![]() |
![]() ![]() |
![]() ![]() |
![]() ![]() |
![]() ![]() |
"A César o que é de César". |
![]() |
Publicado em: 18/08/2011 |
Quem diria que este seria o ano dos macacos?! Tímido e de expectativas moderadas, este conto de origem para a saga dos Planeta dos Macacos surpreendeu a todos: é possivelmente o filme mais expressivo e bem realizado do verão americano. Conduzido com beleza, esperteza e muita sensibilidade, o longa mostra que ainda há muito a oferecer e se discutir através da mitologia da saga dos macacos.
A decisão de representar este roteiro - do início da evolução dos símios - na contemporaneidade permite identificações distintas dos espectadores com a história. Enquanto a saga pregressa é conhecida pelos discursos políticos, pacifistas, raciais e sociais, este capítulo se direciona a uma questão mais óbvia dessa diegese - mas não menos interessante - de abordar o tratamento e as experimentações em animais. O filme tem um setup enxuto e eficaz, que nos envolve com rapidez na narrativa, mostrando como o personagem de James Franco testa uma droga nos macacos na esperança de encontrar uma cura para o Mal de Alzheimer (doença que acomete seu pai). Este prólogo conta a história de Olhos Brilhantes, a macaca mais esperta do laboratório e que desenvolve cores mais fortes em suas íris após receber as doses da droga; o tratamento genético, porém, passa para a sua cria - o excepcional e cativante César.
E o filme é mesmo de César; que se credite todo o mérito na composição de Andy Serkis para mais uma criatura nascida da combinação de efeitos especiais e técnicas de captura de movimento - César é um primor da tecnologia. O macaco dotado de um incrível grau de inteligência, e domesticado por Will e seu pai doente, se familiariza com os costumes humanos. E através dele estabelecemos nossos acordos afetivos e de confiança com o filme. A perfeição dos traços e, especialmente, dos olhares tão cheios de emoção de César determina a decupagem da obra pelo sensível. Os planos fechados de seus olhos, em closes próximos ou em detalhes, expõem a alma do macaco; de seus pensamentos, seus sentimentos - ou seja, da personalidade que se define como César.
Este tratamento da narrativa sobre o desenvolvimento da personalidade dos macacos escreve um belo e incrível signo do olhar; através do qual se permite o reconhecimento da consciência, da inteligência ou do saber. Essas são, ao mesmo tempo, as qualidades de encanto (da evolução da espécie) e do temor (de que logo os macacos serão superiores aos humanos). É um olhar inédito para o mundo daquela diegese, mas também estranho ao humano que vê a si através dos olhos dos macacos - de um perturbador espelhamento da racionalidade e da capacidade cognitiva, de um aterrorizante fracasso enquanto raça dominante. Do qual ecoará ainda mais eloquente o sonoro "não" de César.
Enquanto conta este nascer da individualidade e da consciência dos macacos, o filme inscreve ainda uma ótima representação do significado da figura paterna - tanto no sentido familiar quanto na acepção sobre a formação do indivíduo. Isso se encontra presente tanto na relação entre Will e César (de um abdicar-se quando o filho encontra seu lar), quanto entre Will e seu pai (sobre o que significa perder a sua própria memória). A obra é completa em sua proposta temática e discursiva; produzindo com efeito a superação de uma raça (à beira de uma pandemia) por outra. A construção da direção, sensível ao levante dos macacos e ágil nas cenas de ação, é impecável; com uma linda fotografia e uma ótima trilha-sonora, o resultado é praticamente sublime. Na imagem de César, que retorna e persiste com tantos significados, o filme se projeta icônico - de um discurso bem conduzido e coerente com a saga da qual faz parte, mas também com muita personalidade própria.
![]() |
| Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes, EUA, 2011) Direção: Rupert Wyatt. Elenco: James Franco, Andy Serkis, John Lithgow, Freida Pinto, Brian Cox e Tom Felton. Duração: 105 min. |
Deixe o seu comentário: |
![]() |
![]() |