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Publicado em: 15/03/2010 |
| O instinto venceu a razão: há um chacal adormecido em cada homem. |
| (Charles Darwin) |
O que faz da sua carne mais saborosa que a minha? Pergunte ao topo da cadeia alimentar - os seres superiores que famintos irão saboreá-lo no tempero que melhor lhes prouver.
Para aqueles que se deleitam com os restos mortais dos pobres animaizinhos seguros pela sua superior hierarquia alimentar, atentem-se.
No fundo somos saco de carne. Na conspiração que se constrói em nossas traseiras arqueamos em direção ao inimigo num pedido de clemência desprotegido.
Nosso lombo está à venda para o melhor pagador, que não o pagador de promessas, e sim o apagador de memórias. Memórias póstumas ou recentes, que são a fantasmagoria do cotidiano.
Comprometidos em nos arrancar pedaços sem celeridade, nossa carne é esmiuçada em experiências desconhecidas e com objetivos obscuros e traiçoeiros. Se servirão de algo, não se sabe.
O canibalismo como fator histórico e defendido pela antropologia, não passa de falácia, invenção para justificar carnificinas e estereotipar povos, criando assim sistema mitológico e inconsciente repleto de implicações ideológicas que tentam colocar o homem moderno "civilizado" num patamar que não existe e que não é lhe é de direito, pois não há diferença entre chacinar e canibalizar.
Aí sobram os zumbis comedores de cérebros ou os matadores antropófagos, resquícios de uma instintividade há tempos oculta e que anseia pelo despertar. Enquanto entrecobertos por uma fina e frágil cobertura de moralidade resistimos ao instinto e ao desejo de possuir e introjetar.
Aceitar o canibalismo como uma possibilidade humana, transcende qualquer conceituação social ou psicológica e estremece os alicerce dessa já fraca estrutura social.
Casos desse tipo povoam a história e os jornais, horrorizando aqueles que sem culpa e menos escrúpulos apontam os culpados na tentativa de manter seu espaço de civilidade e moralidade a salvo.
Ninguém está ileso, somos escravos de nossos sentidos, e reféns de nossos desejos que nos jogam a margem do nada pela busca de um desconhecido familiar. E dentro disso nada é considerado e tudo é permitido, de orgias a perversidades, somos todos feitos da mesma carne.
Uma carne que nos une e que nos separa, apenas os mais fortes sobrevivem, o resto vira comida de minhoca.
Sim, são os vermes os grandes líderes encabeçadores e chefões da cadeia alimentar, deles é propriedade tudo que se move ou não se move. Deles é o mundo desde que o mundo existe, tal como as baratas que, espiãs intergalácticas, encontraram na terra uma morada provisória, mas que, devido ao longo uso, já se tornou capião.
Não há racionalidade diante do instinto de sobrevivência, e não precisamos de Darwin para comprar tal teoria, basta abrir os olhos e veremos pequenas peripécias da raça humana, que se diz dona e proprietária de uma racionalidade, enferrujada pela falta de uso.
Em um mundo abominável e habitado por humanóides em busca de satisfação individual, tudo o que há são manipulações individuais, coletivas ou em larga escala. Tudo dentro de um propósito de gozo, poder e prazer.
Como diria o barbeiro demoníaco, somos gente comendo gente, mais além do sentido concreto, somos antropofágicos natos em busca de uma satisfação individual, perdida no nascimento e razão da existência vazia diária. Aniquilamos uns aos outros, numa guerra silenciosa e sanguinária. Somos adictos, condenados pela moralidade a sucumbir em culpa e abstinência.
E viva o exercício físico, que torna nossa carne menos apreciável a gastronomia exótica.
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Na psoríase passada:
Monstro Desconhecido
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