O percurso do pensamento por linhas de fuga. |
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Publicado em: 15/07/2010 |
Nem sempre é fácil romper com os contextos aos quais estamos acostumados, mas seguir o pensamento através de linhas de fuga pode revelar um exercício produtivo para a relativização de conceitos. O modelo de conhecimento – aprendido e disseminado na cultura ocidental – nos propõe uma estruturação limitante (quiçá entorpecente) do pensamento. Desde cedo julgamos com antecedência as idéias do mundo: "é bom! é ruim!" ![]()
O julgamento de valor ou a definição das coisas por oposição (se não é bom, logo é ruim) revelam a insistência do sistema dual no pensamento. Organizamos toda uma genealogia do mundo na cabeça, hierarquizando qualidades, separando sujeitos e objetos. O mundo do conhecimento é reproduzido na nossa cabeça, mas o pensamento humano não funciona necessariamente através dos mesmos critérios de seleção e distribuição. As possibilidades de acesso ao conhecimento são bem mais flexíveis do que queriam os livros didáticos.
O percurso do pensamento por linhas de fuga não significa uma recusa da realidade; longe disso, é antes uma quebra do paradigma clássico de representação, colocando o sistema permanente em crise e modificando a natureza do pensar a cada passo. Seguir por linhas de fuga é quebrar o caminho habitual do pensamento, encontrar aquilo que estava de fora e fazer/pensar o novo
. O que define o fora é justamente esse campo de possibilidades desterritorializadas, ou seja, de coisas, conceitos e idéias sem sujeição ou que não admitem regimes de valor e qualificação.
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