![]() |
|
Publicado em: 15/03/2010 |
O hedonismo em primeira instância fala pela boca de Aristipo de Cirene (435-365 a. C)
, e vem dizendo que o prazer é o bem supremo, e que seja este o objetivo das ações humanas – sem limitações nem restrições, entendendo-se como tal os prazeres sensoriais, com ênfase nos mais licensiosos
.
Remodelado profundamente por Epicuro, passa, como hedonismo epicurista, a vestir a roupagem moralista aceitável, na qual o prazer para ser um bem precisa de moderação, encontra-se identificado com prazeres morais e não identifica a satisfação imediata como o objetivo final
; no pólo oposto dos ascetas e na contração de horror na boca dos puritanos, o hedonismo primitivo é, em parte, nada mais do que a expressão discursiva do instinto de sobrevivência e da busca pela homeostase: as ações humanas dirigiriam-se sempre ao fim de obter maior satisfação e menor dor. Há, no conceito simples original, uma clara aceitação da condição humana animal – difícil de ser aceita pelo ego como foi o evolucionismo na época de Darwin, que vinculava macacos e homens à mesma origem, e ampla tanto em demasia para deixar claro que o conceito do prazer no humano é um pouco mais complicado quanto ampla suficiente para poder abarcá-lo em sua formulação primeira.
Que o digam os masoquistas; dentro dos estudos iniciados pro Freud, e que não cansam de expandir o entendimento da psique humana através da psicanálise, identifica-se no inconsciente a autoridade suprema que instiga as atitudes dos sujeitos que caminham pela Terra. Esse imperativo, por sua vez, conduziria o ser humano em busca de sua necessidade vital, o gozo – a víscera do prazer, constituído muito além da percepção sensorial e da busca homeostática animal, emaranhado ao nó de constituição do sujeito, sendo a via pela qual ele se identifica existente, gozo primitivo e vital que buscará, em seu caminho (sempre particular como é a constituição da psique de cada um)
, atingir seu objetivo-gozo a qualquer custo, em defesa da homeostase bicho-psique humana – mesmo que o custo seja alto e pago com o corpo; aí há sentido em falar de masoquismo e prazer, sadismo e prazer, necrofilia, pedofilia, toda e qualquer filiação
que é do homem sujeito a demanda do gozo, que, se precisar, aniquila para isso o corpo em si e o corpo alheio, contradizendo ou complexificando a relação direta entre homeostase e sobrevivência, antecedendo o altruísmo e a consciência e nos estendendo à mão a necessidade de um olhar mais convexo para que se encontre um espaço de entendimento, aceitação/identidade e liberdade que harmonize-se com a consciência de que esse espaço é sagrado no outro, que, como objeto de prazer à deglutição é pelo sujeito identificado mas que, como também é sujeito, não pode ser canibalizado
.
| Compartilhar | ||||
Deixe o seu comentário: |
||||
![]() |
![]() |