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J.J. Abrams produz uma homage fílmica para o produtor Steven Spielberg. |
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Publicado em: 12/06/2011 |
J.J. Abrams realizou seu sonho de criança; não apenas de trabalhar ao lado de Steven Spielberg, como também de construir com ele esta homage da filmografia do diretor. E Super 8 é antes uma homage fílmica do que um filme em si; as referências do universo spielberguiano, externas portanto à diegese desta narrativa, são mais presentes e significativas do que se poderia supor. O roteiro desta aventura está muito próximo de obras clássicas do consagrado diretor, especialmente de E.T. e Contatos Imediatos de Terceiro Grau (e há um pouco de Conta Comigo também). Faltam, porém, ao pupilo o encanto e a magia do seu mestre: Abrams ainda não conseguiu provar talento frente a todo hype que se faz em torno do seu nome - seu toque de midas nos programas televisivos não se traduziu ainda em um diretor seguro atrás das câmeras.
A trama de Super 8 começa com um ótimo setup: acompanhamos um grupo de amigos que grava um filme de zumbi em super 8. Entre eles estão o protagonista Joe, que recentemente perdeu a mãe em um acidente, e a menina Alice, que acaba de aceitar um papel no filme dos garotos. Durante a filmagem de uma cena na plataforma de trem, o grupo testemunha um incrível acidente depois que uma caminhonete entra no trilho e na rota de colisão com um trem de carga. O mistério sobre o acidente toma conta da pequena cidade depois que militares chegam para investigar o acidente e recolher a carga do local.
Neste aspecto, o filme faz escolhas interessantes: de construir a história pela perspectiva de um garoto em luto e com a família despedaçada; e investir mais no drama familiar de Joe e Alice do que no suspense da presença militar. Naquela que pode ser a melhor cena do filme, Alice assiste com Joe um filme, em super 8, com trechos da mãe dele gravados no passado; a cena segue de uma revelação de Alice sobre o seu pai e a conexão com o acidente que matou a mãe de Joe. Elle Fanning, que interpreta Alice, aliás, está muito bem no filme. Porém, Abrams parece ter perdido o interesse nessa história no meio do filme, infelizmente. A segunda metade do filme parece perseguir aquilo que os garotos tanto insistiam na produção de seu filme de zumbis: ter production value - mesmo que isso signifique o prejuízo da coesão narrativa. O conceito do filme deixa de ser a história daquele grupo de amigos ou daquelas famílias para privilegiar a ação. O plot point para o terceiro ato é um equívoco, lançando Joe na missão óbvia de salvar Alice - com resultado previsível e sem graça. Todo o mistério da campanha de marketing em relação à trama do filme não se justifica, assim como Abrams erra ao esconder tanto seu segredo dos espectadores - mais sugestões e provocações visuais ao longo da narrativa poderiam aumentar o interesse na história. Quando finalmente sabemos sobre o que se trata o mistério, já não há tempo para discutir a relação de hostilidade ou de identidade entre aquilo e o protagonista. E assim, Super 8 termina mostrengo.
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| Super 8 (EUA, 2011) Direção: J.J. Abrams. Elenco: Elle Fanning, Joel Courtney e Kyle Chandler. Duração: 112 min. |
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