Usos e impactos do Twitter na política e nas comunicações. |
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Publicado em: 15/07/2009 |
As atividades comunicacionais e a prática jornalística passam por um período de adequação às novas tecnologias, direcionando-se ao ambiente virtual e em rede. A Internet, com sua facilidade de produção, acessibilidade e propagação, se consolida como principal ferramenta para a divulgação de notícias. Portais e sites de jornais de todo mundo agrupam com mais rapidez os acontecimentos políticos e sociais, em comparação às mídias tradicionais: emissoras de televisão dependem cada vez mais das fontes de informação da Internet; jornais impressos perdem relevância pelo tempo consumido com diagramação e gráfica. A rede transforma os meios de comunicação e amplifica a cultura do efêmero e do transitório. E, em última instância, o ambiente virtual faz do próprio internauta um editor em potencial dos conteúdos a ganhar repercussão.
Os mecanismos disponíveis atualmente na Internet permitem ao sujeito-usuário estabelecer uma relação de relevância dos assuntos que encontra pela rede. Alguns aplicativos compartilham notícias com amigos e conhecidos, através da postagem de links em páginas de perfil de redes sociais como o Facebook. Outras ferramentas possibilitam ao navegante graduar e comentar notícias, compartilhando opiniões e ampliando as discussões do factual. Por esta característica inclusiva, participativa e colaborativa, o ambiente virtual modifica as práticas dos processos comunicacionais, em todos os níveis e direções.
Um caso recente que chama a atenção para os usos da aparelhagem digital no âmbito do comunicacional é a divulgação dos protestos no Irã após os resultados das eleições naquele país no final de junho passado. A acusação de fraude e a revolta popular chegou a todos os cantos do mundo através, principalmente, da ferramenta de microblog (mais falada da atualidade) Twitter. Como forma de contornar a censura, os iranianos usaram uma camuflagem na rede para enviar mensagem sobre os acontecimentos políticos e as manifestações sociais que tomavam as ruas. Em pouco tempo, o assunto "#IranElection" – forma usual de marcar um tema na ferramenta de microblog – entrou na lista dos mais comentados pelo Twitter; vídeos dos confrontos entre manifestantes com policiais começaram a ser transmitidos fora do país; políticos e formadores de opinião entram na discussão.
Do ponto de vista do processo comunicacional, a manifestação no Irã mostrou as possibilidades e o alcance do Twitter como instrumento para modificações reais na esfera pública e social. A Revolução no Twitter, como foi denominado o episódio por alguns entusiastas das novas tecnologias, trouxe também uma série de questões para estudo e reflexão. Como confiar no perfil de usuários da rede? É possível assegurar a ferramenta como fonte de informação? E, mais importante, não seria o Twitter apenas um instrumento de avaliação da opinião popular?
Como notificou o jornal The New York Times na época, poucas pessoas usaram o Twitter para realmente organizar os protestos no Irã; as mensagens individuais e o boca-a-boca fizeram o serviço de propagar as notícias pela rede e alguns sites também foram usados pelos iranianos para divulgar os acontecimentos no país. Nesta reportagem, o jornal faz uma análise das principais características do Twitter e aponta alguns limites importantes da ferramenta a considerar. Primeiro, como comunidade de "tweets", é capaz sim de direcionar a opinião pública e refletir as emoções do momento, mas representa, em sua maioria, um grupo de pessoas fascinadas pelas novas tecnologias (e portanto, com um cultura ocidentalizada e diferenciada financeiramente). Segundo, que não é possível confiar nas informações divulgadas, e ainda mais, é possível que alguns usuários sejam agitadores e provocadores sem respaldo político ou social. Por outro lado, o jornal reconhece que os “tweets”, como uma coletividade, pode ser um instrumento poderoso para a fiscalização dos meios de comunicação; citando o caso da CNN que precisou se retratar publicamente pela omissão da emissora em relação às eleições iranianas, após criticas de usuários da ferramenta no tag #CNNfail.
No Brasil, uma tentativa similar de manifestação se instaurou pelos freqüentadores do Twitter para pedir a saída do presidente do Senado após a série de denúncias feitas em seu nome. Muitos brasileiros escreveram o tag #forasarney no final de todos os seus "tweets" para fazer o assunto "subir" no ranking de discussão. A ação não obteve muito resultado na rede. O que se vê, praticamente, é que o espaço político não “acontece” na rede. Não há verdadeiramente uma "revolução", mas podemos afirmar que as redes sociais – como o Twitter – se fortalecem como mecanismo de expressão, colocando o sujeito no centro do debate social. A mensagem, o meio e a mídia se individualizam; e aproximam sujeitos-emissor e sujeitos-receptor em um campo aberto e sem direções definidas. Aqui de novo, não há flechas ou alvo, apenas o arco!
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