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Publicado em: 15/08/2010 |
Vamos fazer polêmica controlada. Jogar merda no ventilador partilhando uma informação secreta não averiguada e ver o quanto a multidão se enfurece. Vamos esconder a verdade ou camuflá-la com uma capa cor de rosa e ver quantos nos apóiam em nossa vingança pessoal.
Vamos sacudir a sociedade, manipular mentes e ver onde paramos. Ou se preferir mantenha-se confortavelmente sentado, abra seu jornal, ligue a sua televisão, acesse a internet, e usufrua do fato de ser um receptáculo midiático.
Autoconclamados portadores da idoneidade e confiança de muitos, a mídia se apropria da realidade e dela faz uma grande colcha de retalhos, combinando peças da maneira que melhor lhe prouver. Seja no intuito de sobrevivência comercial, divulgação política ou simplesmente manipulação consumista, as justificativas se desdobram em muitas, os letrados associados compõem grande narrativas de um realidade contrafeita, refletida em espelho desconvexo.
Assim, você aprende a reclamar ou sentir conforme lhe indicam a fazer. A relevância de sua própria opinião é esquecida em meio as mais diferentes camadas de manipulação. Somos todos gafanhotos em enxame direcionado por controle remoto que vai onde seu mestre mandar.
Aprendemos a consumir, e não a refletir. E, nessa dicotomia, reclamamos, mas estacionamos. Da poltrona da nossa casa ingerimos uma parcialidade que não mais nos choca, mas encaixa num cotidiano fragmentado, onde cabe qualquer coisa desde que alguém lhe diga ser verdade, e assim você vira personagem passivo de uma realidade artificial, que se sobrepõe aos fatos. Assim a grande praga da realidade virtual, não a cibernética, se constrói.
A realidade que você tão orgulhosamente diz deter não passa de algum tipo de impressão ou relação com uma realidade inalcançável ou não retratável de maneira fidedigna.
Aqueles que alegam serem os veiculadores da realidade apenas pregam uma peça. Enquanto você espontânea ou ignorantemente se abre num inocente movimento de buscar, é fisgado como um peixe, com os mais diversos recortes da realidade, com os mais diferentes tipos de conteúdo e enfoque que algum qualquer decidiu oportunamente lhe repassar. Como um profeta da nova era, a expurgar o que convém, dizendo conter em si todo saber salvador. Saber que todos buscam na ânsia pela salvação. Duvide de si, de tudo, de todos. Afinal, não se sabe se a sua mente ainda lhe pertence.
Na psoríase passada:
OTRM
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