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Publicado em: 15/10/2009 |
Como defender o miguxês?
Particularmente, tenho enorme dificuldade em ler mensagens escritas nesta linguagem “amigável” – certamente não para a língua portuguesa –, difundida principalmente entre pré e adolescentes, e geralmente entre as meninas. Qual é o sentido de transformar s e c em x, ou i por ee?
À primeira vista, o miguxês é tipo de linguagem originada na Internet, como o internetês
, mas suas escritas se diferem em forma e conteúdo. O internetês objetiva a rapidez da comunicação através de abreviações das palavras; porque é pq, você é vc, etc. A prática é bastante útil em chats, mensagens instantâneas e textos com contagem de caracteres, como o celular ou o twitter. Já o miguxês deforma a língua sem reduzir o número de letras das palavras; você é vuxeh, escreveu é ixkrevew.
Em palavras acentuadas, o socioleto substitui os diacríticos pela letra h (caso de acento agudo) ou n e m (para acento tônico). Os casos de acentuação parecem especialmente justificáveis na impossibilidade do meio de acentuar palavras (lembro de celulares que não continham os códigos)
. O que incomoda de fato é o tratamento infantil do miguxês
e quando ele passa para a fase adulta, carregando erros ortográficos e gramaticais.
Deixando o juízo de valor de lado, se possível, a proposta aqui é refletir sobre as implicações do socioleto. O miguxês está presente nas páginas pessoais de redes sociais, nas mensagens de celular, em blogs e diários de uma faixa etária que cresceu com fácil acesso às tecnologias digitais. A correta alfabetização, no sentido da norma vigente, foi construída em paralelo com os códigos próprios da tecnologia. Há portanto um processo de mescla e auto-aprendizagem no socioleto. Por esta perspectiva, o miguxês pode ser uma ferramenta de inserção; quando sua escrita se aproxima da oralidade. Mas também, o miguxês caracteriza um grupo, uma tribo, e seu uso é índice de pertencimento social; o diálogo que se estabelece entre miguxos os identifica como sujeitos integrados na era digital.
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Como fenômenos dessa era tecnológica, os socioletos demonstram os processos de diferenciação na imensa rede cibernética
. Sujeitos que assimilam, traduzem e flexionam aquilo que encontram no ambiente virtual, que ao mesmo tempo se inserem na coletividade e afirmam a sua individualidade. O miguxês pode estar além de um estilo formal e representar, em sua escrita, traços de uma identidade em desenvolvimento, que encontra no ciberespaço uma ferramenta de espelhamento e expressão. E se, para uma defesa do socioleto, é preciso reafirmar o caráter tecnocrático da cibercultura, que assim seja.
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