Home News Sentidos Refluxo Nós
Supernatural: 5ª temporada
Carolina.
Atualizado em: 24/09/2010

A quinta temporada de Supernatural contém 22 episódios.

#   Título: Exibição original
(EUA):
No Brasil:
01

"Sympathy for the Devil"

10 setembro 22 outubro
 
Mais agilidade e menos didática; temos, no primeiro episódio da nova temporada de Supernatural, novos cortes de cena. Secos e imediatos, eles nos atiram de um lado para o outro, sem a costura explicativa tradicional. Essa aparece depois, em flashes infinitamente mais curtos do que o "Elementar, meu caro Watson". Embora o novo ritmo não seja um golpe de mestre, não precisamos de mais explicativas, já que, de novidade, temos apenas uma ou duas intervenções que não podem ser atribuídas à racionalidade da série – a saber, anjos, demônios e outros bichos. A surpresa é essa. Estará Deus arregaçando as mangas?

De resto – que não é muito, – a boa e velha coerência continua. Lúcifer, o anjo, pede licença para habitar seus escolhidos – ao contrário dos demônios possessivos. Sam, resgatando um de seus prismas conhecidos, assume o papel de criança desamparada que errou a mira. E Dean está louco da vida.

Pergunta: o que aconteceu à pior trilha sonora da História?
02

"Good God, Y'All"

17 setembro 29 outubro
 


Melhor não comentar. (Mas, se quiser REALMENTE pensar no número dois, leia as pontuações sobre o terceiro episódio). Verbo de ligação entre a reabertura da série e sua seqüência, o segundo episódio constitui um mínimo de sentido na emenda, sendo melhor compreendido em relação ao que se segue (abordado abaixo).
03

"Free to Be You and Me"

24 setembro 05 novembro
 
Enquanto Sam surpreendente procura levar uma vida simples e anônima, indiferente ao Juízo Final à sua volta e tão desejoso de se manter limpo de sangue demoníaco quanto Gregory House se mostra conformado em despedir-se do Vicodin (ver primeiro episódio da Nova Temporada de House), Dean diverte-se na tentativa de desvirtuar Castiel, o Anjo caído em ascendência estonteante como personagem indispensável da série. O que mais vale no episódio é isso mesmo: em meio ao galope dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse sobre a Terra, os meros mortais mostram suas garras; para quem procurar um Sam sedento de conquista e poder, conduzido pela arrogância, não há encontro. Para quem fantasia um Dean medíocre, demasiado satisfeito com a possibilidade de assumir seu lado Playboy "deixa que eu te ensino, gurizinho" para preocupar-se com análises mais profundas em relação aos outros como sujeitos a serem amados como são, bem-vindo. Os quatro cavaleiros em si deixam a desejar; repetições pobres das idéias utilizadas no episódio que aborda os Sete Pecados Capitais, sendo agentes insinuantes que devem seus créditos às ações humanas dos que sucumbem a eles, não oferecem surpresa ou reflexão alguma sobre o tema; nem humana, nem religiosa, nem nada...Não é de se espantar que Castiel esteja desesperado à cata de Deus, seu Velho Pai,desde o episódio anterior(mesmo momento em que Sam e Dean seguem rumos separados por conta de um bem conhecido passado de questões paralelas, decepções e incompatibilidades) em um mundo tão desprovido de sentido – espremendo o capítulo, a única coisa a cavar é mesmo essa: uma fagulha de argumentação sobre o que acontece com a estrutura social – em consequencia da desestrutura de sujeitos, um a um - quando a organização de limite que nos confere contorno e identidade está ausente – tão bem representada por Freud quando fala da Figura Paterna, do Proibido e da castração, e que promove uma confusão muito inteligente em A Terceira Margem do Rio, do Guimarães Rosa que entendeu tão bem o que Freud quis dizer...que filhos desorientados são esses que sem pai não tem imagem de contorno para se espelhar? Os parentes de hierarquia de Castiel. Esse, infinitamente mais interessante em seu papel de sou-anjo-estou-humano do que o de Dean-recém-descobri-que-sou-o-receptáculo-do-Anjo-Michael e não tão comovente como o deseperado Sam-descobri-que-sou-receptáculo-de-Lúcifer-e-não-gostei.
04

"The End"

01 outubro 12 novembro
 


Ainda vivendo de glórias passadas, a série resgata nesse episódio o vírus demoníaco que em um dos antigos doze trabalhos de Sam e Dean dizimava uma cidade inteira. Válido quando utilizado na primeira vez, o tema, aqui, para contextualizar um mundo destruído carece tanto de peso quanto de originalidade. Igualmente árido é o novo cenário quartel general do tirano Dean que os ameaça em um futuro profetizado pelo burocrático Zacarias (Sim, aquele anjo insípido e duvidoso que só não é a visão mais decepcionante do episódio pela abundância de alternativas). Ainda que a tomada de consciência de Dean ao final do episódio, que o dispõe a reaproximar-se de Sam – depois de uma negativa prévia e cruel - aspire a uma tentativa de resgate da saudosa sensibilidade e colorido presentes nas temporadas anteriores, o capítulo fracassa. Nem a atroz e dolorosa distorção na personalidade de Castiel – talvez a única fagulha de surpresa e problematização do episódio – nem o glorioso aparecimento de Lúcifer em sua melhor forma – que só poderia ser, é claro, dentro dos contornos do físico impecável de Sam - conseguem evitar o naufrágio. Isso porque, se este último impacto resgata um ponto de vista saboroso sobre o Diabo que achincalha a humanidade inteira, com razão e direito a fazê-lo, também engessa a série na visão demasiado tradicionalista da epopéia católico-cristã, aniquilando a boa, velha e aparentemente morta e enterrada capacidade da série de relativizar, vitalizar e surpreender. Se a escolha do épico bíblico vai mesmo passar a ser fonte única de um trabalho que antes parecia virtuose em citações e mitologia, pelo menos poderia ocorrer de modo renovador...quem sabe resgatar Caim e Abel, que tanto se encaixa no conflito Sam e Dean, ao invés de insistir no já desgastado monopólio de Lúcifer e Michael na disputa pelos corpinhos dos dois irmãos?
05

"Fallen Idols"

08 outubro 19 novembro
 
Aparentemente, os roteiristas resolveram fazer um intervalo na linear ausência de humor que vinha caracterizando a última temporada; um intervalo, talvez, diante da sua própria passividade em relação a uma série que parecia ter tomado vida própria e não lhes deixou espaço para criar nada novo sobre ela?
De qualquer maneira, as novidades continuam ausentes. Dean e Sam, novamente como dupla dinâmica, passam o episódio às voltas com uma misteriosa fúria supostamente endereçada por fantasmas famosos a seus grandes fãs. A mitologia universal acena novamente, mas sem grandes brilhantismos – ou, a despeito da ênfase religiosa dos últimos capítulos, o naufrágio da qualidade tornou a nós, telespectadores, céticos irremovíveis em relação à série?
Se as pinceladas sobre as relações entre as personagens, suas personalidades ou reflexões mais críticas ainda são fracas, o humor, de fato, não está ausente. Não dá para dizer que não vale apena assistir ao epísódio, pelo menos para ver Sam arrancar, a machadada, a cabeça de Paris Hilton.
O mais ainda é a chamada após a conclusão do capítulo, que após um soon enunciativo despeja nos olhos do espectador uma enxurrada de cenas do porvir, mostrando a dupla em uma postura demasiado men in black, mas inegavelmente hilária, é o que mais faz pensar: ficou tão ruim assim, até para eles mesmos, para terem tentado a ingênua estratégia do "cenas do próximo capítulo" para garantir espectadores?
06

"I Believe the Children Are Our Future"

15 outubro 26 novembro
 
O eco mitológico do nascimento do anticristo não vem desprovido de qualidade; o episódio resgata o clichê sem despencar para a superficialidade (!), utilizando uma amarração entre o caricato e a problemática do humano que se encarna perfeitamente bem no pequenino em ação – símbolo da impossibilidade de compreender o humano através de conceitos maniqueístas, da complexidade da identidade, da ode ao livre-arbítrio como definidor de valores e personalidade. Interessantíssimo, de apelo contundente, sem pastelão e com sucesso... Mantivessem a mesma linha na manutenção da personalidade de Dean e Sam – tão parecido em sua constituição com o próprio pequenino – e a qualidade da série jamais correria riscos.

07

"The Curious Case of Dean Winchester"

29 outubro 03 dezembro
 
Em meio ao novelo de fios angelicais e demoníacos que se perderam na meada, resta o caso individual do episódio; fraco no humor, antigamente sutil mas eficaz, a história consegue um tom qualquer de originalidade nas mãos do jogador de poker que faz a dupla dinâmica do seriado e seus agregados literalmente perderem seu tempo – a despeito da referência escancarada e superficial ao longa que tem o nome e a temática emprestados como base. Suficientemente interessante para distrair mesmo os telespectadores mais argutos da decepcionante redundância vazia em que se transformou a série na temporada atual, o episódio vale por si e oferece uma via discreta de apaziguamento no que vinha se tornando um dramalhão furioso e cansativo no relacionamento entre Sam e Dean.
08

"Changing Channels"

05 novembro 10 dezembro
 
E porque não falar de amenidades quando o fim do mundo parece estar próximo? Nessa teoria superficial, pelo menos para os fiéis seguidores de Supernatural a série envereda por um caminho desconhecido e coloca em risco todo o trabalho de quatro anos. Capítulo arriscado capaz de quebrar contrato, não acordos entre humanos e demônios, mas entre o telespectador e a série. Até para um episódio de Supernatural foi maluco e exagerado demais.



O oitavo episódio da saga dos Irmãos Winchester conseguiu causar nos telespectadores de gargalhadas histéricas ao tédio absoluto.
Talvez os roteiristas tenham achado que retomar o Trickster seria suficiente para justificar essa história de parodiar séries, e de brinde ainda ficaríamos sabendo que ele é na verdade, o Arcanjo Gabriel "revolts", caído e esquecido pelos seus.
Somos informados que a escolha de Dean e Sam como receptáculos, não é vã. Eles são a representação terrena de Miguel e Lúcifer, enquanto o segundo se revoltou contra o pai e deixou sua casa, o outro permaneceu firme e leal ao pai – idéia nem tão inédita assim, os mais antenados talvez já tivessem percebido a intenção.
Um episódio irregular, que pouquíssimo ou quase nada acrescentou à narrativa central do Juízo Final.. Parafraseando um político, ame-o ou o deixo-o. Episódios como esse, me fazem sentir saudades de Lúcifer, VOLTA !!!
09

"The Real Ghostbusters"

12 novembro 14 janeiro
 
Ei, alguém viu conteúdo por aí? Pois é, há algum tempo ele também não é visto em Supernatural. Os roteiristas parecem ter repassado a série para alguém que só escrevia comédia, do tipo pastelão. Esqueceram de avisá-los que quem gosta de comédia vai procurar em The Office ou The Big Bang Theory, mas isso não é exatamente o que se espera ao assistir Supernatual.
Diálogos amarrados, referências diversas, revelações supreendentes, isso sim soa a Supernatural.
O assassinato em uma conferência geek está mais para psych. Sem dizer que a história cheia de furos faz o telespectador rir para não chorar. A piada da vez é a participação dos Irmãos Winchester numa conferência de fãs dos livros de supernatural, onde há um mistério a ser desvendado e por obra e decisão do destino quem salva o episódio não são os irmãos casca grossa e sim seguidores fanáticos. Momentos de humor real? Poucos. No mais foi só uma forçação de barra sem fim, ou melhor, para bem de todos, teve fim; mais dez minutos e teríamos o juízo final sem a intervenção de Lúcifer.
O que acontece? Eles sabiam fazer, desaprenderam? Cadê o manual de como fazer capítulos de Supernatural ao estilo arrasador? Emprestaram? Pois peguem de volta, e já.
10

"Abandon All Hope..."

19 novembro 21 janeiro
 

Oh, Death
Won't you spare me over another?
Oh what is this that I can't see with ice cold hands taking hold of me
When God is gone and the Devil takes hold
Who'll have mercy on your soul
Oh, Death
No wealth, no ruin, no silver, no gold
Nothing satisfies me but your soul
Well I am Death
None can excell
I'll open the door to Heaven or Hell
My name is Death and the end is here



Lado a lado com Lúcifer, agora a Morte, o quarto cavaleiro do Apocalipse caminha sobre a Terra.
Após nove episódios que pouco agregaram a trama, o que foi provado é que sim, eles ainda sabem fazer episódio de Supernatural.
Num ritmo frenético, os Irmãos Winchester seguem a pista do episódio passado e vão atrás da Colt, agora em posse de Crowley, um demônio de garbo e elegância.
A partir daí o que se segue são cenas de ação há tempos não vistas, cérberos, ceifadores, demônios, pragas, mortais e dentre eles apenas um anjo, o náufrago Castiel.
Lúcifer, o filho rebelde, sedento por vingança vai longe em sua disputa de poder com o pai e o irmão mais velho (qualquer semelhança é mera coincidência), certo de que muito breve terá seu recipiente final: Sam.
O que fazer quando tudo mais falhou? Jo e Ellen mortas, a morte a solta, a colt incapaz de matar Lúcifer (o anjo), Castiel sem poderes angelicais. Onde foi parar o gerente? Está na hora dos mocinhos receberem um reforço divino...senão para onde seguir?
11

"Sam, Interrupted"

21 janeiro 11 fevereiro
 
A ótima sacada – de trabalhar a perturbadora possibilidade da insanidade de Sam e Dean ser a origem de toda a trama da série – é terrivelmente malaproveitada neste episódio que aloca os dois rapazes não-tão-mais-carismáticos em um hospital psiquiátrico à caça de um monstro qualquer que também deixa a desejar, especialmente se comparado aos habitantes dos saudosos episódios antigos, em que as referências mitológicas eram tão bem amarradas, e a trama, e as personalidades...Ao final de uma dinâmica superficialidade, nada resta a ser resgatado.
12

"Swap Meat"

28 janeiro 25 fevereiro
 
Era para ser engraçado?
Não deu.
A única boa sacada é, de novo, apenas uma fagulha que agoniza antes de ser incorporada ou aproveitada na trama – a idéia de Sam, THE Vessel, estar desprovido do controle de seu próprio corpo, tão mais fácil, assim, de ser conquistado.
E só.
13

"The Song Remains the Same"

04 fevereiro 11 março
 
Ao menos o título é honesto; como parece ser a linha condutora de toda a nova temporada, nada de novo se acrescenta à saga dos irmãos Winchester, que repetem os mesmos trejeitos trocando as roupas com a mesma freqüência com que a trama evolui; nada se acrescenta, nem mesmo um verniz de disfarce, já que a proposta do episódio, como acontece com todos os anteriores desse bloco, é pescada no passado glorioso e longínquo da própria série. Para manter o padrão, uma nova frase de informação é jogada, referenciando Caim e Abel – demorou – na famigerada luta que espera para acontecer entre Sam/Lúcifer e Dean/Michael, sem profundidade ou maiores desdobramentos. Ai, que saudades.
14

"My Bloody Valentine"

11 fevereiro 25 março
 
Quando o episódio continua após o descer das pestanas a gente descobre que, apesar dos pesares, Supernatural ainda é Supernatural. Explorando os mesmos temas há tanto propostos através de novos enfoques, o capítulo salva Sam e Dean de petrificarem-se como os caricatos superficiais de si mesmos em que vinham se transformando. Nuances na ribalta, enfim, e o bom e velho mix entre a base mitológica sólida e sua precipitação jocosa, ousada e palatável que definia a série até a marcha ao abismo que parece ter iniciado no primeiro episódio da nova temporada estão de volta, e com ginga suficiente para que Sam e seu sangue protagonizem sem chover no molhado, para que Castiel seja, de novo, tão inocente quanto hilário, para que o vórtice entre o sobrenatural, o mitológico, o temível, o mundanamente humano e o sagrado seja perfeitamente aceitável e rapidamente deglutido pelo equilíbrio entre as partes -que dão uma combinação de sabor apreciável.
E para que o carisma de Dean nos atravesse a alma, é claro.

15

"Dead Men Don't Wear Plaid"

25 março 08 abril
 
Então os mortos levantam-se de seus túmulos e voltam a habitar entre os seus; o interessante é a naturalidade. Não há cristão (hehehe) que rejeite seus pródigos ou suspeite deles. Com exceção de Sam e Dean, é claro, que ficam bastante contrariados com a volta da esposa de Bob – pura implicância, já que a única diferença aparente é a palidez cadavérica. Ah, sim, e o fato de que, após um breve prazo de validade, os enviados deixam de parecer com seus antigos selfs e mastigam as entranhas de seus entes queridos. Apenas um detalhe.
16

"Dark Side of the Moon"

01 abril 15 abril
 
Dizem que Deus fala conosco através de mensagens metafóricas. Vai ver foi por isso que ninguém entendeu... Sam e Dean no meio do céu após terem o peito delicadamente vazado é uma idéia legal; um éden particular, é legal – mas não novo; um jardineiro do céu (alguém, enfim!) que ouve Deus é legal; O Zacarias irritado, mais legal ainda...mas muito, muito mal explorado. O episódio, como um todo, vira uma superficialidade frenética que enche os olhos e deixa o cérebro a desejar. De denso, mesmo, só o impacto do abandono celeste nas carnes de Castiel que, cada vez mais, é a graça da série.

17

"99 Problems"

08 abril 22 abril
 
Atacados por seres humanos possuídos por violentos demônios, dois irmãos são encurralados após tentativa de fuga motorizada; sem perspectivas de sobrevivência, tem sua morte iminente prevenida por caçadores de monstros em um carro de bombeiros que esguicha água benta pela mangueira. Entremeios, o desamparo e a perda da fé conduzem o viajante solitário a passos trôpegos e alcoolizados ao longo do episódio.
Sam e Dean são os irmãos encurralados, e não os caçadores; o ébrio não é Dean, é Castiel. O Interessante do episódio são as inversões e deslocamentos - e a hilariante, comovente e convincente expressão do incomparável Castiel.
De resto, são apenas o fim do mundo e seus sinais...

18

"Point of No Return"

15 abril 06 maio
 
Desta vez Dean nos soca o estômago com seu derrotismo e falta de fé no irmão menor; incômoda até os ossos, a atitude do primogênito arrasta o episódio com correntes pesadas e barulhentas, enquanto o burocrata Zachariah apresenta – não sem carisma e com a personalidade perenemente asquerosa em apoteose – a saída decepcionante para a recusa do Dean (que neste episódio muda de idéia até - quase - o fim) em ser o vessel de Michael: o meio-irmão inteiramente bobão da dupla Winchester - até que Castiel, em nossa defesa e enfim, soca Dean de volta – a melhor e mais saborosa coça televisiva já vista, que chacoalha o cérebro do irmão mais velho, recolocando-o no lugar. Além disso, a morte mais ansiada da série acontece. Lúcifer? Claro que não, Zachariah!

19

"Hammer of the Gods"

22 abril 13 maio
 
Episódio Titanic, "Hammer of the Gods" é uma proposta colossal - em uma série em que a mitologia é tão presente quanto os deuses do Olimpo na Grécia Antiga, ignorar deidades em virtude do foco bíblico atual e exclusivista depois de ter aproveitado a diversidade mítica mundial ao longo dos caminhos do Impala seria um sacrilégio; contudo, tem o mesmo fim apocalíptico da embarcação: naufraga ferozmente. Mal-aproveitada, a proposta aniquila sua própria genialidade com a superficialidade com que trata a apresentação dos deuses mundiais e o desleixo com que (não) desenvolve neles personagens complexos. Quase que deixada de lado a meio caminho, a discussão sobre o direito ao mundo pertencer aos deuses todos que o habitam se dilui em um desfecho fácil, e a complexidade e presença de espírito (ou deveria dizer anjo?) restam a Gabriel, superlativo, enfim, em sua última aparição, tão carismática quanto poderiam (futuro do pretérito, infelizmente) ter sido todas elas. De relevante para a obsessão de momento - Céu, Inferno, O Fim do Mundo, O diabo, resta a dica do anjo que se despede.

20

"The Devil You Know"

29 abril 20 maio
 
Momento DR, o episódio apresenta de novo as agruras do relacionamento entre Sam e Dean, e depois nos deixa às voltas com as surpresas e desenganos individuais de cada um - Dean, desorientado na companhia de Crowley - ótimo e noir como sempre, bem-vindo pelo eterno carisma irônico e galante pela arrogância elogiável em sua auto-afirmação - tenta o possível apenas a Sam: relacionar-se com um demônio em uma missão (a caça aos cavaleiros do apocalipse continua); Sam, subjugado pelos horrores externos e internos, que se conjugam na descoberta da manipulação de sua vida a priori pelos demônios rondantes desde o berço (que novidade), apresenta de novo o dilema infindável entre controlar sua fúria ou dar vazão à ela (como será, nesse caso, ter o diabo no corpo?). Crowley, a despeito de sangue e safanões presentes no episódio, faz a visita final do episódio impecavelmente trajado - a fim de, gentilmente, devolver a Bobby suas pernas em troco de apenas, veja só, sua alma.

21

"Two Minutes to Midnight"

06 maio 27 maio
 
Enquanto corre-se atrás do catarro da Peste para evitar sua proliferação - e nada mais se oferece de relevante na personagem do cavaleiro além da escatologia de sua coriza, Supernatural faz uma homenagem as novelas, dando fim a dois cavaleiros do apocalipse (questão tão mitificada ao longo de tantos episódios) sem profundidade ou desenvolvimento de ação, ou nada que valha a pena - sobra apenas o recado "olha só, resolveu!".
Resta, na sequência do episódio, o café com bolinhos e Morte, saboreado por Dean – que, pela primeira vez, hesita diante de um prato de comida e aceita não interferir na decisão do irmão de aceitar Lúcifer como parasita. Ecoa, com profundidade, apenas o diálogo final entre Dean e Bobby que, finalmente, dá nome à questão real das entranhas deanianas – ao diabo com o diabo, sua missão de vida mesmo é não perder o irmão.

22

"Swan Song"

13 maio 03 junho
 
Em nenhum momento o título de um episódio de Supernatural foi tão acertado. A referência está à altura da narrativa mítica, melancólica, poética e profética que conduz o episódio na voz do Todo Poderoso (Chuck, no caso, discreto e humildemente apresentado ao longo da série). Sua voz acertada reverencia o Impala em seu direito adquirido de personagem indispensável e resgata, identifica, reescreve por linhas tortas - afinal é o que Deus faz - o (e)motivo da saga, sua identidade, (seu) sentido de vida e continuidade. (Uma lanterna de rua queimando, com Sam aparecendo sob ela é, a despeito das especulações angustiantes sobre o significado da cena no desenrolar da história, o símbolo máximo de um ciclo eterno, e a condensação perfeita que representa a identidade da série, marca registrada na carne de quem acompanhou os passos dos Winchester.)
Antes de morrer, o cisne canta, de maneira especialmente apoteótica - uma epifania de plenitude e prenúncio diante da morte; está tudo lá: Dean agarrando-se a Sam com sua súplica emocional e silenciosa, antes, durante e depois do abandono desamparado que lhe é concedido ao fim, enquanto acompanha - sem ordens dessa vez, por favor - o irmão menor que vai de encontro ao seu objetivo final, aquele que postula seus eternos dilemas; olhar-se no espelho, desta vez completo, com Lúcifer dando alma aos furiosos maremotos internos da personagem, e optar, definir, a despeito disso, a identidade escolhida para si. Uma identidade que resgata no momento em que soca, subjugado por Lúcifer, a carne do irmão que vai atrás dele até o fim do mundo (literalmente), a carne do Impala, a nossa carne telespectadora que revê cada imagem resgatada ao longo do capítulo sem poder separar-se dela, e a sua própria carne, que dói e lhe devolve o olhar ao irmão que diz, entre a quebra de um osso e outro " Sam, Its ok, I’m here, I’m not gonna leave you".


Veja também:
Meus melhores amigos (ou de quando o medo é cotidiano)


      Deixe o seu comentário:
Últimas publicações:
Shameless: 2x05 "Father's Day"
Os Vingadores: spot
30 Rock: 6x05 "Today You Are a Man"
Fringe: 4x11 "Making Angels"
Pele que Habito
Person of Interest: 1x13 "Root Cause"
Grey's Anatomy: 8x13 "If/Then"
Jogos Vorazes: novo trailer
Up All Night: 1x14 "Preschool Auction"
Parks and Recreation: 4x14 "Operation Ann"
The Big Bang Theory: 5x15 "The Friendship Contraction"
Molde de Barro
Review: O Artista
Review: Os Descendentes
Battleship – Batalha dos Mares: spot
White Collar: 3x13 "Neighborhood Watch"
Raising Hope: 2x12 "Gambling Again"
New Girl: 1x11 "Jess and Julia"
Fogo Brando
John Carter: spot
Once Upon a Time: 1x11 "Fruit of the Poisonous Tree"
Criminal Minds: 7x12 "Unknown Subject"
CSI: 12x12 "Willows in the Wind"
Labirinto Mental
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge
Review: Homens Que Não Amavam as Mulheres
Review: O Espião Que Sabia Demais
Review: A Invenção de Hugo Cabret
Review: Histórias Cruzadas
Indicados ao Oscar 2012
Review: Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras
Review: Missão: Impossível - Protocolo Fantasma
Review: O Homem Que Mudou o Jogo