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Shakespeare para Poucos (Anos)
Carolina.
Publicado em: 15/08/2009

Que o vírus da contramão tem como hospedeiro favorito o adolescente é senso comum, tanto quanto é comum a tendência a ironizar este comportamento caricato que tem idade certa assim que toda (?) gente se vê – enfim – livre dele (totalmente?).

O não-ordinário, talvez, é lembrar o quanto pode haver de virtude, verdade ou possibilidade concreta de um sincero vir a ser (qualquer coisa inovadora ou liberta no olhar que se constituirá futuro) na voz que se levanta entusiasta – e ingênua – contra o que lhe é dito, às vezes com um sincero e gene-portador “por quê?”, ou em um nem - sempre vazio – às vezes – surpreendentemente – bem – embasado e revelador Dez Coisas que eu Odeio em Você.

Indiscutivelmente parte da categoria, o teen movie de nome supracitado eleva-se entre seus iguais de pelo carinho desengessado com que a referência é tratada.

Se o argumento de que um filme para adolescentes – ou qualquer similar – inspirado em uma obra Shakespeariana (ou outra assumidade) pode aproximar o espectador – alvo de um conhecimento cultural nobre é terrivelmente pobre (mas não necessariamente ineficaz), a polpa tema – que oferece a-quem-interessar-possa uma possibilidade de reconstruir o ponto de vista sobre a contramão, não é.

Além de ter a sorte de iluminar-se pelo infelizmente ido Heath Ledger, o filme mantém o appeal teen sem desprover a protagonista desta versão desvairada de A Megera Domada de consistência.

Se Katherine arrebenta o ideal cor-de-rosa dos pais, e dos colegas, e dos professores, e de todo o mundo a sua frente, não é apenas para evidenciar-se incomum, mas porque evidencia-se incomum, como assim é todo o sujeito – que tem todo o direito de sê-lo, pois individual, solitário, singular, com uma vivência similar, um cotidiano medíocre ou extraordinário, mas sempre ímpar em seu corpo inalienável.

Se não é esse o intencional, e nada além se salva, salva-se isto, que é a possibilidade de ler em uma mesma página outras linhas além das escritas, descritas, proscritas, pois que também é do sujeito interpretar.


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