Tony. As transformações são justificadas pela narrativa, a cada vez que o personagem cruza o espelho do Dr. Parnassus.
A história é uma elaborada peça de como o Dr. Parnassus tenta enganar o diabo. Concedido o seu pedido de viver eternamente, Parnassus deverá enfrentar uma série de apostas com o safado Sr. Nick; a mais recente delas inclui a filha do doutor, a bela Valentina que está prestes a completar seus doces 16 anos. A jornada dos personagens para ludibriar o diabo inclui o 'enforcado' Tony, que dá esperanças ao velho doutor para salvar a alma da sua filha; Tony é uma extensão do próprio Parnassus e serve como interesse romântico de Valentina. Os personagens deverão enfrentar o mundo imaginário, onde as suas escolhas podem representar o caminho da salvação ou da perdição. Este imaginarium é de uma beleza arrebatadora; o que faz do filme possivelmente o trabalho mais criativo do diretor. Dentro do espelho, as sequências mais impactantes são representadas por Colin Farrell; não apenas o ator faz um trabalho memorável com a sua versão do personagem Tony, mas também o tratamento estético da obra atinge o seu ápice em visuais deslumbrantes, da mais pura magia.
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O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus |
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