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Tudo Pelo Poder
George Clooney volta à cadeira de direção com longa político.
Guilherme.
Publicado em: 17/12/2011

Política é um jogo de intriga e de aparências. E o cinema entende bem disso. As tramas de máscaras e agendas escondidas sempre renderam boas narrativas para o meio cinematográfico e Tudo Pelo Poder não é muito diferente. O longa, dirigido pelo astro George Clooney, conta acima de tudo com personagens cheios de ambiguidades e de atitudes contraditórias - aquilo que falam ou fazem não representam necessariamente suas crenças nem suas verdades. E o filme tem uma ótima escalação de atores para personificar cada peça deste xadrez: o rosto infalível e seguro de Clooney como o candidato da campanha; a cara de bom moço (ainda que com um ar perigoso) de Ryan Gosling; a presença experiente e consagrada de Giamatti e Philip Seymour Hoffman. Reunir esses talentos é o grande acerto do longa. Pois, embora as interpretações impressionem, o roteiro decepciona - de certa forma, a rumo da trama com a personagem de Evan Rachel Wood parece comum, convencional e pouco inspirado; será que estamos acostumado a sujeiras piores no ambiente político ou será justamente o conflito conhecido e constantemente repetido - da amante do político - que nos incomoda tanto?

O desenvolvimento do filme explora a competência e a experiência do personagem de Gosling enquanto tenta administrar a primária do candidato democrata em Ohio, eleição regional do partido para definir aquele que irá concorrer à eleição presidencial. Steven, o personagem, tem uma carreira promissora e é admirado e invejado pelos seus colegas e até por seus detratores. Sua lealdade à campanha e sua fé no candidato, porém, passam a ser questionadas a partir do momento em que a vitória já não é mais uma certeza e a perspectiva da derrota eleitoral ameaça seu futuro profissional. A ambiguidade do caráter de Steven é algo confuso na narrativa; em um momento ele toma uma decisão egoísta em se encontrar com um rival político, no outro ele age pelo zelo do seu candidato - o que é interessante destacar é que o próprio Steven não compreende bem os motivos de seus atos. Essa construção rende, ao menos, uma excelente discussão entre Steven e Paul, o personagem de Seymour Hoffman - que aponta tudo aquilo que nem ele Steven nem nós espectadores percebemos dos bastidores da política. O que segue dali, entretanto, é um conflito de interesses feito de desespero e chantagens; algo muito menos interessante ou mirabolante do que se poderia esperar da trama desenvolvida - e que não chega exatamente no ponto de provar algo sobre o personagem de Gosling, se é que se pretendia a isso.

Tudo Pelo Poder 
(The Ides of March, EUA, 2011)
Direção: George Clooney.
Elenco: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Marisa Tomei, Max Minghella, Jeffrey Wright, Gregory Itzin e Evan Rachel Wood.
Duração: 101 min.

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