O encanto e a sensibilidade do story-telling da Pixar. |
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Publicado em: 03/09/2009 |
A Pixar tem um currículo de fazer inveja aos estúdios de Hollywood. Suas animações, distribuídas pela casa do Mickey, são produtos da mais alta qualidade técnica e narrativa. Seus longas constam ano após ano nas listas dos melhores do ano. Após Procurando Nemo, Monstros S.A., Ratatouille, o estúdio lançou a sua obra-prima; Wall-E, um divisor de águas. O longa, que chegou aos cinemas no ano passado, é uma aula de cinema (e de animação), um exercício da técnica e uma das mais belas fábulas sobre a humanidade no contemporâneo.
O prólogo de Up - Altas Aventuras, mais recente trabalho da Pixar a chegar aos cinemas, lembra o primeiro ato de Wall-E. Sem nenhuma palavra dita, o prólogo mostra a história pregressa do protagonista Carl Fredricksen, com um encanto e uma sensibilidade que já são marcas do estúdio. Em poucos minutos, a abertura estabelece as motivações do personagem, seus sonhos e suas privações, algo nunca visto com tanta personalidade em um longa de animação.
Enquanto outros estúdios apostam na ação para conquistar o público (penso nas animações desse ano Monstros vs. Alienígenas e A Era do Gelo 3), a Pixar vai em outra direção: no introspectivo, subjetivo e emocional. Este foi o caminho de Wall-E, nos seus primeiros vinte minutos de pura poiésis. No conto do robô-varredor há uma variedade de sentidos propostos pelas imagens que vão além da história de amor tradicional. Em Wall-E as possibilidades de identidade, sujeição e interpretação são ampliadas (múltiplas, saltitantes, fugidias), que permitem uma reflexão crítica e objetiva do tema.
Em Up não é diferente, a dupla formada por Carl e o garoto Russell faz o espectador pensar sobre diferentes pontos de vista; há uma certa melancolia em Carl, uma ingenuidade em Russell. A dinâmica entre personagens tão díspares nesta animação prova a capacidade do story-telling da Pixar. Há mais que uma (boa) lição de moral nesta fábula. Há também alteridade e compreensão, aventura e luto. A imagem dos personagens puxando a casa do velho Fredricksen - suspensa no ar por uma centena de balões -, é a tradução perfeita para esses sentimentos. A aventura em si deixa a desejar, é verdade, principalmente com a introdução do vilão na história, mas a relação da dupla é motivo suficiente para conferir o longa. Não é um Wall-E, mas é a segunda melhor opção em animação.
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Up - Altas Aventuras |
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